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Olá, seja bem-vindo ao quarto episódio do "Motor dos Sonhos", o podcast patrocinado pelo Google, que nos mostra o presente e o futuro de quem ousou apostar sem medo de arriscar. Era uma vez histórias que nos permitem sonhar. Hoje vamos conhecer melhor Luís Lopes. É o mais novo elemento da equipa da família por detrás da Loja do Sal. Uma família bem portuguesa, com origem em tempos remotos, que dá continuidade ao negócio do avô, trazendo-o para o futuro do século XXI. Mãe, pai e dois irmãos são hoje a cara da Loja do Sal, em Rio Maior. O Luís vai contar-nos tudo sobre este orgulho, que é muito mais do que um negócio, hoje é uma imagem de marca da terra e, claro, da família Lopes. Olá, Luís, obrigada por ter aceitado o convite para estar conosco neste nosso Motor dos Sonhos.

Olá, bom dia.

Bom dia. Luís, antes de mais, e porque falamos de sentidos quando ouvimos rádio, hoje começamos pelo paladar. A que sabe o sal da Loja do Sal? Tem um sabor especial?

Tem um sabor de amor, de carinho e de muita paixão, porque é realmente um projeto que nos apaixonamos e pelo qual temos imenso orgulho, porque é a recuperação de um negócio, de uma série de padrões e de raízes que estão ligadas à minha família, seja materna, seja paterna. É um espaço que está aberto desde 1865, desde o tempo dos meus bisavós, que está aberto há quatro gerações, há mais de 150 anos.

Bem, isto é incrível. Falou aí de raízes, eu acredito que tenha passado grande parte da sua infância nas salinas de Rio Maior. Que memórias é que guarda dessa altura?

Recordamos muitas memórias de pessoas que estiveram muito ligadas à história das salinas, porque aqui nasci, junto às salinas, aqui fui criado e aqui vivo e trabalho, sempre com esta vista fantástica para o sal, para este local que é único, que é as salinas. E, de algum modo, com todo este contato com esta sazonalidade e com este ambiente que é único, porque as salinas de Rio Maior são classificadas imóvel de interesse público.

Isso é um privilégio, não é? Estar aí tão perto e viver essa realidade. E quando pensamos em salinas, muitas vezes também associamos a paisagens pintadas de branco, nem sempre é assim, mas grande parte. Qual é a história mais remota que nos pode contar desse espetáculo? Eu sei que temos várias perto de nós, ainda não tive a oportunidade de estar perto de nenhuma. É mesmo parecido com neve?

É mesmo parecido com neve. São umas salinas completamente diferentes de todas em Portugal e no mundo. São umas salinas de interior, e portanto, fica em pleno Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, no distrito de Santarém, no Conselho de Rio Maior. É uma salina de onde nasce a água, que é 10 vezes mais salgada que a água do mar, mas é uma nascente de água no interior, não é a partir da água do mar que é as salinas comuns. E, portanto, vimos aqui aos pés da Serra dos Candeeiros, vimos aqui em pleno verão um manto branco, que não é de neve.

Bem, deve ser um cenário maravilhoso de assistir. Isso é um postal.

É um postal e é realmente um local único para ser visitável, cheio de histórias, porque o tempo por aqui não passou. Ou seja, a arquitetura das salinas é uma arquitetura romana. As casas construídas, que antigamente eram armazéns de sal, hoje estão destinadas a pequenos comércios, são casas totalmente em madeira, com fechaduras em madeira, com os pilares que são madeiras de oliveira que as suporta.

E é isso que torna também tudo muito especial, claro, e essa mística.

E depois muito especial também porque foi aqui que fomos criados e, portanto, conhecemos aqui pessoas que trabalharam aqui uma vida, que tiraram água com um balde e com uma picota durante muitos anos, que são pessoas com pouca escolaridade, mas com um conhecimento muito grande, que inovaram em técnicas, que implementaram técnicas.

E que foram transmitindo, de geração para geração.

E que foram transmitindo de geração para geração e que hoje ainda perduram no tempo, e que na altura eram técnicas muito avançadas para a época. E são essas pessoas, esses testemunhos que guardamos.

E que vos enriquece. Luís Lopes, mas vamos lá aos primórdios. Há pouco falava dos bisavós, que foi com eles que tudo começou.

