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Em ponto. Jornal da meia-noite na Rádio Observador, uma edição da jornalista Diana Rosa. Diana, boa noite mais uma vez.
Boa noite, Vicente.
Os Estados Unidos e o Irão têm estado em confronto direto. O Comando Central Norte-americano garante que se trata de uma ação de autodefesa. Donald Trump adianta que, e passo a citar: "São pancadinhas de amor".
É a relativização do presidente norte-americano desta troca de agressões. À ABC News, Trump garante que o cessar-fogo mantém-se em vigor e tem essa expressão que citaste, Vicente, diz que são pancadinhas de amor. Entretanto, o CENTCOM adianta que as forças norte-americanas interceptaram ataques iranianos não provocados com mísseis e drones, assim como pequenas embarcações no Estreito de Ormuz. No entanto, o Irão diz o contrário e acusa os Estados Unidos de violarem o cessar-fogo ao atacar um petroleiro iraniano. Teerão promete uma resposta esmagadora a qualquer agressão norte-americana.
E o Tribunal de Comércio, precisamente norte-americano, rejeitou as mais recentes tarifas globais de 10% impostas por Donald Trump.
Que entraram em vigor no dia 24 de fevereiro, é o que avança a agência Reuters. Nesse decreto, Trump invocou um ponto da lei de comércio que permite tarifas por até 150 dias para corrigir sérios déficits na balança de pagamentos ou então evitar uma depreciação iminente do dólar. Mas, de acordo com a decisão judicial, a lei não é apropriada para os tipos de déficits comerciais que são citados por Trump.
E de visita aos Estados Unidos, Lula da Silva afirma que Trump não vai interferir, Diana, nas eleições brasileiras em outubro.
Os dois estiveram reunidos na Casa Branca, num encontro que classificaram como positivo. Depois da reunião, Lula rejeita qualquer influência do presidente norte-americano na escolha dos brasileiros.
Se ele tentou interferir nas eleições brasileiras, ele perdeu, porque eu ganhei as eleições. Eu acho que não é uma boa política um presidente de outro país ficar interferindo nas eleições de outro país. É o princípio básico para que a gente não permita a ocupação cultural, política e a soberania de um outro país.
Sobre o encontro na Casa Branca, Lula lembra que uma imagem vale mais do que mil palavras.
Acho que foi uma reunião importante para o Brasil e importante para os Estados Unidos. Eu sempre acho que a fotografia vale muito e vocês perceberam que o presidente Trump rindo é melhor do que ele de cara feia. A única coisa que nós não abrimos mão é da nossa democracia e da nossa soberania. O resto é tudo discutível.
Uma ideia reiterada por Lula da Silva, presidente do Brasil, que esteve hoje com Donald Trump na Casa Branca.
E a marcar esta noite na atualidade nacional, Diana Rosa, morreu Carlos Brito, histórico dirigente do PCP.
Notícia avançada pelo Público, confirmada pelo Observador. Foi candidato apoiado pelos comunistas às eleições presidenciais de 1980. Morreu em casa, no Conselho de Alcoutim, depois de ter estado recentemente internado no hospital de Faro. Aos 17 anos, Carlos Brito iniciou-se na política como opositor do Estado Novo, integrando o movimento Unidade Democrática Juvenil, em Lisboa. Depois, esteve oito anos preso durante a ditadura. Saiu em liberdade em 1966 e até o 25 de abril esteve entre o exílio em França e a clandestinidade em Portugal. Em 1980, foi candidato às presidenciais, desistiu a poucos dias da eleição a favor da recondução do general Ramalho Eanes. Entretanto, o PCP recorda em comunicado o percurso antifascista de Carlos Brito e a contribuição na Revolução de Abril, apesar das conhecidas diferenças e distanciamento político. Reação também de José Luís Carneiro, o secretário-geral do PS, frisa que a morte de Carlos Brito é motivo de grande tristeza. Lembra uma figura incontornável da vida política portuguesa nas primeiras cinco décadas da democracia. Acrescenta que se trata de uma referência de seriedade e cidadania. Carlos Brito morreu hoje aos 93 anos.
