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Está no ar o Momentos de Glória, com os melhores momentos, entre aspas, dos nossos políticos, figuras públicas, comentadores.

Políticos, figuras públicas, comentadores que podem ser só um. Francisco Rodrigues dos Santos, antigo líder do CDS, é agora, há já algum tempo, comentador da CNN, faz parte de um painel que tem entrevistado os candidatos presidenciais e tem dado aulas aos portugueses, aulas muito ecléticas que vão da Física à Astronomia, da Matemática à História da Arte. Mas na entrevista que fizeram a Jorge Pinto, o candidato apoiado pelo LIVRE, Francisco Rodrigues dos Santos deu a conhecer aos portugueses aquilo de que alguns já desconfiavam, que ele, afinal, é de esquerda, de uma certa esquerda.

Não teme, e pegando no tema da agenda que propõe para a sua magistratura presidencial, que a sua candidatura apresentada ontem seja uma espécie de objeto político não identificado? Eu explico-lhe porquê. O Jorge Pinto define-se como da esquerda verde, ecologista e feminista. Eu confesso-lhe que tenho uma enorme curiosidade para saber o que significam estes adjetivos para além de letra morta numa apresentação de candidatura. Até por uma razão simples, e permita-me esta fina ironia, a única esquerda verde à qual sou verdadeiramente apaixonado é a do Francisco Trincão.

Então, giro. Permita-me esta fina ironia, mas com tanta fragmentação à esquerda não me admirava que aparecesse ainda um candidato da esquerda trinquista, de Francisco Trincão, e outro da esquerda gonçalvista, de Pedro Gonçalves. Já no debate-entrevista com André Ventura, voltou a questão dos três Salazares.

O André compreende que ao dizer que o país precisa de três Salazares, não é a mesma coisa que estar a dizer que o país precisa de três Paulo Tarzãs? Não é exatamente a mesma coisa.

Um Paulo Tarzan. Eu tentei descobrir. Houve quem percebesse, eu não consegui chegar à identidade de Paulo Tarzan, mas assim de repente também diria que Portugal ficava mais bem servido com três Paulos Tarzãs. Mas depende também de quem entra na conta dos Salazares.

Até por uma razão muito simples, que eu gostava que o André compreendesse. A primeira dúvida quando eu ouvi isto, a principal, inicial, foi: quando o André refere três Salazares, já está a contar consigo ou não?

Isto pode não parecer, mas é matemática, matéria em que o professor Chicão dá nota negativa ao Chega.

Depois, a dúvida adensou-se e tornou-se mais séria, que foi: o que é que o André Ventura está a multiplicar por três? André, permita-me dizer que ultimamente a matemática do Chega, nomeadamente a multiplicação por três, não tem andado a correr muito bem.

Não tem. Além disso, Francisco Rodrigues dos Santos explica-nos o funcionamento dos corpos celestes.

É ataque persecutório. Isso não é bonito.

André, acho que não tem perfil para se deputar e deve rever os ensinamentos de Copérnico e Galileu, porque a Terra gira à volta do Sol, não gira à volta de si.

Coisas que aprendemos nestas entrevistas ou que recordamos, no caso de quem já se esqueceu dos ensinamentos de Copérnico e Galileu, mas André Ventura até se justificou.

Bom, mas hoje foi ele que me convidou.

Mas não é uma coisa à dómina nem à dirigista, André, não faça isso.

A Terra gira à volta do Sol, sim, mas na impossibilidade de ter o Sol a ser entrevistado na CNN, não cabia no estúdio, André Ventura assume humildemente o lugar do Sol. Temos de reconhecer a autoridade de Francisco Rodrigues dos Santos nestas matérias, afinal foi ele o responsável pelo eclipse total do CDS no Parlamento. O que nos remete para outra questão da Física.

E estas definições de pesos e contrapesos remetem-nos para as teorias clássicas da Física. E para os nossos telespectadores nos entenderem bem, vou usar o exemplo do sobe e desce dos recreios infantis. Para haver um equilíbrio de forças que permita os pesos e os contrapesos no mesmo plano horizontal, é necessário que o peso à esquerda e o peso à direita sejam equivalentes. Caso contrário, há um dos lados, nesse caso o esquerdo, o seu, se não tiver tanto peso, fica permanentemente pendurado no ar e depois não pisa a realidade e pode cair e cá em baixo pode acontecer um desastre.

O Ventura chegou a falar nesta entrevista?

Agora foi ao Jorge Pinto. Esta foi para o Jorge Pinto. E está tudo muito bem explicado, porque até foi mais ou menos isto que aconteceu ao CDS com Francisco Rodrigues dos Santos. Estava o CDS no parque infantil, no sobe e desce, quando a esquerda se mandou em peso para o outro lado, o que fez com que o CDS fosse catapultado para o espaço. Aliás, como Copérnico e Galileu já tinham previsto, ou terá sido Nostradamus. Mas ele, Francisco Rodrigues dos Santos, ainda tinha mais qualquer coisa a dizer sobre o espaço.

E sobretudo, esta é mesmo uma nota importante, que há muitos portugueses hoje que ainda não sabem, afinal, para que serve a sua candidatura. Alguns responderão com algum sarcasmo e dirão que servirá para a NASA demonstrar que há vida no LIVRE para além do Rui Tavares.

Com sarcasmo, com ironia. E finalmente temos um bocadinho de História da Arte.

E eu achei esta ideia de uma criatividade tão grande que me fez lembrar o Salvador Dalí. Só que, ao contrário do Salvador Dalí, parece que o Jorge Pinto acredita no surrealismo.

Eu gostava de perceber como é que ele se prepara para esta entrevista.

Isto é impressionante, porque fomos de Francisco Trincão a Copérnico e Galileu, passando por Salazar, Salvador Dalí, a NASA e Paulo Tarzan. Seja lá quem for.