Sim, exatamente. Nas salinas de Rio Maior, era uma aldeia em que não praticamente vivia ninguém. E portanto foi o meu bisavô que vinha, na época da campanha do sal, abrir uma pequena taberna de apoio aos salineiros. E vendia-lhes o vinho, vendia-lhes as ciganas, que era a bebida que se usava aqui, que era vinho traçado com gasosa. E era essa a bebida que o meu bisavô vendia. E na altura ele nunca recebia em dinheiro. Ele recebia sempre em sal. Ele tinha na régua.

Vem daí depois o salário, era troca em sal, sal, salário.

Exatamente. Da importância que era o sal, que era considerado ouro branco. E na altura, o meu bisavô nunca recebia em dinheiro, ou seja, ele tinha nas réguas, na parede de madeira da loja, tinha os códigos dele, que registava aquilo que o salineiro ia bebendo e no fim da semana ou no fim de régua estar cheia, trazia em sal.

Que giro.

Foi dos primeiros habitantes, porque depois começou a construir a sua casa de habitação junto à taberna, que ainda hoje existe, que é a Adega do Tio Artur, e que onde nasceu a taberna, hoje é a Loja do Sal. É um espaço que está aberto há mais de 50 anos.

Essa era a minha próxima pergunta: enquanto marca, quando é que se dá o início da Loja do Sal?

Enquanto marca, foi em 2009, mas é uma marca que é consensual, ou seja, nós quando fizemos o registo da marca, já toda a gente conhecia a Loja do Sal, porque era um espaço que sempre vendeu sal, que a bisavó ia vender sal de carroça para os concelhos daqui da região, seja de Santarém, seja da região de Leiria ou dos concelhos das Caldas da Rainha. Os meus avós também de carroça, mas também venda de muito sal a granel, em que cada cliente acabava por trazer o sal, acabava por levar o sal para o ano inteiro, ou seja, não se vendia um quilo ou dois de sal, vendiam sacos de 60, 70 quilos de sal, que eram importantíssimos para a conservação dos alimentos, porque na altura não havia os frigoríficos que temos hoje, e as arcas, e portanto a forma de conservação do peixe e da carne era feita a partir da salga, e o sal era adquirido pro ano inteiro. Estamos a falar de famílias que compravam 100, 200 quilos de sal pro ano inteiro.

E desde a criação da vossa empresa, quais foram aqueles que considera terem sido os passos mais significativos que deram e que marcaram, de facto, o vosso crescimento?

Houve passos que foram muito importantes. A criação da marca foi um passo importante ligado ao marketing, à divulgação, à promoção, aos eventos, às feiras internacionais que fomos fazendo. E isso foi, de algum modo, ultrapassar uma barreira, não só da casa ser conhecida como espaço de venda, mas pra marca ser conhecida em termos nacionais e também internacionais. Todo o estudo que fizemos e toda a visitação que fizemos a empresas do setor, a espaços ligados ao sal, para ter um know-how muitíssimo grande sobre o sal. E alguns padrões de qualidade que implementamos na questão do armazenamento, na questão da decantação da água, na questão da produção do sal. E, portanto, esses padrões de qualidade que tivemos aliado, obviamente, ao amor, ao carinho, à paixão que temos pelo sal e pelo negócio.

E isso sente-se na sua voz e na forma como fala.

E aliado também ao marketing, à publicidade e à divulgação e, acima de tudo, à qualidade do produto, faz com que sejam essencialmente três eixos fundamentais.

Claro. O Luís é o estratega da empresa. A presença do digital tem tido um impacto grande também no vosso negócio?

Claro, tem sido, porque temos passado por tempos extremamente difíceis. O fecho de clientes, de restauração, de hotelaria, de lojas de especialidade e o abrandamento das vendas, obviamente, fez com que a parte digital tornasse, durante algumas semanas, meses, a única fonte de venda e de promoção do nosso negócio. E quando começamos a nos aperceber dos comentários, das encomendas que surgiam através das redes sociais, do Google My Business, da loja, das visitas ao site, os contactos e as interações que fomos tendo através destes meios digitais, obviamente que foram importantíssimos, e fundamentais para esta altura que passamos, que foi um autêntico desafio pra qualquer empresário, pra qualquer empresa, pra qualquer pessoa.

Sem dúvida. Luís, e aí o papel das ferramentas Google foi também fundamental, não é, pra vossa consolidação e o posicionamento no mercado?

Sim, a ferramenta do Google My Business foi fundamental pra nós, muito significativa mesmo, naquilo que nós pretendíamos, que era atingir, através de forma digital, chegar ao cliente, e isso foi fundamental pra nós.

