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E aí estão eles.
Venho avisar-vos que chegou aquela altura do ano.
Ui!
Aquela altura, às vezes não queremos, não nos apetece, mas temos o jantar de Natal da empresa, e é preciso ir. Às vezes custa.
O nosso já está marcado.
E estamos em cima de Natal, o nosso. Em Faro, o vereador do PSD, Cristóvão Norte, não quer pagar o jantar da Câmara, socialista, o jantar que a Câmara preparou, e tem uma ideia mais em conta.
Entendemos que se deve oferecer um cabaz de Natal como manifestação de reconhecimento, um agrado aos colaboradores da Câmara Municipal. Isto é muito simples. Comigo ninguém conta para despautérios de gastos públicos.
É, pronto, cabaz de Natal, isto deixa sempre lá o jantar.
Pensei que era para todos.
O cabaz...
Para os habitantes.
Diz? Não. Cristóvão Norte está preocupado com os despautérios de gastos públicos. Será que o vereador está com pouco espírito natalício?
E, portanto, sim. Se a pergunta é se eu votei contra €250 mil para um jantar de Natal e para um voucher a cada pessoa, sim, votei e continuarei a votar.
Pronto, €250 mil. Se calhar, já se entende. A proposta da Câmara de Faro, diz Cristóvão Norte, dava acima dos €130 por pessoa, mais voucher de 80.
É um jantar. É uma refeição "ó pipa".
"Ó pipa". Um bocadinho esticada. Aliás, se queremos poupar, o melhor é fazer em casa.
O que é que já compraste de sopa?
Ainda não tenho a sopa.
Nabo, curgete, cenoura.
Catarina Martins poupou, foi ao mercado comprar sopa, que é como quem diz, foi comprar os ingredientes para a sopa, legumes. E além disso, o que se faz no mercado? Têm ideias do que se faz?
Tenta-se convencer as pessoas a votar em nós.
No mercado. Catarina Martins nesta altura faz campanha eleitoral?
Não. Fala-se da vida.
Porque nos supermercados está tudo pela hora da morte. Aqui sempre é muito mais em conta, é muito mais fresquinho.
Não há poder de compra.
Não há poder de compra, está tudo muito complicado. E o preço que cobram às pessoas nos hipermercados, está uma loucura os preços.
Está uma loucura.
Uma loucura.
Até parece que se cobra entrada para entrar nos supermercados.
Sim. Reservado o direito de admissão.
O candidato presidencial Jorge Pinto também não alinha em despesas com alimentação. Aliás, há coisas que ele nem sabe o que são.
Cozinhar. Eu acho que nunca na minha vida pedi takeaway, portanto, certamente cozinhar. Gosto muito de cozinhar.
Gosta muito de cozinhar, nunca na vida takeaway.
Este é caso único, vamos ficar com esta referência, que um dia vai ser: preciso fazer aquela reportagem de "a pessoa que nunca pediu takeaway".
Estreou. É como Joana Mortágua, gosta de cozinhar, até partilha vídeos no TikTok, e tem outra característica.
Como todos os portugueses, eu também sou azeiteira, mas o preço do azeite tem vindo a subir cada vez mais. Esta garrafa custou-me €7.
Ora aqui está.
Agora já está a descer.
Ia pôr o dedo na ferida.
Pois é, mas é €7 uma garrafa de azeite.
Tem que pôr o azeite nas feridas, de facto.
Ai, sim?
Pois, há sim.
Nas antiguidades do antigamente.
A Maria João depois explica.
É, depois explica quando há feridas assim. Ora, jantar de €130, mais um cabaz de Natal, é fazer as contas.
E assim um prazer, como agarrar uma fatia de pão e comê-la com azeite e um bocadinho de sal e um bocadinho de vinagre, acaba por se transformar num luxo.
Tão bom, não é?
Isso é muito bom.
E bom pão não é fácil de encontrar.
Também não, é tudo muito difícil. E conseguimos falar de comida sem falar de Isaltino.
Impossível.