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4700 milhões. 43 milhões de euros.
Pede desculpa, mas são muitos números.
Está tudo pronto. Começa agora mais uma moeda de troca das manhãs 360. Hoje, Paulo Ferreira e Miguel Cordeiro, com destaque para os números do desemprego.
É, tivemos em maio o primeiro embate forte, aquele mais a valer desta epidemia e das suas consequências económicas no mercado de trabalho. Ficámos a saber ontem que no mês passado estavam inscritas mais 103 mil pessoas nos centros de emprego em Portugal. Isto comparando com maio do ano passado. É um aumento homólogo de 34%. É muito forte e é muito raro. E só para termos uma comparação, em 2012, no momento mais pesado da crise das dívidas, com a troika por cá, o aumento homólogo mais elevado foi de 26%. Portanto, compara com os atuais 34%. E antes disso, em 2010, quando a crise financeira também provocou uma primeira recessão, o número de inscritos por cá em Portugal teve um aumento de 30%. Portanto, também este valor histórico abaixo do que estamos a verificar agora. Não só no pico das últimas recessões, que ainda por cima são muito frequentes em Portugal, como sabemos, mas o aumento do desemprego foi mais contido então no passado, como aconteceu de forma mais dispersa no tempo.
E neste caso, em apenas dois meses, temos mais de 100 mil desempregados que se inscreveram para receber o subsídio e tentar encontrar trabalho. E naturalmente, este aumento não é idêntico em todos os setores. Nas atividades relacionadas com o alojamento, a restauração e similares, a subida dos trabalhadores inscritos foi de 90% quando comparada com o mês de maio de 2019. A paragem da economia aqui a provocar um abalo muito grande no turismo e, sem surpresa, é também na região do Algarve, muito dependente do turismo, que se está a verificar a maior perda de empregos em termos proporcionais. Comparando maio deste ano com o mesmo mês do ano passado, as pessoas inscritas nos centros de emprego algarvios aumentaram três vezes. Eram cerca de 9 mil há um ano e são agora 27 mil. Em condições normais, esta seria a altura do ano em que a atividade turística começava a recrutar para o aumento da procura. E isso não só não está a acontecer este ano, como pelo contrário, as empresas despediram e podem continuar a despedir.
É provável então que este aumento do desemprego continue, porque vai haver empresas que não vão resistir nos próximos meses à quebra da procura e à falta de clientes, apesar de estarem agora a tentar aguentar-se ainda. E há outras que vão ter problemas financeiros. Porque tiveram que se endividar para suportar estes meses em que estiveram fechadas ou com atividades reduzidas e podem não resistir, de facto, agora nos próximos meses, ao peso dos encargos com a dívida. Isto, claro, mesmo sem fazer especulações sobre a possibilidade de uma segunda vaga de vírus, que poderá também trazer consigo mais um pacote de condicionamento económico.
Paulo Ferreira e Miguel Cordeiro com mais uma moeda de troca nas manhãs 360, aqui na Rádio Observador e sempre em podcast.
4700 milhões. 43 milhões de euros.
Pede desculpa, mas são muitos números.