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4700 milhões.
43 milhões de euros.
Peço desculpa, mas são muitos números.
Paulo Ferreira e Miguel Cordero, tudo pronto para mais uma moeda de troca e, Paulo, vão surgindo os primeiros dados do impacto da crise na economia e também no emprego.
É verdade. Ontem tivemos a divulgação do número de desempregados inscritos no Instituto de Emprego e Formação Profissional. Este é um dos indicadores de emprego ou desemprego que temos em Portugal, depois há a taxa do INE também. E este dado, as pessoas que foram aos centros de emprego inscrever-se, disparou 22% em abril, isto quando comparado com o período homólogo do ano passado, portanto, abril de 2019. Esses dados mostram que, no final de abril, o total de pessoas inscritas no centro de desemprego era 392 mil pessoas, quase 400 mil, e só no mês foram quase 50 mil as pessoas que foram inscrever-se. Isto, para ter acesso ao subsídio de desemprego.
E a avaliação regional também revela uma assimetria na evolução das perdas de emprego. No Algarve subiu 124%, ou seja, mais do que duplicou em relação ao ano passado. Isto mostra o abalo num dos setores mais afetados, o turismo. O Algarve é uma região muito dependente deste setor. Por outro lado, é um setor onde os vínculos laborais são mais frágeis, logo é relativamente mais fácil despedir quando a atividade das empresas sofre algum abalo. Mas mostra também que, embora a epidemia seja simétrica, o seu impacto não é igual em todas as regiões ou países. O impacto depende muito da estrutura de cada economia e dos setores mais relevantes. No caso português, o turismo tem um peso significativo na economia, entre 12% a 15%, de acordo com os indicadores utilizados, e isto paga-se agora com mais custos económicos e sociais.
E outro efeito colateral disso mesmo, também do impacto no turismo, a evolução do imobiliário e do valor das rendas. Bom, primeiro, esta crise está obviamente a deixar muitas famílias com menos rendimentos. Basta pensar nas pessoas que estão em lay-off ou que perderam o emprego, como estas, como é evidente. Mas depois também o desaparecimento do turismo fez com que muitas casas que estavam destinadas ao alojamento local, isto nota-se essencialmente em Lisboa, no Porto e também no Algarve, passaram a entrar no mercado de arrendamento dito normal, o arrendamento de médio e longo prazo. O Eco diz que já se notam descidas de 12% no valor médio das rendas que está a ser pedido pelos proprietários e a Associação Portuguesa de Proprietários diz que de facto muitos já tomaram a iniciativa de negociar as rendas com os inquilinos, baixando-as. Há senhorios não habitacionais, isto é, pessoas que têm as tais casas que não estavam destinadas à habitação, mas a comércio ou a turismo, que estão a praticar reduções de 80% a 90% nas rendas, precisamente para acomodar o impacto no rendimento de empresas ou o desaparecimento do turismo, enquanto nos imóveis habitacionais, destinados à habitação, de facto, as rendas estão também a ser mais baixas. Mas aí está também o mercado imobiliário a ajustar e a sofrer o impacto desta crise. A bolha pode mesmo estar a rebentar.
E assim fechamos esta moeda de troca nas manhãs 360, sempre com o Paulo Ferreira e o Miguel Cordero, na rádio Observador e a qualquer hora em podcast.
4700 milhões.
43 milhões de euros.
Peço desculpa, mas são muitos números.