E aqui na Rádio Observador, fomos ouvindo algumas reações à sua morte.
Arménio Carlos, antigo dirigente do PCP, recorda o legado de Carlos Brito para a democracia portuguesa.
Um homem que não só se assumiu como antifascista, como lutou contra o regime ditatorial, com todas as consequências que são conhecidas do ponto de vista da privação da sua vida e acima de tudo também dos impactos que isso teve. Mas, por outro lado, foi um homem que teve um papel importante no PCP. A seguir ao 25 de Abril, foi presidente do grupo parlamentar.
Arménio Carlos lembra que apesar de se ter tornado uma voz crítica do Partido Comunista, Carlos Brito sempre defendeu a democracia e as políticas de esquerda.
E também à Rádio Observador falou José Jorge Letria, escritor que pertenceu, Diana, à plataforma de esquerda.
O também presidente da Sociedade Portuguesa de Autores recorda um amigo que nunca perdeu os valores fundamentais.
Fomos amigos durante muitos anos, conversámos muito. Era uma pessoa que eu admirava intelectualmente e politicamente. Depois os nossos caminhos afastaram-se. Eu segui o meu caminho, ele continuou o dele, sempre com solidariedade, com coerência e com profundidade. Eu acho que o legado que ele nos deixa é o da inteligência, da tolerância e da capacidade de viver com os outros, a construção de uma sociedade mais justa, mais tolerante, mais aberta e mais virada para o futuro.
José Jorge Letria lembra também o que foi o gosto pela escrita que permitiu a Carlos Brito resistir a momentos como o da ditadura.
E, Diana, também marcará a atualidade nacional, sem acordo. A última reunião entre governo e concertação social terminou sem consenso. O Executivo culpa a UGT e a central sindical alerta que não foi apresentado nada de novo para que a posição se alterasse.
E por isso é um não à reforma laboral. A UGT acusou o governo de ter minado a confiança com constantes avanços e recuos. A reunião durou pouco mais de uma hora e nada mudou. Miguel Gato.
A reunião de concertação social terminou sem acordo entre governo, patrões e sindicatos. A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, acusa a UGT de ter rejeitado negociar, apesar dos esforços do governo.
O governo esteve sempre de boa-fé nesta negociação, tentou ao máximo levá-la a bom porto, fez inúmeras cedências. Infelizmente, um dos parceiros revelou-se absolutamente intransigente.
A mesma crítica fazem os patrões na voz de Armindo Monteiro, da CIP.
Isto que hoje aconteceu foi mais uma vez a demonstração que a UGT não estava minimamente interessada em acordo nenhum. Nós podíamos ceder em todas as linhas, que não havia nenhuma possibilidade de acordo.
Em resposta, Mário Mourão, secretário-geral da UGT, acusa o governo e a CIP de não terem apresentado nada de novo nesta reunião.
Uma vez que não havia nenhuma proposta em cima da mesa hoje diferente, considerou a UGT que a decisão do seu secretariado era aquela que tinha transmitido ao governo.
Mário Mourão acrescenta ainda que a UGT está para decidir se adere ou não à greve geral marcada para o dia 3 de junho. Precisamente sobre esse tema, Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP, faz um apelo aos trabalhadores.
Perante o ataque que está em curso, perante aquilo que é a resposta e a afirmação dos trabalhadores ao longo de todo este período, perante aquilo que é a votação e a rejeição dos trabalhadores relativamente ao pacote laboral, só há um caminho a seguir. É o caminho da luta.
Do lado das Confederações do Comércio, Turismo e Agricultura, um apelo ao governo para que não desista da reforma laboral. A ministra do Trabalho prometeu hoje avançar para o Parlamento com poucas alterações face ao projeto inicial.
Miguel Gato, repórter do Observador, que acompanhou esta reunião, que terminou sem acordo. Como ouvimos, as alterações à lei vão agora ser discutidas no Parlamento.
