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É noite. Edição com a Laura Figueiredo. Começamos com a ministra da Saúde. Assegura que as urgências do SNS não estão piores em relação ao verão passado.

Ainda assim, a ministra admite que também não se pode dizer que a situação esteja boa. Ana Paula Martins reconhece que as equipes do Serviço Nacional de Saúde continuam reduzidas.

Estamos melhor este ano do que estávamos ano passado, mas o fato de estarmos melhores este ano do que estávamos ano passado, não podemos dizer que estamos bem. E não podemos dizer que estamos bem, porque para estarmos melhor do que estávamos ano passado, temos as nossas equipes dentro do Serviço Nacional de Saúde e estes médicos que trabalham à tarefa e que apoiam as escalas de urgência, sobretudo, nestes períodos de verão, em sobrecarga.

Em entrevista esta noite na SIC, a ministra da Saúde disse ainda que o governo quer garantir justiça entre o que se paga a um médico tarefeiro e a um médico que faz parte de uma equipe.

Garantir justiça entre aquilo que pagamos à hora a um médico tarefeiro, ou que trabalha a tarefa, e a um médico que trabalha nas equipes do Serviço Nacional de Saúde. Eu dou-lhe valores concretos. Nós, neste momento, naquilo que estamos a pagar, variamos, consoante as especialidades e o momento do ano, é verdade, mas variamos entre quarenta e sete euros a hora até noventa, cem euros a hora. Enquanto que no Serviço Nacional de Saúde, nas nossas equipes que asseguram de forma contínua os cuidados, nós pagamos no máximo trinta e seis euros a hora.

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, esta noite em entrevista à SIC.

Hugo Soares considera que a comissão parlamentar de inquérito proposta pelo Chega sobre os incêndios é despropositada. Aceita, no entanto, a comissão técnica que foi proposta pelo PS.

Foi o que revelou o secretário-geral do PSD na abertura da Universidade de Verão do partido, que arrancou esta segunda-feira em Castelo de Vide. Hugo Soares avisa André Ventura que se deve evitar fazer política partidária com assunto que é sério e deixa duas perguntas ao líder do Chega.

Quem é que deve investigar a origem criminosa, quando ela é, dos fogos em Portugal? É a Polícia Judiciária? É a GNR? É o Ministério Público como impulsionador da ação penal? Ou são os deputados da Assembleia da República? Quero lançar outra pergunta ao deputado André Ventura. O debate sobre os incêndios em Portugal, as causas e as consequências, deve ser um debate técnico, um debate especializado, um debate independente, ou deve ser um debate partidário, um debate onde o governo e os partidos que o sustentam pretendem defender o governo e as oposições atacar o governo?

Já quanto à comissão técnica independente proposta pelo PS, o secretário-geral do PSD considera que pode ser um bom caminho.

Nós vemos com bons olhos a criação de uma comissão técnica independente, longe dos políticos, longe do combate partidário, para perceber o que aconteceu e o que não aconteceu nos combates aos fogos em Portugal. Agora, nós somos daqueles que depois aceitamos e acatamos as recomendações das comissões técnicas independentes. Se elas voltarem a dizer que desta vez foi bem feito nenhum político ter ido a correr pro teatro de operações, é bom que o Partido Socialista, pelo menos, tenha o cuidado de dizer: "Afinal, as recomendações de 2017 estavam corretas. Nós fomos um bocadinho ligeiros nas críticas que fizemos ao governo."

Declarações de Hugo Soares, captadas pela RTP3 na Universidade de Verão do PSD.

José Luís Carneiro já se mostrou satisfeito com a posição do líder parlamentar do PSD em relação à criação dessa comissão técnica independente a propósito dos incêndios.

Em Viseu, José Luís Carneiro reagiu esta noite às declarações de Hugo Soares na Universidade de Verão do PSD.

Li com atenção e com sentido positivo as declarações do líder parlamentar do PSD de que o governo aceitava uma comissão técnica independente. Parece-me que é um bom princípio e, portanto, vamos aprová-la na Assembleia da República para avaliar o que correu bem e o que não correu bem.

Ainda assim, o líder socialista critica o governo por não ter ouvido mais cedo as sugestões do PS pra gestão dos incêndios e refere que o Partido Socialista foi o primeiro a apresentar propostas para evitar repetir erros.

André Ventura admite forçar a realização dessa comissão parlamentar de inquérito aos incêndios, caso ela não seja aprovada no Parlamento.

