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Não se fala de outra coisa de Nicolás Maduro, durante anos um dos homens mais poderosos da América do Sul, rodeado de segurança, influência, controle absoluto, agora há mais de 80 dias numa cela com várias rotinas que lhe são impostas. Não tem outra opção. Ele está detido numa prisão em Brooklyn enquanto aguarda pela próxima audiência em tribunal. O filho revelou alguns pormenores do que tem sido a vida do pai nesta prisão de Nova York, muito criticada pelas condições que oferece, descritas como perigosas e desumanas. Alguns advogados e detidos chegaram mesmo a chamá-la de inferno na Terra.
É a prisão de Rikers?
Metropolitan Detention Center.
Então é outra.
Não é outra. É também aqui que estão, por exemplo, Puff Daddy, o Sean Diddy Combs.
Está bem acompanhado.
E a Ghislaine Maxwell, a cúmplice de Jeffrey Epstein. Eles e mais de cerca de 1300 detidos. Não é claro as horas por dia que Maduro passa na solitária, mas presume-se que muitas, até para o proteger de outros presos, dizem responsáveis do centro de detenção. Mas mesmo que não esteja em confinamento, Maduro não pode ver a mulher, Cilia Flores. Nesta prisão, homens e mulheres ficam em celas separadas, mesmo que sejam casados.
Eu pensei que era no sentido de que já nem a pode ver.
Não. Além disso, em casos federais como estes, os réus estão quase sempre proibidos de comunicar entre si. E o filho de Maduro fala nisso mesmo, do quão difícil está a ser para o pai estar separado da mulher, diz ele. Não há contatos livres, não há proximidade, apenas visitas limitadas e altamente controladas. Além disso, Nicolás Maduro Guerra, o filho, atribui a aparente perda de peso do pai à falta dos seus exercícios físicos habituais. Se é que tem algum tipo de atividade, é muito limitada, não só na área, mas também na duração, durante muito pouco tempo. A outra explicação possível pode ser a qualidade da comida. Há anos que advogados alegam que os detidos recebem alimentos fora de prazo, mal cozinhados ou contaminados, incluindo carne estragada, com vermes.
Será?
É assim.
Dizem que é o futuro da alimentação.
Os vermes, não é?
Insetos.
Agora é juntarmos tudo isto e imaginar um homem que comandava um país inteiro, ver-se reduzido a uma cela com rotinas controladas ao minuto. Isto enquanto enfrenta as acusações graves nos Estados Unidos, incluindo ligações ao narcotráfico.
Já agora, também podemos pensar nos milhares a quem ele deu os mesmos tratamentos por questões políticas.
Para estar a provar o próprio veneno.
Cá se fazem, cá se pagam. Eu vi umas imagens daquelas ilustrações que fazem, aqueles desenhos que fazem de tribunal. Estava muito parecido naquelas ilustrações com Saddam Hussein.
Pois, e têm semelhanças.
Se calhar ainda está mais parecido. Também não temos visto imagens, fotografias, ultimamente, de Nicolás Maduro.
E há uma discussão que é sagrada duas vezes por ano, ali em março e em outubro: devemos ou não acabar com a mudança de hora?
É um tema fraturante.
É um tema fraturante.
É um tema fraturante, mas para o qual não há resposta.
Mas o organismo sofre com isso.
Há discussão, mas depois, nesta altura, nunca...
Mantém-se igual.
Exatamente. A hora muda, já sabemos, de sábado pra domingo e por isso tenho más notícias. Quem se deita sempre à mesma hora e acorda à mesma hora, vai dormir menos uma.
Quando forem duas, passa a uma.
Exatamente.
Não, quando for uma, passa a duas.
Não confundas, que isto é complicado. Quando for uma da manhã, os relógios adiantam pra as duas.
Pois, dormimos menos uma.
Isto é muito complicado.
Avançamos uma hora, dormimos menos uma hora.
A boa notícia é que o jogo de Portugal contra o México, nessa madrugada, vai acontecer uma hora mais cedo, porque o jogo está marcado pras duas da manhã, já na nova hora, porque começa uma horinha mais cedo, porque há aquela hora que não existe.
E o Diogo Varela, que vai fazer o relato, deve estar aqui a que horas?
Ele não está muito bem, é bom que esteja aqui pra meia-noite.
Ou vem às 11:00.
Ou às 03:00 da manhã. O seguro não.
Para não se enganar.
Era um jogo que tivesse só meia hora.
Exato, são tantos.
Eles começam à 01:00, não é? Mas assim que dá o pontapé de saída, já são duas.
Já é intervalo.
