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É uma hora.

Boa noite, eu sou o Martim Madeira. Vamos ao jornal da uma da manhã. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera atualizou os avisos meteorológicos que tinha para esta quinta-feira e é já a partir da madrugada que Lisboa, Santarém, Portalegre, Castelo Branco e Guarda passam a estar sob aviso laranja de precipitação, tal como já acontecia em Setúbal, Évora e Beja. O aviso laranja foi também alargado a toda a costa portuguesa devido à agitação marítima. A Proteção Civil registou nesta quarta-feira mais de 1700 ocorrências. As regiões de Grande Lisboa, Setúbal e Oeste foram as mais afetadas. As principais ocorrências foram por inundações, quedas de árvores e movimentos de massa. Esta vai ser a pior noite em termos de chuva, é o alerta da Proteção Civil. Por isso mesmo, é elevado o risco de inundações e cheias. O comandante Mário Silvestre pede particular atenção aos condutores. As estradas vão estar especialmente perigosas. Em Alcácer do Sal, mais de 50 pessoas tiveram de ser retiradas de casa. O cenário é pior do que esperavam as autoridades. Uma descrição feita à Rádio Observador pela Câmara Municipal. António Grilo, vereador da Proteção Civil, diz que a madrugada será difícil porque aproxima-se uma nova maré cheia.

Nós devíamos estar agora a caminhar para a baixa-mar. Efetivamente, ela não está a acontecer. Aliás, o nível da água está a aumentar, ou seja, o caudal que está a baixar com a maré é inferior àquele que está a vir das barragens, portanto, o nível da água está a subir. Nós começámos a ter informação não favorável a partir das sete da manhã, equacionávamos um cenário muito desfavorável, mas não este cenário. Este cenário é efetivamente muito acima daquilo que seria expectável.

A maré alta deve acontecer pouco antes das cinco da manhã e neste momento o cenário já é de devastação. Uma enorme cheia coloca debaixo d'água a baixa da cidade e várias pessoas já tiveram de ser resgatadas pelas autoridades.

Preocupa-nos também não só o que está a acontecer aqui na cidade, mas em muitas aldeias que estão nomeadamente isoladas: Santa Catarina de Sittios, Casa Branca do Sado, São Romão do Sado, Rio Domingos do Sado, Areeiro, Vale de Guiso. Portanto, preocupa-nos bastante o que se está a passar nessas localidades.

Podem ficar isoladas, é isso?

Algumas delas já estão isoladas. Temos estado a fazer um acompanhamento telefónico. Neste momento, o cenário não é nada favorável, portanto, podemos ter aqui um aumento do caudal e, como podem ver, até as operações de socorro, há dificuldade em manobrar os meios aquáticos, porque efetivamente a corrente é muito forte neste momento.

António Grilo aponta ainda para o isolamento de algumas aldeias.

Eu não tenho neste momento esse número exato, mas seguramente perto de 50 pessoas.

Mais de 50 pessoas tiveram de ser retiradas de casa durante o dia de hoje. E estima que isso possa continuar a acontecer ao longo desta madrugada?

É possível, porque algumas pessoas optaram por ficar em casa, porque nas ruas traseiras onde as pessoas não expectavam que a água subisse, ela efetivamente subiu, já está com perto de dois metros e é possível que as pessoas se sintam inseguras e nos contactem para serem retiradas das suas habitações.

Neste ponto de situação feito à Rádio Observador, António Grilo reforça que nunca viu uma situação semelhante em Alcácer do Sal. Em Arruda dos Vinhos, no distrito de Lisboa, outras oito pessoas ficaram desalojadas por causa de um deslizamento de terras. Aconteceu na zona do Lapão, é o que confirma à Rádio Observador fonte da Proteção Civil. As pessoas já estão realojadas em casas de familiares e no albergue de Arruda dos Vinhos. Quatro mil milhões de euros é a estimativa do governo para os prejuízos causados pela tempestade Cristina, um montante preliminar revelado pelo ministro da Economia e da Coesão, Manuel Castro Almeida.