O presidente do Chega revela que caso ADIPS não viabilizem a proposta, o partido vai avançar com uma comissão potestativa de inquérito, uma garantia deixada esta segunda-feira por André Ventura.

Se os dois outros partidos, digamos, que contam pra formação destas maiorias, anunciarem já que não vão viabilizar, o Chega avançará pra uma comissão potestativa de inquérito aos incêndios. Se os outros partidos, repito, se nem PS nem PSD permitirem que ela seja constituída.

André Ventura, numa conferência de imprensa onde explicou que o objetivo do Chega com a comissão de inquérito é clarificar as despesas no combate aos incêndios desde 2017. Ventura diz que o partido tem legitimidade para pedir justificações sobre o tema.

Na Universidade de Verão do PSD, Carlos Moedas considera que extremismos de esquerda e de direita são igualmente maus.

Na intervenção desta noite na Universidade de Verão do PSD, o presidente da Câmara de Lisboa lembra que o PS escolheu fazer parte deste caos dos extremismos com decisões como a de participar na manifestação contra a ação da polícia no Martim Moniz no final do ano passado. O autarca de Lisboa refere que a política hoje em dia mudou.

O extremo da esquerda e o extremo da direita são igualmente maus. Há, sim, uma equivalência nestes extremismos: é que são igualmente maus. E esses extremismos só podem ser combatidos compreendendo o que mudou na política, compreendendo o que mudou no mundo.

Carlos Moedas deixa ainda um apelo aos jovens para que não se conformem com a situação política atual e reforça que a Universidade de Verão do PSD é um exemplo simbólico de moderação.

A FENPROF considera alarmante que alguns professores tenham sido colocados em escolas para as quais não concorreram.

Vinte e sete docentes foram colocados em escolas a centenas de quilómetros da zona de residência depois de uma falha de validação no sistema de concursos. No formulário do concurso de mobilidade interna, os docentes indicaram como quadro de zona pedagógica a zona onde estavam a trabalhar no ano letivo passado e não a nova para onde tinham sido transferidos neste concurso de colocação. As escolas validaram a informação errada, assumiram posteriormente o erro e comunicaram-no à Direção-Geral da Administração Escolar. À Rádio Observador, o secretário-geral da FENPROF, José Feliciano Costa, explica o desagrado dos profissionais que denunciaram a situação junto dos sindicatos.

Agora o problema é que o sistema permitiu que isto acontecesse. Há o momento, que é o momento de validação das escolas, que não deu por isto, deixou passar o erro. A própria plataforma também não detetou o erro e, portanto, é um bocado complicado percebermos que um sistema não deteta erros e deixa a coisa passar. Isso, de facto, é preocupante.

O secretário-geral da FENPROF, José Feliciano Costa, admite que um professor menos bem-intencionado pode vir a enganar o sistema e ser colocado numa zona de preferência devido a esta falha no programa.

Temos ainda outras notícias que estão a marcar a atualidade.

O Ministério Público pede o agravamento de penas e nove anos de prisão para Fernando Madureira no caso da Operação Pretoriano. O órgão constitucional recorreu da decisão do Tribunal de São João Novo, no Porto, por ter considerado a pena demasiado baixa e sem qualquer efeito preventivo. O Ministério Público pede ainda a pena de prisão efetiva para outros cinco arguidos, que foram condenados a penas suspensas, como a mulher de Fernando Madureira, e defende que os crimes de coação e atentado à liberdade de imprensa devem ser imputados a todos os arguidos. O governo português condenou o ataque de Israel ao Hospital Nasser, em Gaza, através de uma publicação na rede social X. O Ministério dos Negócios Estrangeiros considera o ataque inqualificável e relembra que os jornalistas, civis e profissionais de saúde devem ser protegidos incondicionalmente. O ministério tutelado por Paulo Rangel defende ainda que o cessar-fogo no Médio Oriente é necessário e não pode continuar a ser adiado. Volodymyr Zelensky discutiu possíveis sanções económicas a Moscovo com o enviado de Trump a Kiev. O presidente ucraniano debateu também sobre outros meios de pressionar a Rússia com Keith Kellogg. De acordo com o líder ucraniano, foram discutidas formas de influenciar os russos, forçá-los a envolver-se em negociações reais e a terminar a guerra.

Jornal da Meia-Noite, com edição da Laura Figueiredo.