Então, e pra onde caminha a Loja do Sal? Onde é que querem chegar? Quais são os próximos passos?

A Loja do Sal tem dois papéis distintos. Tem um, claramente, que é uma experiência de sal. Ou seja, nós queremos que o cliente, quando vem às Salinas de Rio Maior, nunca mais olhe pro sal da forma como pensava ou como olhava. O conjunto diversificado de produtos que queremos ter na nossa loja, mas acima de tudo, a experiência que queremos transmitir ao cliente, é algo que queremos implementar muito. Ou seja, desde a experiência que a pessoa pode ter da recolha do sal, desde a experiência que a pessoa pode ter do contacto com os nossos salineiros, as pessoas que trabalham conosco, e principalmente com meu pai, que está todos os dias na salina. Aos inúmeros produtos que temos de sal, ou que o sal é um dos elementos principais, desde o sal que é de excelência pra fins culinários, ou a flor de sal, ou os preparados com ervas aromáticas ou especiarias, mas desde as bolas de Berlim de caramelo salgado, desde os salatins.

Pronto, já estou a salivar. Vai mesmo continuando.

De caramelo, também de sal, ao chocolate negro, que é feito em parceria com dois chocolatiers, que é chocolate negro com flor de sal, desde a linha de cosmética, dos sais de banho ou do sal terapêutico.

São muitas áreas, não é, a explorar.

Sim, é a área do ramo alimentar, com o sal e com os seus derivados, é a área do bem-estar e da saúde.

E da cosmética também.

E da cosmética, mas depois também a área da escultura e da decoração do sal, que o sal pode ser utilizado também como peça decorativa Aquilo que nós queremos é uma experiência quando a pessoa visita a nossa loja, que além de ser um espaço que está aberto há mais de 150 anos e de algum modo é um museu, um centro interpretativo das salinas, possa ser uma experiência que a pessoa leve e uma experiência que pode ter em contacto com os meus pais, com a produção dos queijos de sal, que é um produto típico. É isso que queremos transmitir neste ambiente que é as Salinas do Maior. Esse é um passo para onde queremos caminhar e que trabalhamos diariamente.

Eu já me sinto a experienciar tudo isso só de o estar a ouvir. Luís, em tantos anos de sal, tem alguma história que se lembre que possa partilhar connosco, com um cliente ou até mesmo com a família? Um episódio mais caricato.

Há imensas histórias e quando há alguém novo a pegar no negócio familiar, há sempre um lado mais conservador da família que fica sempre pé atrás e torna o projeto ainda mais desafiante. Mas as histórias mais engraçadas são, obviamente, os contactos que eu tinha quando o meu avô vendia pirulitos de vinho ou vendia ciganas na taberna e eu é que iria levar essa bebida aos salineiros. Obviamente que havia imensas brincadeiras de eu ter que levar as bebidas, que às vezes não havia bebida, ou às vezes era só água, ou tinha que entrar nas malandrices dos salineiros. Isso são experiências que coleciono.

Que ficam para sempre. Claro.

É um contacto com pessoas genuínas, puras, que por vezes até nos dias de hoje não encontramos.

E que faz de si a pessoa que é hoje. E se pudesse ir até ao futuro e visitar o Luís Lopes de 2040, que conselho lhe deixaria?

É difícil. Gostava que visitassem um espaço que mostre aquilo que é a minha família, que é obviamente uma família trabalhadora, dedicada ao trabalho, que faz o melhor pela sua terra, pela promoção e que tenta satisfazer o cliente da melhor forma possível e que o cliente possa ter a melhor experiência possível.

Luís Lopes, da Loja do Sal, o nosso convidado neste quarto episódio do "Motor dos Sonhos", o podcast patrocinado pelo Google, que nos mostra o presente e o futuro de quem ousou apostar sem medo de arriscar. Luís, muito obrigada por ter aceitado o nosso convite. Foi um gosto ouvi-lo falar com tanta paixão do seu negócio. Obrigada.

Obrigado e o prazer é todo nosso. E fica obviamente o convite a todos para virem até às Salinas de Rio Maior, em particular até à Loja do Sal. É uma honra poder recebê-los.

Muito obrigada. Eu sou a Maria João Simões, obrigada por ter estado conosco. Ainda temos mais um episódio do "Motor dos Sonhos" pela frente, mais uma história que nos permite a todos sonhar. Beijinhos e abraços. Até breve.