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"Mesa para 4" no ar à sexta-feira, sempre com o chef Leopoldo Calhau, que já está conosco. Olá, Leopoldo, bem-vindo. Como estás?

Mais ou menos.

Está mais ou menos.

Ótimo. Muito bem.

Mais logo o fim de semana vai lhe deixar mais ou menos.

Meio cheio, meio vazio.

É bom chegar ao fim de semana com esse entusiasmo todo.

É verdade.

Cá se vai andando.

Leopoldo, eu estava aqui à procura-

Sabes o que se diz dos mornos, não é?

O que se diz dos mornos?

Agora não.

Agora não se pode dizer. Ok. Depois contem, por favor. Leopoldo, normalmente o "Mesa para 4" tem um ingrediente, uma receita e um restaurante, mas hoje, pelo que percebi pelas tuas notas, vamos falar do Batareu. É um restaurante em Setúbal. Estava aqui a ver fotos, saltaram-me à vista as vieiras. É a especialidade ou o que se come no Batareu?

Eu vou dizer o que eu comi quarta-feira.

E a lista é?

Ao almoço.

Não sei se vamos ter tempo pra contar tudo.

Não, começou ao almoço.

Por acaso não se estendeu. Comemos vieiras, lingueirão, ovas de pescada, salmonete, barriga de atum, choquinhos e a sobremesa foi lagosta.

Nada mal.

Acabada de apanhar.

Nada mal. É um restaurante especialista em peixe, em marisco e grelhados, nesse caso.

Praticamente tudo é grelha. Depois fazem os choquinhos e o lingueirão, que foram feitos ao lume.

Setúbal também é conhecido por isso, não é?

Sim. É um restaurante muito familiar, tem uma pequena esplanada e vale a pena ir lá de vez em quando.

Faça alguma coisa com vieiras, que não é uma coisa que eu coma muito habitualmente. Estava aqui a ver as fotos do Batareu.

Na taberna já fizemos alguma, mas não faço muito.

Como é que cozinhas?

Porque houve uma altura que todos os restaurantes tinham, sobretudo alta cozinha.

Não te interessava isso?

Não.

Pensaste: "Se os outros têm, eu não vou ter."

Não convém.

Não é muito alentejano também, não é? Também foi por aí.

O alentejano pode comer vieiras à vontade.

Claro.

Mas acho que não se dá muito ali por aí.

Mas pra cozinhá-las, como é que tu fazes? Na frigideira?

Estas, no caso, quando é na brasa, são fechadas, elas depois abrem.

Que giro.

Vem com a concha mesmo.

Exatamente. Elas depois abrem, e podes pôr um molho lá dentro, uma manteiga com limão, uma lagueta, e deixar cozinhar assim.

Eu tenho sempre a sensação, eu nunca cozinhei, porque tenho a sensação de que-

Nunca cozinhaste vieiras. Calma.

Não.

Grande revelação.

Nunca cozinhei vieiras.

Também não.

O resto já comi quase tudo. Porque acho que vão ficar borrachosas.

Convém ter algum cuidado. Não é uma coisa tão linear quanto isso.

Não é assim tão fácil de fazer, não é?

Tem ali um ponto.

Estas que vêm ainda dentro da-

Dentro da casca.

Da casca, é a garantia de serem melhores.

Sabem mais a mar.

Aquelas congeladas depois já estão muito aguadas.

Essas são as que a gente vê, não é? São as congeladas.

Essas aí já vais quase sempre à segurança.

Dessa imensa lista de ingredientes que papaste no Batareu, tens algum favorito? O que estava mesmo espetacular?

Espetava o ponto do salmonete, que é uma das especialidades desta casa. Eles às vezes até abrem o salmonete e barram os fígados sobre o peixe. Tudo estava irrepreensível em termos de confeção. E isso é que é extraordinário. Muito simples, feito com muito boa vontade. A própria lagosta estava no ponto.

Estava suada?

Estava.

E as ovas de pescada?

Eu ia te perguntar isso. Tu és especialista.

Eu adoro.

Eu adoro só comer.

Ovas de pescada é uma das coisas que eu comecei a comer já em adulto.

Eu ainda não gosto assim muito.

E estas estavam incríveis.

Não é uma coisa que me leve a algum lado.

Não, mas se nos cruzarmos, com todo o prazer.

Acredito.

Mas prefere-las na grelha?

Sim.

Grelhadas? Ok, ainda por cima.

Eu prefiro cozidas.

Cozidas, não é? Só conheço cozidas.

Mas eu acho que isso tem a ver com a infância, porque a minha avó fazia cozidas.

É por causa disso que eu acho que a nossa geração não vai muito à bola com as ovas.

Porque era muito cozida. Não era cozida, era muito cozida.

Não, era muito bem cozida e com molho verde.

Muito cozida, cheia de alho e coisas assim do gênero.

Uma das coisas de comer este tipo de pratos, mariscos e peixes, num restaurante como este, o Batareu, em Setúbal, também é isso que estavas a dizer: não é preciso grandes ingredientes, grandes molhos, grandes coisas, pois não?

Lembro-me, acho que sim, comemos uma salada, só pra não ficar aqui...

De pimento assado também?

Decidimos ir só pra produto. Acho que realmente às vezes os hidratos não fazem falta e aqui foi mesmo uma refeição de produtos.

Tu falas como se tivesses ido fazer um trabalho de campo, não é?

Fui.

Isto é trabalho, atenção.

Isto é trabalho.

Há vidas mais difíceis.

Fui desafiado pra ir desanuviar e agradeço a quem me convidou pela ideia. E realmente Setúbal está aqui a 20 minutos, meia hora de Lisboa.

O Bruno ainda está mais perto que nós.

É verdade, e gosto muito de ir a Setúbal.

Choquinhos?

Claro.

O peixe fresco em Setúbal se faz ali.

É uma maravilha, mas é muito difícil, sobretudo aos fins de semana.

Sim, arranjar lugar.

Lugar.

Depois foi engraçado, encontrei clientes da taberna lá.

Mas olha, quem te convidou, se nos está a ouvir, pra próxima convide-nos. A equipe toda, vamos todos.

Vamos ao Batareu, fazemos isso.

Fazemos uma emissão especial do Batareu.

Também dispensamos os hidratos.

Uma refeição de produto. Eu retive esta expressão do Leopoldo, uma refeição de produto só.

E, de facto, é o que levamos desta vida. O convívio e boa comida.

Sem dúvida. Belo "Mesa para 4" esta semana dedicado ao Batareu em Setúbal, com muitos ingredientes, peixe e marisco sugerido pelo Leopoldo Calhau, ele que está todas as sextas-feiras na Rádio Observador. Sempre que quiserem podem ouvir o podcast "Mesa para 4" nas plataformas de podcast e também no nosso site em observador.pt. Este fim de semana vais a algum lado? Já tens um destes almoços-jantares de produto?

Sim, tenho uma vida intensa este fim de semana.

Tens uma vida social intensa.

Quem precisa descansar não está mal.

Sabes o que ele tem? Tem festas das crianças.

Não, é só jantar. Tenho um jantar e depois tenho um almoço. Vou cozinhar também no domingo.

Muito bem.

Quando tu dizes: "Tenho um almoço, eu vou cozinhar."

É domingo, dia da mãe.

É dia da mãe. Vais cozinhar pras mães da tua vida?

Vou cozinhar pros filhos das mães.

Leopoldo Calhau, todas as sextas-feiras na Rádio Observador. Obrigado, Leopoldo. Bom fim de semana.

Um abraço.