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4.700 milhões. 43 milhões de euros.
Pede desculpa, mas são muitos números.
Paulo Ferreira e Miguel Cordaro, tudo pronto para mais uma moeda de troca e hoje falamos de uma notícia desta manhã: a saída de António Horta-Osório do Lloyds Bank.
Sim, foi anunciada há pouco e merece alguma reflexão. Horta Osório é o gestor português que o Tesouro Britânico convidou em 2011 para ficar à frente do Lloyds, que tinha acabado de ser intervencionado pelo Estado. O Lloyds era, na altura, o maior banco de retalho inglês e um dos mais antigos do país e na sequência da crise financeira, que afetou muitos países em todo o mundo, o banco foi então resgatado e o Estado inglês ficou com 39% do capital. Os contribuintes britânicos meteram lá 21 mil milhões de libras, são qualquer coisa como 23 mil milhões de euros, é muito dinheiro, mais de 10% do PIB português. Depois foi preciso fazer toda a reestruturação do banco, resolver questões legais relacionadas com créditos de clientes e poupanças de clientes, uma espécie de lesados do Lloyds, que também havia por lá, cortar custos, aumentar receitas, fazer a digitalização dos negócios através da internet, cada vez mais. Enfim, resgatar dos escombros um banco que teve a sua sobrevivência em causa.
Sim, muito trabalho para Horta Osório, que foi contratado ao grupo Santander diretamente pelo governo britânico para liderar esta tarefa, que agora vai dar como concluída. E a primeira coisa que importa sublinhar é que esta intervenção do Estado conseguiu dar lucro, ou seja, o dinheiro que o Estado colocou no banco já foi devolvido com a venda da posição do Estado. Os contribuintes receberam mais mil milhões de libras, o que mostra que os resgates de bancos não têm que ser uma tragédia quando são feitas com bom senso, quando são dadas condições às equipas de gestão, quando há uma estratégia e uma estabilidade no projeto. Tudo isto foi garantido pelo Estado inglês, primeiro com a contratação de um estrangeiro, mas com capacidade reconhecida no setor, depois dando todo o suporte nas decisões difíceis de despedimentos, encerramento de balcões, que tiveram de acontecer. Em 2015, quatro anos depois do início deste processo, o Lloyds já tinha lucros pela primeira vez em sete anos e recomeçava a pagar dividendos aos acionistas, Estado incluído, e em 2017, o banco voltaria à esfera privada com lucros para o Estado inglês.
E o banco tornou-se, entretanto, na instituição com a maior base de assinista do Reino Unido, ou seja, é a que tem o maior número de assinistas e é também a que tem o maior número de clientes através da banca eletrónica, da banca online. É um sinal de que o planeamento é importante e esse sinal está no anúncio feito hoje. Hoje está sendo anunciado que Horta Osório deixa o banco. Não é este ano, não é daqui a um mês, é daqui a um ano, em junho de 2021. Até lá, vai concluir o plano traçado para o banco em 2018 e os acionistas têm assim tempo para preparar a sua sucessão. Uma lição a reter aqui, as instituições, a sua cultura e a sua prática são fundamentais para conseguir bons resultados, mesmo quando eles parecem impossíveis ou muito difíceis.
"Moeda de Troca" nas manhãs 360, sempre com o Paulo Ferreira e Miguel Cordaro, na Rádio Observador e também em podcast.
4.700 milhões. 43 milhões de euros.
Pede desculpa, mas são muitos números.