60 minutos de jogo, já estão na segunda parte.
Começa a segunda parte.
Ora bem, e todos os anos, por esta altura, temos a mesma discussão: faz sentido continuarmos com isto? Ora, a decisão a ser tomada tem que acontecer a nível europeu, até porque este regime está definido numa diretiva comunitária e de seis em seis meses lá vem notícia de que o assunto está a ser estudado. E sabem, pelo menos, desde quando é que há esta discussão, estas notícias?
1920.
Mais ou menos. 2018, que foi o ano em que a Comissão Europeia propôs o fim deste acerto sazonal, mas desde essa altura também que o processo tem estado bloqueado por falta de acordo entre os Estados membros. Em 2019, o Parlamento Europeu votou a favor do fim da mudança horária e que devia acontecer até ao ano de 2021. Mas isso não aconteceu, como bem sabemos, não é verdade? Houve uma consulta pública na altura da Comissão Europeia, 84% dos 4,6 milhões de inquiridos manifestaram oposição à vontade de acabar com a mudança de hora. O certo é que duas vezes por ano voltamos a perguntar à Comissão Europeia como é que isto está. A Comissão Europeia continua a dizer que está em estudo. Este ano, a Comissão respondeu à Lusa que ainda é possível alcançar um consenso pra acabar com a mudança de hora, adiantando que vai apresentar um estudo nesse sentido ainda este ano. Ora, para o processo avançar, é preciso que o Conselho da União Europeia volte a pôr o assunto em cima da mesa e que tente chegar a esse consenso. É uma tarefa que este ano cabe a Chipre, que assume até junho a presidência rotativa do Conselho da União Europeia. Questionada sobre se tenciona alcançar um consenso sobre esta matéria até junho, uma porta-voz da presidência cipriota diz que atualmente está a preparar um estudo relacionado com esta proposta legislativa há muito pendente. É mais um estudo.
São muitos estudos.
Eu diria que em março vamos voltar a ter uma notícia mais ou menos semelhante a esta.
Eu acho que devia ser constituída uma comissão que, por sua vez, constituía um grupo de trabalho para analisar essa questão.
Porque não?
Há duas questões aqui. Uma questão é a questão da hora não mudar ao longo do ano. A outra questão é saber o hora que cada país adota, em que fuso horário nos colocamos. Nós já tivemos essa experiência no início dos anos 90.
Com o governo de Cavaco Silva.
Exatamente. Adotamos o padrão horário da Europa Central e estávamos quase com o mesmo fuso horário de Moscovo ou de Vladivostok, uma coisa qualquer aqui do outro lado.
Eu, por acaso, acho que essa era uma boa solução, adotarmos o fuso horário do Cazaquistão, por exemplo.
Do Cazaquistão. À meia-noite ainda temos sol.
Qualquer coisa.
E dava-nos jeito.
Então começa a anoitecer ao meio-dia.
Só para testarmos, eu acho que devíamos testar.
Para ver como é que reagimos.
Exatamente, como é que nos adaptávamos. Podia estar aí a grande reforma de que precisa a economia do país.
Na altura, já era um dos argumentos, foi esse, é que era melhor para os negócios nós termos o mesmo alinhamento horário com o centro da Europa, com a Alemanha, com a França, como por aí fora. Parece que não resultou muito bem.
Exatamente.
Não enriquecemos.
Eu não sei se vocês se ressentem com a mudança da hora. Eu fico um pouquinho com jet lag, confesso.
Um mini jet lag.
Fico com um mau feitio. Mas já tenho, normalmente.
Posso confessar-vos uma coisa? Eu não noto.
Não?
Não noto.
Eu confesso que fico ali um bocadinho ressentido, eu sinto um bocadinho.
Ficas magoado.
Eu nos primeiros dias, depois da mudança da hora, ando um bocadinho à toa.
Eu ando sempre à toa.
E os especialistas dizem isso mesmo. É pior nesta altura.
Encontram qualquer motivo externo para vocês justificarem o vosso mau feitio.
Portanto, na próxima semana vai ser a mudança da hora, já sabes, Paulo.
Preparem-se. Ainda bem que a próxima semana tem só quatro dias.
É curta.
E este ano não cai com a Páscoa, que às vezes quando cai com a Páscoa a mudança da hora também é uma chatice.
Sim, imagina a Páscoa com a família.
São duas coisas. Já é que marcamos o almoço.
Não, é complicado.
Às duas da tarde.
É que os coelhinhos põem ovos e tudo, é uma chatice.
E ovos de chocolate.
Já estão todos baralhados.
Ainda por cima.