Uma estimativa preliminar, muito preliminar. Eu posso lhe dizer que tudo aponta que vai superar os quatro mil milhões de euros. Portanto, juntando o dinheiro do governo, daquilo que vai ser o gasto público, aos gastos privados e às companhias de seguros, nós vamos chegar a um valor superior a quatro mil milhões. Não levo em conta aquilo que nós podemos chamar de custos indiretos da tempestade na região centro. Portanto, isto para dizer que do ponto de vista da economia, vai ser um abalo muito relevante.

O ministro adianta os números de empresas que já recorreram ao apoio de € 500 milhões estabelecido pelo governo.

Antes de vir pra cá, eu fui ver e já tínhamos 245 empresas que requereram apoios num valor da ordem dos € 70 milhões. Foi no primeiro dia. Portanto, eu tenho a certeza que agora nos próximos dias virá muito mais. Isto foi o primeiro dia em que as pessoas, se calhar, a maior parte delas, nem sabia que já estava a plataforma aberta. Ficam a saber que a plataforma já está disponível, já é possível pedir.

Nesta entrevista à RTP, Castro Almeida justifica-se ainda por ter dito que as pessoas afetadas pela tempestade ainda tinham o salário do mês passado para fazer face aos danos. O ministro diz que foi uma escolha errada de palavras. Manuel Castro de Almeida, que não se compromete, no entanto, com datas específicas para que os montantes de apoio sejam entregues, espera que seja em breve. A E-Redes prometeu ao governo que 95% dos clientes vão ter restabelecida a energia no próximo sábado, uma informação avançada pela ministra do Ambiente, mas quanto à totalidade do serviço restabelecido, Maria da Graça Carvalho remete para as palavras do presidente da E-Redes, contando que esteja resolvido até ao final do mês.

E-Redes prometeu-nos que dia sábado, 95% de todos os clientes terão acesso à rede e no próximo, no outro sábado, dia 14, serão 98%. Portanto, ficará por lá 2%.

Quando é que estará reposto a 100%?

A 100%, o seu presidente hoje disse em direto para as televisões que se tudo correr normalmente, se não haver uma outra tempestade, porque, por exemplo, houve aqui durante a semana uma tempestade em que os números aumentaram, portanto, há retrocessos. Se o tempo correr a nosso favor nesta reconstrução, até o fim do mês de fevereiro, tudo fica reposto a 100%.

A ministra do Ambiente revelou ainda que vai ser feito um estudo do custo-benefício para colocar parte da rede elétrica sob terra, por forma a prevenir efeitos de novas tempestades. Adianta que é uma solução que custa 15 vezes mais que a rede aérea.

Marcelo Rebelo de Sousa decide amanhã se vai ou não em visita oficial a Espanha, depende das consequências do mau tempo desta noite. O Presidente da República foi questionado sobre as críticas de André Ventura quanto a uma ausência do chefe de Estado, mas não cede a pressões.

O Presidente da República não está sujeito a jogos políticos, não está em campanha eleitoral, está acima disso tudo, a pensar efetivamente nos problemas dos portugueses e da melhor maneira de servir os portugueses. Portanto, em função disso, eu decidirei, como decidi noutras circunstâncias, depois de ter estado no terreno ou não.

Marcelo Rebelo de Sousa apela a cuidado máximo por parte da população, por causa das chuvas persistentes que vão afetar o país nos próximos dias. Pede que os portugueses fiquem em casa.

No que me toca, eu tenho alertado permanentemente para isso, para não se sujeitarem a situações de risco, porque verdadeiramente acabam por agravar esse risco. Não sujeitem. Na medida do possível, não sujeitem hoje à noite, não sujeitem amanhã, não sujeitem nas noites seguintes e até sábado, uma vez que se fala de sábado também como o segundo dia mais complicado. E atuem sempre com bom senso, com serenidade, evitando esses riscos. É aquilo que se pode pedir, que a Proteção Civil tem pedido e que deve pedir.

