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4.700 milhões. 43 milhões de euros.
Desculpa, mas são muitos números.
E começa agora mais uma moeda de troca nas manhãs 360, sempre com o Paulo Ferreira e esta semana também com a Carla Jorge de Carvalho. Hoje vamos falar de previsões económicas.
Vamos a isso, porque ontem ficámos a conhecer as contas de mais uma entidade, desta vez do Conselho de Finanças Públicas, que é uma entidade independente que faz precisamente a avaliação das políticas orçamentais. As previsões deste conselho apontam para uma queda do Produto Interno Bruto que pode ir até aos 11,8% este ano, devido, claro está, ao impacto da pandemia Covid-19. Este é uma enormidade, este número, como se pode perceber. E só para termos um ponto de comparação, no pior ano da Troika, que foi 2012, o PIB caiu 4,1%. Portanto, estamos a comparar 4,1 com 11,8. Estamos a falar, neste caso, de quase três vezes mais. Este é o pior cenário do Conselho de Finanças Públicas, o cenário chamado severo. Nesse caso, o déficit público seria de 9,3%, também um valor muito elevado, e a dívida pública passaria dos atuais cerca de 120% para 142%. Menos violento é o chamado cenário base, e esse aponta para uma queda do Produto Interno Bruto, do PIB, de 7,5% este ano, que já é mais compatível com as previsões que vão sendo feitas nesta época, que é uma época de enorme incerteza.
De muita incerteza e só para termos uma ideia da dificuldade que é tentar estimar o que vão ser os próximos meses, o Expresso, da semana passada, pediu a 16 economistas que avançassem com as suas previsões de evolução do PIB este ano e quase todos apresentam intervalos largos. Alguns apresentam mesmo estimativas abertas, dizem, por exemplo, que vai cair mais de 10%, mas sem definir um teto. E se olharmos para os dois extremos deste painel de 16 economistas, as previsões vão de uma queda de 6% até aos 15%, ou seja, um valor e duas vezes e meia esse mesmo valor. São, de facto, momentos em que é muito difícil fazer previsões, mas ainda assim vale a pena fazê-las, porque elas são importantes para tentar ter um planeamento de tudo o resto, a começar pelas contas do Estado.
E o que começa a ser muito estranho neste momento, e nada habitual, é que a única entidade que ainda não apresentou contas, previsões, é precisamente o governo. Mário Centeno apresentou já o programa de estabilidade e crescimento, enviou para Bruxelas sem previsões económicas, sem projeções, o que é, de facto, inédito. E se isso até podia ser compreensível num primeiro momento, em que não se sabia quanto tempo e de que forma, por exemplo, iria decorrer o confinamento e as restrições na economia, agora já não se entende como pode o governo não ter ainda os seus números e torná-los públicos. A economia já vai regressando à normalidade possível. Já temos até três meses de impacto. Começamos a ter estatísticas do que aconteceu em março, abril e maio, ou seja, começa a haver dados concretos para afinar números e fazer contas. Este é agora um silêncio que já não se entende. O Ministério das Finanças tem essa obrigação de divulgar previsões.
Moeda de troca nas manhãs 360, sempre com o Paulo Ferrari. Esta semana também com a Carla Jorge Carvalho, aqui na Rádio Observador e também em podcast.
4.700 milhões. 43 milhões de euros.
Desculpa, mas são muitos números.