E amanhã a ministra do Trabalho vai estar sob escuta aqui na Rádio Observador, numa entrevista para ouvir depois do jornal das 9:00, nas manhãs 360 da Rádio Observador. Por já, com oito minutos para lá da meia-noite, seguimos na reação à falta de consenso no pacote laboral. A oposição apontou o dedo, sobretudo ao governo, à exceção do próprio PSD e também do CHEGA.
Há os partidos que reiteram que as alterações propostas não interessam aos trabalhadores e os que defendem que a culpa é dos sindicatos. Marta Caramelo Nobre.
Começamos com o líder parlamentar do PSD. Hugo Soares diz que o governo tentou até à última.
Mas sobra, sobretudo, o exemplo demonstrado de um governo que levou até ao limite do possível a capacidade de diálogo com a concertação social.
Opinião contrária tem o deputado do PS, Miguel Cabrita.
E o governo nunca entendeu, geriu este processo mal e com enorme inflexibilidade do primeiro ao último dia. O governo, na verdade, desistiu do diálogo social.
Do lado do CHEGA, André Ventura diz que já esperava um desfecho que resolve atribuir ao PS.
Nada que me surpreenda. Como já tinha dito, o PS não tinha interesse desde o início em aprovar esta legislação. É sabido que o Partido Socialista tem uma grande influência na UGT.
Já Mariana Leitão insiste na vontade dos liberais.
Já tínhamos inclusivamente pedido ao governo que parasse de ser teimoso e de insistir numa negociação que já se sabia à partida que não ia dar em nada e que trouxesse o projeto à Assembleia da República.
Do LIVRE, Isabel Mendes Lopes sublinha que a proposta não é do interesse de quem trabalha.
E, portanto, se o governo insiste em trazer ao Parlamento uma legislação laboral que não serve os trabalhadores e que claramente tem um nível de oposição no país, mas também aqui no Parlamento tão grande, assim que houver uma maioria em que seja possível reverter quaisquer alterações que sejam feitas neste âmbito, essas alterações serão revertidas. Isto não interessa a ninguém.
Paula Santos, do PCP, rejeita a utilidade da discussão da proposta. Já o PAN lamenta que não tenha sido possível alcançar um acordo em concertação social.
Reação dos partidos à última reunião de concertação social sem consenso.
E tempo ainda nesta edição da meia-noite, Diana, para falar de desporto, mais concretamente de futebol e da Liga Europa. Caiu por terra o sonho do Sporting Clube Braga de chegar à final da competição, isto depois de ter perdido com o Friburgo, na Alemanha, por três bolas a uma.
O Braga até chegou com vantagem à segunda mão das meias-finais, mas o Friburgo não deu tréguas em casa contra os bracarenses. Na reação à partida, o técnico do Braga, Carlos Vinicius, disse orgulhoso, apesar de tudo, da equipa.
Orgulhoso da eliminatória que fizemos. Claramente merecíamos estar na final, mas às vezes o que se passa no futebol é o que se passa na vida. Temos de aceitar que por vezes não conseguimos lá chegar e temos de aceitar. Tenho de dar os parabéns ao Friburgo, que também lutou, mas não podia estar mais orgulhoso da minha equipa, tanto na primeira mão como na segunda.
E a final da Liga Europa, Vicente, vai ser jogada entre o Friburgo e o Aston Villa, que tem, de resto, um treinador experiente nestas andanças, não é, Vitória?
É verdade. O Unai Emery, que já ganhou diversas Ligas Europa, a serviço do Sevilha, e que deixou hoje pelo caminho o também português Vítor Pereira, do Nottingham Forest. A derrota do Braga em Friburgo e a eliminação é notícia de fecho desta edição da meia-noite, que teve edição da Diana Rosa, passa a redundância. Um bom descanso, Diana.
Um bom descanso. Um beijinho, Vicente.
Um beijinho também pra ti. Um bom descanso e a informação está de regresso à 00:30, já com a Matilde Malva. Sabina, é com ela. A noite informativa por aqui. Aliás, a madrugada informativa por aqui na Rádio Observador. A noite foi contigo, Diana. Bom descanso.
Até amanhã.