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E esta sexta-feira no "Mesa para Quatro", o chef Leopoldo Calhau trouxe-nos nabo. Nabo, que é uma coisa que em miúdo eu detestava. É uma daquelas coisas que em criança eu detestava, mas que agora consigo apreciar. Se bem que nabo cozido ainda não é muito a minha praia, mas, por exemplo, sopa de nabos já marcha, já consigo. E então, Leopoldo, tu gostas de nabo?

Gosto.

Muito ou pouco?

Que bem.

O nabo é como a batata. Onde está a batata, podemos sempre substituir por nabo ou o nabo é mais versátil que a batata?

Não diria que é mais, mas é parecido. Dá para usar em vários formatos.

Sempre como acompanhamento ou não? Ou pode ser estrela principal de um prato?

Se quisermos, tudo é possível.

Basta a imaginação, não é?

Se quisermos fazer um prato só de nabos, fazemos.

Alguém tinha implicância com o nabo em criança ou era só eu?

É, um bocadinho.

Eu não me recordo de alguém me obrigar a comer nabo.

É o meio acidez, não é?

A textura.

A textura.

Mas agora gosto.

Há pratos em que o nabo e a batata estão ao lado.

Cozido à portuguesa.

E havia sempre aquela desilusão de trincar o nabo e ver só a batata.

Com isso eu consigo identificar.

É isso?

Pronto, é isso.

"Outra vez o nabo"

Fazendo as pazes. E claro que o nabo tem essa particularidade de absorver, se calhar ainda mais que a batata.

Pois é.

Os sabores. É mais inteligente, se calhar.

Se calhar.

Ou não.

Não é nabo.

Não é nabo.

Mas o que tu farias com o nabo? Logo à primeira.

Posso fazer logo.

À primeira vista.

Descasca-lo?

Sim, primeiro, obviamente. Com a lebre é incrível o nabo.

A sério? Nunca provei.

Ralado é espetacular.

A doçura da carne.

O nabo, tal como o rabanete, que já falamos há uns tempos, é antioxidante, portanto é bom.

Lá está, rabanete.

Dá para fazer puré.

Eu sempre a pensar na saúde.

Ia fazer a mesma pergunta.

Dá para fazer puré. Nunca fiz puré.

Essa é a minha pergunta.

Ele não é fibroso demais para fazer puré?

Convém juntar sempre um pouco de batata, obviamente, mas é bom.

Portanto, é à letra B.

E depois o nabo também tem ali um ponto de maturação, não é?

Diz tu.

Não sei, acho eu, porque às vezes compro nabos e digo: "Epá, este nabo já está um bocado fibroso". E há outros que são mais macios.

Há nabos e nabos. Realmente dá para as saladas. Eu lembrei-me do nabo porque recentemente estive no restaurante que vamos falar e serviram-nos uma salada de nabo com tangerina.

Mas frio? O nabo frio, cru?

Cru. Ou seja, acabava de ser marinado ou em picles e funcionou muito bem. Eu já usava, sobretudo com a caça.

Os japoneses também usam como a cenoura ralada, não é?

Os rabos são familiares.

Mas como é que tu usas? Não percebi, como é que usas na salada fria?

Salada fria pode ser só ralado, pode ser só laminado, e depois tem que ser temperado, obviamente, mas dá para comer cru. Eu sei que dá porque ainda agora este fim de semana, na aldeia do meu pai, que é Vilova, naquele prelúdio antes da refeição que eles fazem nos cafés e nas tascas, há quem leve o nabo e comece a fatiá-lo como quem descasca um marmelo ou uma maçã, como pretexto para acompanhar o vinho.

Por acaso o aperitivo no Minho é mais um fino com Martini antes do almoço.

Está chiquérrimo.

E a lambreta.

E a lambreta, não é? Aquela de 15 cl.

Mas se tiveres a fazer a comparação, são as cebolas. São aquelas cebolas em vinho.

Sim, aquela cebola. Mas tu tens aqui uma receita especial para o nabo, que é nabo, percebes e tomate. E aqui eu já ia ao nabo com esta receita. Como é que ele surge aqui? É cru também?

Sim, ralado como se fosse a cenoura. Ralador. E depois é só temperar com uma salada mesmo. E portanto temos tomate cherry, por exemplo, e os percebes acabados de cozer, os percebes acabam por dar uma temperatura e fica tudo tépido. E depois azeite, um bocadinho de vinagre.

Mas os percebes prontos a comer?

Sim, acabados de aquecer e de cozinhar.

E descascados.

Descascados, prontos a comer, juntar tudo e servir.

Super comia.

Super prato.

Super comia este prato que o Leopoldo agora nos trouxe.

Vamos fazer este verão, provavelmente nos Dois Passos.

Muito bem. E sugeres hoje uma viagem até ao restaurante Corrupio, que fica na Rua da Moeda em Lisboa?

É verdade. É um balcão, praticamente.

Eu gosto muito de balcões.

Comi uma barriga de trem no balcão, o próprio balcão.

Se tiver azulejos e balcão, é para mim.

Em vez da parede, o próprio balcão é desenhado pelo Espadrita, que é um ateliê de uns designers bem conhecidos e que eu aprecio o trabalho.

Mas não tem mesas de todo?

Tem algumas mesas fora e duas ou três lá dentro. Comi desde pastel de massa terra com bacalhau e natas lá dentro e comi um prato de barriga de leitão com essa salada de citrinos e nabo que me fez pensar qualquer coisa.

Faz sentido o leitão. Só acompanha com essa salada? Mais nada?

Que me lembre, sim.

Podia ter aquela batata.

É para cortar a gordura, provavelmente.

Ainda por cima essa barriga do leitão.

Antioxidante.

Adoras a palavra antioxidante.

É bom. Eu sempre a pensar na saúde.

Obrigado a Leopoldo Calhau. "Mesa para Quatro" é sempre à sexta-feira, está sempre disponível no nosso site, em observador.pt. Tem sempre uma receita, tem uma sugestão de restaurante ou viagem e tem um ingrediente estrela. E hoje a estrela foi o nabo. Obrigado por isto, Leopoldo Calhau. Bom fim de semana.

Saúde.