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4.700 milhões.

43 milhões de euros.

Peço desculpa, mas são muitos números.

Começa agora o "Moeda de Troca" das manhãs 360, Paulo Ferreira e Miguel Cordeiro. Hoje, a EDP e a suspensão de António Mexia e de Manso Neto são tema obrigatório.

A decisão do juiz Carlos Alexandre foi tomada ontem com efeitos imediatos e é uma decisão inédita numa empresa, pelo menos desta dimensão e com este mediatismo: a suspensão de funções de gestão executiva por decisão judicial. Isto já aconteceu na banca, por decisões do Banco de Portugal, com Ricardo Salgado, por exemplo, mas esse foi um caso, ou são casos, ao abrigo das regulares funções de supervisão do Banco Central, que tem também o dever de fazer a avaliação de idoneidade dos gestores bancários. Não foi, nesse caso, uma medida de coação num processo de investigação criminal, como é o caso. A decisão é essa, Mexia está afastado da gestão executiva da EDP, Manso Neto afastado da gestão executiva também da EDP Renováveis, uma empresa do grupo, e que são duas das maiores empresas portuguesas e das maiores cotadas em bolsa. As empresas, atenção, não são elas próprias alvo de processo, neste caso a EDP, onde há suspeitas de crimes de participação económica em negócio e de corrupção ativa sobre o ex-ministro da Economia, Manuel Pinho. Os factos são imputados a estes e outros arguidos individualmente, mas as empresas, obviamente, embora estejam formalmente fora do processo, estão a ter seu nome arrastado para um caso que está ainda a começar e que não se sabe como vai acabar.

E mesmo sem implicações jurídicas diretas, o que se joga aqui é principalmente a reputação das empresas e o valor. Ontem, quando se soube da decisão de suspensão de Mexia e de Manso Neto, as cotações começaram a cair. Estiveram a descer mais de 2% até a CMVM depois suspender a negociação, quando os órgãos da empresa anunciaram que iam reunir para encontrar uma solução imediata e transitória para a liderança na gestão das empresas. E é Miguel Stilwell quem vai assumir a gestão executiva. Esta manhã, essa suspensão foi levantada. As ações das empresas do grupo EDP já estão novamente a ser negociadas, caíram no início da sessão e depois começaram a recuperar. Mas a pressão e a incerteza vão continuar. Claro que já há CEOs interinos para ambas as empresas, mas isto não resolve o problema da incerteza sobre o rumo, sobre o futuro deste grupo.

E sobre esse futuro, há várias questões que se colocam neste momento. A primeira é se António Mexia e Manso Neto estão definitivamente afastados das empresas ou se isso ainda está dependente do desfecho de um processo que, lá está, não se sabe como nem quando vai acabar. E olhando para aquilo que costumam ser os prazos da justiça portuguesa, isto vai demorar muitos anos, certamente. Em segundo lugar, quando é que os acionistas vão tomar decisões definitivas sobre a liderança das empresas? E a terceira é se essas novas lideranças, sejam quem forem, vão manter ou alterar a estratégia que estava a ser seguida. Portanto, são respostas que os pequenos acionistas e o mercado aguardam, obviamente, e que devem ser dadas, sobretudo, pelos maiores acionistas, que têm mais poder na empresa. E aqui aparecem os chineses da China Three Gorges à cabeça. E essa definição deve ser dada nas próximas semanas pela EDP. Mas uma coisa é já certa: acabou um ciclo de cerca de 10 anos na maior empresa de eletricidade do país, em que ela foi liderada por António Mexia, e esse ciclo acabou por decisão judicial.

Paulo Ferreira e Miguel Cordeiro com mais uma moeda de troca nas manhãs 360, aqui na Rádio Observador e também em podcast.

4.700 milhões.

43 milhões de euros.

Peço desculpa, mas são muitos números.