O chefe de Estado pede que até sábado os cuidados sejam redobrados. O presidente da República vai reunir-se esta quinta-feira com o primeiro-ministro para fazer a avaliação da situação meteorológica e dos danos causados. Falamos agora de presidenciais. António José Seguro piscou o olho aos eleitores que votaram em Marques Mendes e Gouveia e Melo na primeira volta. O candidato apoiado pelo PS esteve em Faro e Vasco Maldonado Correia contou com Macário Correia e Ricardo Mariano, nomes ligados a outros candidatos na primeira volta. O objetivo é conquistar o Algarve. As janelas até tocaram, mas o candidato não dançou. António José Seguro veio ao Algarve com trabalho a fazer para garantir que conquista um território que lhe escapou na primeira volta.

O único onde não vencemos eleições na primeira volta destas presidenciais. Mas ambicionamos vencer as eleições também aqui no Algarve, no próximo domingo.

Em Albufeira, Seguro contou com a presença dos mandatários distritais de Luís Marques Mendes e de Henrique Gouveia e Melo. Aproveita para caçar votos nestes dois eleitorados.

A vossa presença e, com certeza, de outras dezenas de apoiantes, quer de Marques Mendes, quer de Gouveia e Melo, representam bem a essência da democracia, de pessoas que se respeitam , que lutam pelas suas convicções e que no momento certo sabem de que lado é que devem estar para defender a democracia.

Enquanto pisca o olho para a direita, mantém o outro bem fechado para o Partido Socialista.

Dentro daquelas aldrabices que circulam, sobretudo nas redes sociais, diz-se muito isso, que eu agora quero reabilitar o partido A ou o partido B ou o partido C, a partir da Presidência da República. É quem não me conhece. Eu serei equidistante de todos os partidos.

E ainda sem dizer o nome de André Ventura, afirma mais uma vez que o adversário só quer pôr o país a andar para trás.

Ruidoso na maior parte das vezes, mas que raramente apresenta soluções. Eu digo raramente, por quê? Porque quando as apresenta, são soluções do passado que não têm nada a ver com o futuro que nós queremos construir no nosso país.

Em Faro, Seguro tentou fazer bingo.

Ganhou? Não. Mas vai ganhar no dia oito. Bem espero.

E mesmo sem sucesso ao jogo, espera ter melhor sorte na política.

Oitenta, oito, zero. Tudo que seja acima de 50% mais um é muito bom.

António José Seguro, de passagem por um distrito onde ficou a mais de 10 mil votos de distância para André Ventura na primeira volta, já não pede uma vitória folgada para já vencer no domingo, seja por que margem for, vai ter de chegar. O jornalista Vasco Maldonado Correia, com os destaques deste dia de campanha de António José Seguro, que vai estar esta quinta-feira em Lisboa. André Ventura avisa que se chegar à Presidência da República, o Chega vai precisar do tempo para se reorganizar. Reitera que deixa a liderança do partido e avisa desde já que o Chega vai precisar de se reestruturar.

Eu acho que o presidente da República é o cargo político, enfim, de chefia, de liderança de um país. E, por isso, sempre entendi que não se deve confundir com a liderança de um partido. O povo português foi chamado a votar no dia oito, escolheu que eu estivesse na segunda volta, portanto, que fosse o candidato da direita mais votado. Isso deu-me uma enorme honra. Isso significa também que na escolha que fizerem, saberão que a decisão de um presidente da República terá um impacto de mudança em todo o sistema político e que para o Chega obrigará depois a fazer uma escolha democrática de evolução. A segunda coisa que acho importante é dar ao Chega, como maior partido no Parlamento, segundo maior partido ou maior partido da oposição neste momento, a capacidade de, sem influência e sem interferência, escolher o sucessor.

André Ventura, em entrevista à SIC, a avisar os eleitores que terá de haver uma reconfiguração partidária à direita. Ponto final neste jornal da uma da manhã. As notícias voltam à Rádio Observador à uma e meia, com a síntese de notícias. Até já.