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É hora de mais um "Não se Fala de Outra Coisa", onde destacamos histórias que têm suscitado alguma curiosidade nas redes sociais, que têm dado que falar. Vai começar a dar que falar, provavelmente. Eu já ontem vi nas redes sociais a hashtag #NãoFechemOsOlhos, e ela anda por aí. Isto tem a ver com uma iniciativa da revista Visão, ou melhor, dos jornalistas da revista Visão, aqueles que ainda resistem a um título que está em crise. Ainda não vi o vídeo. De facto, é forte, é muito interessante. Eles estão desde o início do verão a tentar salvar o título da revista Visão, depois de uma decisão do tribunal que determinou a insolvência da dona da revista, a Trust News, e com isso ditou praticamente o encerramento da revista. Mas, de facto, ela nunca deixou de sair das bancas. Há 12 jornalistas, mesmo com salários em atraso, que continuam a manter aquilo a funcionar a partir de casa, porque já não há sequer uma redação física.
Onde possam trabalhar.
Onde possam trabalhar em conjunto. Há salários em atraso, é uma situação complicada. Ainda assim, há esta resiliência. E ontem, há uma edição especial que foi para as bancas com o mote "As coisas a que não podemos fechar os olhos em 2026", acompanhada deste pedido de crowdfunding, com uma série de nomes que se associam. O que está aqui em causa? Estes jornalistas querem ter uma proposta sólida para quando o título for a leilão, o que poderá acontecer nas próximas semanas. Eles querem comprar o título e querem ser aquele caso de uma revista feita por jornalistas, proprietária de jornalistas, com independência financeira, com modelo sustentável de negócio. Para isso, eles querem 200 mil euros. A página de angariação dos fundos foi criada na plataforma GoFundMe e olhando para ela neste momento e perante o objetivo, isto foi lançado ontem, quinta-feira. Agora, antes das 08h de sexta-feira, dos 200 mil euros foram arrecadados 39.119 euros, significa 20% do objetivo desses jornalistas.
Nem num dia.
Nem num dia. Acredito que vai ser interessante acompanhar isto. Quem está em redes sociais vai provavelmente apanhar com esta hashtag.
Perceber depois de angariados os valores.
Perceber o valor. É para acompanharmos e perceber como é que vai evoluir esta iniciativa destes 12 jornalistas.
E se há um caminho.
E se há um caminho, claro, exatamente.
Que é de um modelo de empresa, quase cooperativo, deveria ser gerido por jornalistas, que é depois a viabilização.
Quando começou o jornal era uma cooperativa de jornalistas, foi evoluindo, passou por vários donos, agora com este desfecho, para já muito complicado. A ver vamos. Isso é uma experiência interessante para perceber se é um modelo de negócio sustentável.
Se há modelo de negócio. Se as revistas news magazine ainda têm espaço.
É isso, em papel.
Exato. Outros sinais destes tempos, estes muito mais conjunturais, têm a ver com o impacto daquilo que é o inverno, ia dizer de mau tempo, mas chuva, vento, frio e neve nalguns locais, digamos que é normal no inverno. E em Portugal, um pouco a reboque disto, nunca se tinha consumido tanta energia como aconteceu nesta terça-feira às 19h045. Foi o pico de consumo de energia instantânea.
Terça-feira?
Terça-feira às 19h45. São dados da REN, que tem os dados ao minuto ou ao segundo, obviamente, aquilo que se está a consumir de energia em cada momento no país.
Eu tinha pelo menos a televisão, o aquecedor.
Estávamos a contribuir, certamente.
O aquecedor. De dia, a praia. Não, Carlos. O teu ar de desprezo.
Mas a Rita aguentou.
Eu estava no chá a essa hora.
A Rita aguentou. Numa altura em que grande parte do país estava sob aviso amarelo devido ao frio, agora já não está. O consumo de aquecimento, obviamente, não será aqui estranho a esta hora.
No frio que fez.
Que é uma hora, reparem, 19h45, em que há muitos espaços de trabalho ainda a funcionar, de alguma maneira, esses escritórios que ainda não estão completamente vazios, ou pelo menos no shutdown normal da noite.
E há muita gente já em casa a preparar o jantar, o lanche do malandro.
Exatamente. Portanto, há muitos espaços aquecidos. O recorde anterior a este tinha sido registado no dia 12 de janeiro também, lá está, uma próxima idade de datas de janeiro, em meados de janeiro, 2021, portanto, há cinco anos. E também às 19h30, o que significa que há aqui um padrão, de alguma maneira, pode haver aqui um padrão sobre os meses e as horas em que se consome mais energia. De resto, agora olhando para o ano passado todo, foi aquele que consumiu mais energia em Portugal, mais 3,2%, e também foi aquele em que o consumo em quantidade de energia renovável atingiu um máximo histórico. A energia renovável correspondeu no ano passado todo a 68% do consumo português, o que é fantástico, dois terços da energia consumida já é renovável. No ano anterior, tinham sido 70%, isto é, o consumo em gigawatts tinha sido menor, mas a fatia ligeiramente superior quando olhamos para o mix de fontes de energia. Portanto, são boas novidades. Só uma nota, porque há assimetrias regionais nesta questão. Consumo de energia em máximos em Portugal, com o mau tempo, se quisermos, e o frio, mas enquanto isso, em Berlim, quase 100 mil pessoas tinham ficado sem energia durante vários dias. Isto por causa de um ataque a uma parte da rede elétrica da cidade por um daqueles grupos ativistas que protestam contra a utilização de combustíveis. Isto levou, de facto, 45 mil casas, mais duas mil empresas a ficarem quase quatro dias sem energia, numa altura em que as temperaturas eram negativas em 10 graus negativos. Além disso, também houve uma rutura no funcionamento de comboios de superfície e ligações de telemóvel afetadas e acredita-se que este tenha sido o apagão mais longo da história de Berlim no pós-guerra, portanto, desde 45.
Desde 45.
Aqui não foi uma causa de avaria também, houve uma intervenção humana perversa, mas de qualquer maneira, cá temos a energia a contar muito no Inverno.
Eu que hoje estou muito baralhada com o ano em que estamos. Estou-me a esquecer que já estamos em 2026.
Sobretudo quando se diz o ano passado. O ano passado ainda é 2024.
Isso já me baralhou muito aqui nos noticiários. O apagão foi em 2025?
25, foi em abril.
28.
28 de abril, mas foi no ano passado.
Ainda não fez um ano.
Deixem-me só sugerir aqui uma história, porque também falámos já muito deste assunto aqui, agora desapareceu um pouco das notícias, a morte do professor português Nuno Loureiro, assassinado por outro português, Cláudio Valente. Está no New York Times um artigo longo sobre o trajeto do alegado assassino, Cláudio Valente, e é um artigo bastante completo.
Já andava há meses.
Exatamente. E há aqui muitos testemunhos de pessoas que conviveram com ele e que isto ajuda a perceber um pouco melhor o que aconteceu a esta pessoa para depois ter cometido aqueles atos, além de matar Nuno Loureiro, matou mais dois alunos e feriu ainda mais. É uma sugestão de leitura interessante.
No fim de semana.