Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Leopoldo, boa tarde.

Boa tarde.

Hoje vamos falar de uma raiz que os portugueses conhecem bem: os nabos.

Isso não é conosco, não é, Leopoldo?

Não sei.

Muito bem, vamos ao restaurante onde se comem bons nabos.

É verdade, fui semana passada provar finalmente estas iguarias que este restaurante tem, com o chefe executivo Nuno Mendes, que vive há muitos anos em Londres e tem feito carreira lá. Agora é consultor e mentor da carta da Cozinha das Flores, no centro do Porto, e brindou-nos no início da refeição com um pastel de nata de nabos com caviar.

Espera aí, calma. Com calma, que eu acho que não estávamos preparados pra isso. Leopoldo, tu estavas à espera?

Eu não, eu fiquei surpreso, mas realmente funciona e voltava lá, não tenho dúvida.

Pastel de nata com nabos e caviar. Pastel de nata, do tamanho de um pastel de nata?

Sim.

E é comido como sobremesa?

Não, entrada.

Como entrada.

É curioso, porque ele tem umas entradas que a primeira era uma bola de Berlim com sapateira, se não me engano. Depois era um pão de ló com gambas e depois foi tudo entre as entradas e a sobremesa. Mas lá está, o doce e o salgado faz parte da cultura portuguesa. Eu próprio também faço isso lá na taberna em alguns pratos, mas estes snacks são realmente surpreendentes.

E já tinhas ouvido falar ou foste mesmo às cegas?

Já tinha ouvido falar, mas eu gosto de ir sem estudar a matéria. Gosto de ser surpreendido.

Não pediste uma opinião prévia, não?

Não. Aliás, eu acho que nem pedi, eles depois incluíram e ainda bem. Fiz esse sacrifício.

Olha, vamos à receita. Trazes-nos um coelho com nabos, é isso?

Sim, eu filho de alentejanos, os nabos estão presentes na gastronomia, estão nos cozidos, estão no cozido de grão, cozido à portuguesa. E os meus pais lembram que faziam coelho com nabos ou lebre regularmente e eu já fiz destes anos que tenho disto, já fiz algumas vezes e lembro-me que foi o penúltimo prato que servi no Café Garrete, foi coelho com nabos. No fundo, é um estufado, é pôr as coisas lá dentro e tudo se resolve por ele próprio. O nabo tem uma particularidade que absorve os sabores que estão à volta e ganha com isso e ganhamos nós também.

De facto, Leopoldo, como dizias, o nabo é mais conhecido-

Não é nada nabo. Atenção.

Não é nada nabo. É muito versátil, é muito inteligente o rapaz. É mais conhecido, pelo menos pra maioria de nós, no cozido, mas há formas diferentes de o confeccionar.

Sim, dá pra fazer picles.

Primeiro caso, que é invulgar.

Sim, no fundo, dá pra fazer purês, dá pra fazer picles, dá pra grelhar se quisermos, dá para saladas, dá pra comer cru, obviamente. Portanto, é mais um ingrediente super versátil, que acabamos quase sempre por comer da mesma maneira, cozido, não é? Nos cozidos.

Sim, é pouco explorada essa versatilidade do nabo.

Somos nabos em não explorar o nabo. Mas sim, é saboroso.

Olha, e há alguma maneira particular de cozinhar o nabo ou de o ferver?

Sim, depende do que queremos fazer com ele. Mas, por exemplo, nestes estufados é deixá-lo estar e depois há uma questão da consistência que queremos: mais mole, com mais textura, mais rijo. Podemos deixá-lo mais tempo, é ao nosso critério.

Muito bem. Quem diria que um nabo desse pra tanta coisa?

Exato.

Eu fiquei espantado com o pastel de nata com o nabo.

E com vontade de experimentar?

Deixou-me com vontade de experimentar.

É fazer um programa no Porto e depois dão lá um saltinho.

Quem sabe, fica o convite. Leopoldo, bom fim de semana.

Um abraço. Tchau.