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Não se fala de outra coisa e é mais uma história que promete gerar polêmica. Depois dos perfumes, de relógios, de criptomoedas, o governo americano está a planear lançar uma moeda comemorativa com o rosto de Donald Trump.

Eu já vi.

Já viste? O Departamento do Tesouro divulgou os primeiros rascunhos de uma nova moeda de $1, criada pra assinalar os 250 anos da independência dos Estados Unidos, que se celebram no próximo ano. De um lado, o perfil de Trump com as palavras "liberdade", "em Deus confiamos" e as datas 1776 e 2026. Do outro lado, uma imagem ainda mais simbólica: Trump com o punho fechado à frente da bandeira americana, acompanhado da frase: "Fight! Fight! Fight!" Uma referência à tentativa de assassinato na Pensilvânia o ano passado. Mas há aqui um problema: é contra a lei dos Estados Unidos exibir a imagem de um presidente em exercício ou de um ex-presidente vivo. Um presidente só pode ser retratado numa moeda no máximo dois anos depois da sua morte.

É prudente.

A mesma lei também diz: "Nenhum retrato de cabeça e ombros ou busto de qualquer pessoa viva ou morta, e nenhum retrato de uma pessoa viva pode ser incluído no verso de moedas". Mas há quem diga que se contornou a lei se o rosto de Trump estiver na frente da moeda e não no verso, talvez assim a regra não se aplique. Os especialistas em direito e história estão divididos. Alguns lembram que isso só aconteceu uma vez, há quase 100 anos, quando Calvin Coolidge, que era presidente em exercício, apareceu numa moeda de 1926 pro aniversário dos 150 anos da independência dos Estados Unidos. Isto gerou muitas críticas na altura e levou o Tesouro e a Casa da Moeda a adotar uma postura ainda mais rígida em relação ao tema. Desde então, todos os homenageados em moedas já tinham morrido no momento da emissão. Vamos ver no que isso dá, mas com Trump.

Eu diria que vai acontecer, claro.

Também creio que sim.

Sim.

Nem que seja a lei.

Nem que seja ele a fazer.

Claro.

Exato.

Claro. Olha, pra uma coisa completamente diferente e também geograficamente, vamos para a Austrália.

Vamos.

A pequena Vale.

Adorava ir à Austrália.

A pequena Vale também.

Esperamos o antípodes.

Não tenho coragem pra uma viagem tão longa.

É muito grande.

Eu gostava.

Muitas horas de avião.

Acho que é o único continente que não visitei.

Olha, também deves achar.

Tem bichos esquisitos. Aparecem em todo lado. É que parecem daqueles insetos criados e inventados pros filmes. Mas são verdadeiros.

Mas dizias, Paulo.

Este bicho não é esquisito.

Então.

É uma teckel, ou uma dachshund, em português, uma cadela salsicha.

Aha!

Agora já sabemos do que estamos a falar. Estavas aí a falar alemão e tal.

É uma salsicha pequena.

É preta?

Não.

Das outras, sim.

Pelas fotografias que eu vi, pelo pelo curto, preta. Chama-se Valerie e já tem o cognome da salsicha mais corajosa da Austrália, que se tornou um fenômeno nacional depois ter sobrevivido mais de 500 dias sozinha na natureza selvagem da Ilha Kangaroo, no sul da Austrália. Isto começou em novembro.

Um ano e meio, não é?

Um ano e meio. Em novembro de 2023, os donos da Valerie, um casal, visitavam precisamente a Ilha de Kangaroo, quando a cadela escapou do local onde estavam. Desapareceu. O terreno ali é acidentado, é montanhoso, e durante dias o casal procurou o animal, mas acabou por regressar à casa sem sucesso. O tempo foi passando, as esperanças diminuíram, como é evidente. E apesar de alguns avistamentos não confirmados, há sempre aquelas mensagens de pessoas que parece que viram o animal. Parece que, dessa forma, Valerie tinha desaparecido para sempre. E foi apenas em fevereiro de 2025, portanto, aqui um ano e meio depois, que um raio de esperança surgiu: uma fotografia divulgada nas redes sociais mostrava aquilo que pareciam ser umas orelhas de cão salsicha no meio de um campo dourado. Bom, constituiu-se um grupo de resgate que decidiu investigar. Foram com drones, foram com câmeras, com sensores térmicos. Montou-se uma operação de busca que rapidamente ganhou a atenção do país. Tudo se passou também muito em direto nas redes sociais, com câmeras colocadas no terreno a transmitirem em direto, até que a própria cadela começou a rondar brinquedos antigos que foram deixados, guloseimas e até uma portinha de frango assado que era deixada ali para atrair.

Depois de tanto tempo na selva.

Exato, a fome aperta. E as imagens dela rondar estes objetos ou esta comida, começaram a rondar e a circular por toda a Austrália. E quando finalmente a equipe conseguiu apanhá-la, era preciso, no fundo, também montar uma armadilha para a apanhar intacta, como é evidente. O país inteiro suspirou de alívio. A operação de resgate transformara Valerie num símbolo de resistência, de união comunitária. A cadela estava surpreendentemente saudável, até tinha engordado durante o período em que viveu sozinha, o que continua a alimentar o mistério sobre a sua sobrevivência. Há quem diga que ela foi sendo alimentada por humanos. A equipe de resgate diz que não, porque ela não se aproximava muito de humanos, portanto, tinha receio. Este é um mistério que vai ser resolvido. Bom, de regresso à casa, Valerie encontrou os donos e conheceu a Dorothy, que é uma nova cadela salsicha do casal. Hoje é embaixadora oficial de uma marca australiana de mobiliário para animais, participa em eventos para angariar fundos para as associações da adoção de animais. Uma diva absoluta. Já fez aparições VIP, como qualquer participante em reality show, e tem uma equipe de relações públicas e até uma cerveja com marca própria.

Já deve ter aquelas roupinhas, cheia de glitter.

Tudo. É vê-la agora nas redes sociais. A história já foi contada em programas de reportagem, no programa Australian Story também, que mostrou os bastidores da busca e as dificuldades logísticas. E a popularidade de Valerie já levou à escrita de livros que contam a sua jornada inesquecível e o percurso da cadela que sobreviveu contra todas as probabilidades. E assim é uma salsicha transformada em estrela.