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Dia sem novidades da Casa Branca, não é dia? Depois do Lago Ontário passar a Lago América, de querer rebatizar o Estreito de Ormuz por Estreito Trump, a mais recente é de querer mudar o nome do estado do Novo México para Nova América. Donald Trump voltou às polémicas, desta vez por causa do uniforme da Space Force, a Força Espacial dos Estados Unidos. Não sei se viram as imagens.

Vi. Achei que era um filme. Achei mesmo que era o "Star Wars".

Exatamente. Ele partilhou na sua rede social, a Truth Social, uma imagem criada por inteligência artificial, ele é fã de inteligência artificial, a mostrar o que seria o novo uniforme desta força militar. Diz que foi inspirada na disciplina e funcionalidade do uniforme usado no filme "Starship Troopers", e que também recorda Darth Vader na saga "Guerra das Estrelas". Ele é muito ficção científica. Estou a imaginá-lo lá na Casa Branca. Fazes bem, Bruno.

É mais isso.

O autor dos efeitos sonoros.

A sonoplastia foi contigo. A imagem provocou uma reação imediata de repúdio por causa das semelhanças com os uniformes de nazis da Segunda Guerra Mundial. Para conseguirem visualizar a imagem que Trump publicou, mostra um uniforme num tom cinzento escuro, muito fechado, muito ajustado ao corpo, gola subida, fechada até o pescoço, botas pretas de cano alto por fora das calças cinzentas, cinto preto à cintura. Tudo remete para a Alemanha nazista dos anos 30 e 40, nomeadamente o das SS.

Sabe lá ele.

Olha, agora que tu disseste.

Viu filmes.

Exato. Claro que as críticas se têm somado e lançou o debate sobre as referências e a linguagem visual que Trump utiliza nas suas publicações, com a maioria a dizer que, neste caso, o visual escolhido não tem nada de futurista ou de espacial, e parece, sim, uma cópia directa da estética militar do regime de Hitler. Não está claro se a imagem publicada por Trump corresponde ao uniforme definitivo da Força Espacial ou se é apenas uma proposta do líder republicano. É esperar para ver o que é que o menino mimado, com dinheiro, com poder, com tempo.

E com brinquedos, como a inteligência artificial.

E com brinquedos, como a inteligência artificial, que é um mundo para ele.

Nestas mãos é um perigo. Ai, meu Deus. Bem, não necessariamente falar de histórias melhores. Sara Khalifa, 39 anos, apresentadora de televisão, uma das mais famosas no Egito, conhecida por apresentar um programa policial, o "Missão Impossível", exibido por um canal privado. Ela ganhou notoriedade nos últimos anos, de facto, ao tratar destes temas relacionados com o crime e com a segurança. Também desenvolveu uma vida de empresária, tinha negócios fora da televisão, incluindo uma clínica de cirurgia cosmética, uma empresa de organização de festas e eventos. Muito famosa no país, mais de dois milhões e meio de seguidores no Instagram. E mostrava, obviamente, no Instagram, uma vida com muitas viagens, restaurantes.

Enfim, luxo.

Claro, digna de uma estrela de televisão. Mas de acordo com as autoridades, esta era apenas uma face visível, porque ela também se dedicaria a pertencer a um grupo de preparação e tráfico de drogas. Foi presa no Cairo em abril de 2025, portanto há mais de um ano, após uma investigação, e este fim de semana foi condenada à morte pelo tribunal penal egípcio. Ela e o irmão, Mohamed Khalifa, e mais 12 pessoas que faziam parte alegadamente deste grupo.

Que fabricavam e testavam drogas.

Exato. No fundo, a acusação e agora a sentença, por criarem e liderarem um grupo criminoso especializado na obtenção e fabrico de substâncias para tráfico de droga. As investigações revelaram o papel líder e central dos dois irmãos. No fundo, eram eles os gestores desta organização criminosa. Eles trariam fora do país a matéria-prima química e depois transformaram um edifício residencial num laboratório secreto para depois, com essas matérias-primas, fabricarem e prepararem droga, que depois era comercializada. Os procuradores acusaram também, e terá ficado provado, que Sara Khalifa financiou a parte da operação. As viagens que ela fazia ao estrangeiro serviam também para coordenar a rede com membros da rede que estavam fora do país e, no fundo, atuava como ligação entre esses elementos fora e dentro do Egito. Na altura, os investigadores apreenderam também mais de 750 quilos de drogas sintéticas e de materiais, matérias-primas, produtos químicos, no fundo, se quisermos, que eram utilizados depois na produção. Isto foi, obviamente, apreendido e detectado nos imóveis que eram utilizados pelo grupo. O tribunal baseou a decisão no depoimento de 20 testemunhas, além de gravações de vídeos que documentam a coordenação direta entre os irmãos e o resto do grupo. E agora o advogado de Sara Khalifa, mas também dos outros condenados, já anunciou que vai recorrer da decisão judicial de pena de morte. Vamos ver. O sistema penal egípcio prevê, de facto, que o recurso para o tribunal superior pode reverter, pode atenuar, pode anular a sentença.

Eu estava aqui a ver, Paulo, o Egito é um dos países onde há o maior número de execuções.

De condenações e depois de execuções. Pena de morte. Exatamente. É o caso, também. A condenação é essa, à morte por enforcamento.

E que não é só para crimes de sangue, de facto, tráfico de droga. Como este.

Como se prova. Países dudos, digamos. E pronto, neste caso, atinge aqui uma figura pública do país. Vamos ver o que isto dá.