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43 milhões. 43 milhões de euros.

Peço desculpa, mas são muitos números.

Jusdito França e Paulo Ferreira na moeda de troca de hoje. Olhamos para a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, que já passou uma guerra cambial. Como é que estão os mercados a reagir hoje?

Depois do grande rebuliço de ontem, de que já falaremos, estão hoje a corrigir, o que também é habitual depois de movimentos muito amplos. As bolsas na Europa estão relativamente calmas. Em Lisboa, o PSI 20 está até a subir 0,2% e há até uma correção hoje de manhã da moeda chinesa, do yuan. Mas, de facto, a resposta da China ao anúncio, na semana passada, da imposição de tarifas de 10% para a generalidade dos produtos chineses que chegam aos Estados Unidos foi o instrumento cambial e foi, no fundo, fazer cair a sua moeda, através do Banco Central da China, para sete yuans por dólar, que era uma barreira que já não era quebrada desde 2008, portanto, há mais de uma década. Isto faz doer os Estados Unidos num ponto que é essencial. Por um lado, a queda da moeda chinesa faz compensar, pelo menos até certo ponto, a imposição das tarifas aduaneiras dos Estados Unidos, isto é, os produtos acabam por chegar lá mais baratos e dessa forma compensar o imposto que a administração Trump lhe está a colocar. E, por outro lado, ao provocarem também uma queda dos mercados e uma fuga dos investidores para ativos-refúgio, como é habitual, acabam por aumentar esse efeito e fazer subir o dólar, que é também, historicamente, um ativo, um produto financeiro de investimento de refúgio. Obviamente que os mercados ontem reagiram com grande intensidade, porque há aqui dois efeitos a ter em conta. Um é a desaceleração econômica que pode provocar, nomeadamente nos Estados Unidos, porque as empresas americanas vão ter muito mais dificuldade agora, com a queda cambial do yuan, para vender pra China. Há setores muito afetados, nomeadamente a indústria automóvel, toda a indústria ligada à tecnologia e semicondutores, que tem na China um enorme mercado neste momento e por isso o Wall Street ontem caiu 3%, a maior queda deste ano da bolsa americana. Portanto, há aqui um efeito de desaceleração econômica e, por outro lado, há também a tal fuga dos investidores para produtos mais seguros. E por isso nós ontem tivemos o ouro em alta. Tivemos também títulos da dívida, nomeadamente dívida europeia, com a Alemanha à cabeça, também serem muito procurados pelos investidores. E tivemos, obviamente, também um efeito ampliado de subida do dólar. É um novo patamar nesta guerra comercial, com os Estados Unidos agora a acusarem a China de manipulação cambial e, no fundo, a pedirem a intervenção, até certo ponto, também do FMI. Mas coloca riscos este avanço chinês, coloca novos riscos na economia global, que a guerra comercial dos Estados Unidos já tinha aberto, mas coloca-nos numa zona cinzenta de não sabermos muito bem quais são os próximos passos e até que ponto é que poderá provocar uma desaceleração mais global da economia norte-americana, mas depois a contaminar também a Europa. No caso chinês também, há que ter em atenção que a queda da moeda provoca, por regra, uma subida da inflação, o que pode levar depois a medidas de política monetária, nomeadamente subida da taxa de juro, que pode, por sua vez, também acelerar um pouco uma desaceleração econômica. Portanto, digamos que vão ser turbulentos os próximos tempos na economia global.

Paulo Ferreira e Jusdito França, com o Moeda de Troca. Não perderá, nova edição amanhã, aqui no Observador, aconteça o que acontecer.

4700 milhões. 43 milhões de euros.

Peço desculpa, mas são muitos números.

E hoje a sequência dos quatro números deu-nos o seguinte código: é o 3025, Coimbra. 4705, Cabreiros. 7940, Vila Nova de Foz Côa. 9125, Canidelo. 2635, Cascais. Vamos sortear o destino do nosso código postal de hoje.

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