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4700 milhões. 43 milhões de euros.
Pede desculpa, mas são muitos números.
Começa agora mais uma moeda de troca das manhãs 360 e hoje Paulo Ferreira e Miguel Cordeiro vamos olhar para um negócio que anda embrulhado há alguns anos num novelo que parece não ter fim.
É verdade. E falamos da venda da Media Capital, o grupo de comunicação social que tem a TVI, a Rádio Comercial, outros negócios no setor, mais rádios, produção de ficção, plataformas online, enfim, um grupo de comunicação social. A empresa está há vários anos para ser vendida pelos donos, que são os espanhóis do grupo Prisa, que é dona do El País, em Espanha, mas claramente não tem corrido bem. E os últimos desenvolvimentos são do findo do dia de ontem. A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, o regulador da bolsa, não aceita a retirada da oferta pública de aquisição que a Cofina tinha lançado sobre a Media Capital no ano passado. Então, em agosto de 2019, a Cofina, que é dona do Correio da Manhã, da Sábado, do Record, do Jornal de Negócios, tinha então anunciado um pré-acordo para a compra da Media Capital por 250 milhões de euros, mas esse negócio devia passar, obviamente, também pelo lançamento de uma oferta no mercado.
É, e para financiar essa operação, a Cofina ia fazer um aumento de capital, além de se ter associado a Mário Ferreira, o empresário da Douro Azul. O negócio foi aprovado pelas várias entidades reguladoras. Depois veio a epidemia, o aumento de capital da Cofina não se realizou e a empresa decidiu retirar a oferta que tinha em cima da mesa para comprar o grupo da TVI. O caso está ainda em diferendo jurídico com o vendedor, que não aceita que o potencial comprador saia assim do negócio.
Ora, a CVM vem agora dizer que essa oferta que a Cofina tinha sobre as ações da Media Capital, que estão dispersas no mercado, não pode então ser retirada. Mas o enredo não acaba aqui. É que entretanto, nas últimas semanas, Mário Ferreira, que estava no início associado à Cofina, comprou agora sozinho 30% da Media Capital. Isto numa negociação direta que fez com a Prisa, pagou 10 milhões de euros, um valor que o mercado entende estar muito abaixo, não estar alinhado com a avaliação que está a ser feita da empresa.
Sim, a Prisa tem a maioria, mas entretanto há este segundo acionista de peso, Mário Ferreira, e pode haver outro ainda com 5% do capital, se a OPA for mesmo em frente e tiver sucesso no mercado. Temos assim um dos mais importantes grupos de comunicação social do país em mais uma grande indecisão sobre os futuros proprietários e numa encruzilhada estratégica que se prolonga.
É, o dono, o grupo Prisa, quer vender há muito tempo. Os compradores vão aparecendo, vão se sucedendo, mas a operação nunca chega ao fim e começa a haver então uma dispersão de acionistas com algum peso, mas sem que é duvidoso se há um alinhamento estratégico entre todos sobre o futuro da empresa. E isto no momento em que o mercado está particularmente difícil para todos os setores, mas também para a comunicação social.
E assim chegamos ao fim de mais uma moeda de troca nas manhãs 360, sempre com o Paulo Ferreira e também o Miguel Cordeiro.
4700 milhões. 43 milhões de euros.
Pede desculpa, mas são muitos números.