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A Rússia está a intensificar o recrutamento de combatentes em África para compensar a falta de efetivos nas forças armadas, para compensar as perdas elevadas na guerra contra a Ucrânia. A informação é avançada pela agência Bloomberg, que se baseia numa apresentação dos serviços de informações ucranianos.

Entre os países onde Moscovo intensificou os esforços de recrutamento estão o Zimbabué, o Burundi e a Serra Leoa. Segundo os dados citados no documento, entre janeiro e setembro deste ano foram recrutados 699 homens do Burundi, contra 30 durante todo o ano de 2025. No caso do Zimbabué, o número subiu de 65 para 530.

Também foram registados aumentos na República Democrática do Congo, no Sudão e nos Camarões.

A mudança de estratégia terá ocorrido depois de o Quénia e a África do Sul adotarem medidas para impedir que os seus cidadãos partissem para combater ao lado das forças russas. O objetivo do programa será, segundo a apresentação, “compensar as perdas massivas e a falta de pessoas para mobilizar“.

A Rússia não reconheceu publicamente o recrutamento de estrangeiros para combater na Ucrânia. O Kremlin sustenta que dispõe de efetivos suficientes para prosseguir a guerra e Vladimir Putin rejeitou, recentemente, a possibilidade de anunciar uma nova mobilização.

Em vários países africanos, porém, cresce a preocupação com estas campanhas. A vulnerabilidade económica de parte da população facilita o recrutamento, que poderá envolver falsas promessas de emprego civil, por exemplo nos setores da restauração e dos transportes.

Os candidatos recebem, ainda, ofertas de pagamentos elevados no momento da assinatura do contrato, salários atrativos e a possibilidade de obter cidadania russa.