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Olá, Leopoldo.

Boa tarde, olá.

Viva. Vamos falar de batatas, mas não vamos andar à batatada, pois não?

Espero que não. Vamos tentar. Não é o meu género.

Hoje trazes-nos uma receita: batata à alentejana. Como é que se faz batata à alentejana?

Esta receita pertence a ideia ao António, que é o novo responsável do Chez Chouette, aqui em Alvalade. No fundo, é uma ideia que se torna num prato. É pensarmos carne de porco à alentejana e pormos a batata como elemento principal. A carne está no molho, a amêijoa está num creme e a batata é o centro do prato.

Mas não há carne?

A carne está no caldo e no molho.

É carne de porco à alentejana sem carne de porco.

Por isso é que é batata à alentejana. No fundo, a batata é frita também, é compacta, depois vai fritar toda junta. Tem um termo francês que é dauphine, que laminamos finamente, depois compressamos e quando vai ao frio, quando cortamos, frita-se em bloco, é quase um mil folhas de batata. E depois faz-se o bouillon pâte com as amêijoas. Umas guardam-se para depois pôr por cima, outras faz-se um creme e temos um caldo de carne de porco com os temperos da carne de porco à alentejana e portanto temos aqui uma variante da carne de porco à alentejana.

Muito bem, a carne de porco à alentejana pede tinto. E esta batata à alentejana pede branco ou tinto?

Pede tinto e pede branco, rosé ou rosado, desde que seja bom, tanto faz. A qualidade é que é importante, que é para não estragar o prato.

Quando estás a dizer que fazes o caldo, há aí carne moída?

Sim, faz-se o caldo e depois consegue-se reduzir e temos o sabor a carne no molho.

Ok. Deve ser uma experiência sensorial diferente.

Sim, o Chouette reabre hoje uma nova vida e este é o prato. Sou suspeito, mas o menu está muito curioso. O António é um jovem cozinheiro do Porto que veio para Lisboa novamente. E este prato tem uma ideia, os outros também têm, mas este puxou ao Alentejo e teria que ser este. E estamos a falar de amêijoas, que ainda nós não tínhamos falado e invertemos aqui a coisa.

Mas querias falar-nos do ingrediente da amêijoa. Quais são as particularidades?

Já falámos no outro dia do borbigão também. A amêijoa é parecida, também é mais famosa, mais conhecida e as pessoas comem mais. Há várias qualidades da amêijoa, mas há a amêijoa japonesa, a amêijoa boa. Não sei se chegámos a falar da amêijoa aqui por causa da apanha aí no rio. Não, foi aqui, esquece. Às vezes falo de mais, mas sim, é um assunto, a apanha da amêijoa é séria e temos que ter bastante cuidado, mas é um produto muito bom. O bouillon pâte é sempre um clássico.

É verdade.

Quem não gosta de pôr o pão no bouillon pâte?

É verdade.

Saba pâte.

E é uma receita tão simples: água, azeite, alho e coentros.

Mas às vezes o simples é o melhor.

É a forma mais nobre de fazer a amêijoa?

Sim, mais nobre ou mais clássica. Mas ao sal também costumo fazer. Põe o sal numa frigideira, põe as amêijoas por cima, o sal começa a aquecer e elas começam a abrir. E nós começamos a comer.

Só assim?

Só assim. Nem vai ao prato, aquilo não há tempo.

Olha, falavas do Chez Chouette, restaurante que vai reabrir hoje. É esse o estabelecimento que trazes hoje.

Peço desculpa pelo conflito de interesses. O Chez Chouette é um projeto bastante recente, vai para uma nova vida, aqui no bairro de Alvalade, onde eu nasci. Tenho muita vontade que ele vingue, como no passado. E temos uma equipa nova. Espero que desta seja de vez, porque a zona norte da cidade de Lisboa merece, de facto, novos projetos gastronómicos, com novas ideias, para captar pessoas na zona e não andarmos quase sempre a ter que ir lá para baixo. É bom criar projetos fora daquela zona mais turística da cidade. A cidade é bastante grande, a população está sobretudo cá em cima e nós também queremos que as pessoas fiquem por cá ou então que façam o caminho inverso.

Olha, o que é que destacas da carta do Chez Chouette?

O que eu destaco? Sou suspeito. Eu tenho aqui uma cábula, esperem lá. Temos também um ravioli de farinheira, temos uma cavala com um molho de salmorejo, que é à base de tomate, alho e pão. Temos uma tosta de sardinha, temos um tártaro de vaca crocante, temos uns croquetes. É um menu com preços relativamente razoáveis, achamos nós. Os vinhos também baixaram. Estamos um pouco mais democráticos e esperamos que assim consigamos atrair mais gente.

Pescadelas de olho aí ao público francês que mora aqui em Alvalade.

O Chez Chouette é a casa porreira para manter a forma. O Chouette é porreiro e temos uma mesa de ténis de mesa também para quem quiser comer, beber e depois fazer um bocadinho de exercício ou ao contrário. E o slogan é mesmo esse: casa porreira para manter a forma.

Muito bem, Leopoldo. Bom fim de semana.

Obrigado pelo tempo de antena.