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Jornal das 10, na Rádio Observador, com a Carla Jorge Carvalho. O PS deixa um aviso ao governo: flexibilizar o mercado de trabalho não é a solução. A antiga ministra Ana Mendes Godinho fala no retrocesso para a sociedade.

A deputada socialista esteve esta manhã aqui na comissão de inquérito da Rádio Observador. Falou sobre as propostas do governo para alterar os regimes de férias, greve, doença e mobilidade na função pública. Ana Mendes Godinho rejeita as intenções do executivo.

Tudo o que seja, neste momento, voltar atrás nas conquistas dos trabalhadores, acho que é um ataque à sociedade e ao modelo social que nós criamos. Quando eu ouço dizer, nomeadamente, que flexibilizar, isso tem a ver também com flexibilizar, é o caminho, eu acho que é exatamente o contrário. Dito de outra forma, é verdade que cada vez mais é importante as pessoas conseguirem conciliar a sua vida pessoal, familiar e profissional, naturalmente, e isso em diálogo entre os trabalhadores, entre as organizações, evidente. Mas flexibilizar modelos de trabalho é o caminho errado.

Antiga ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social do governo de António Costa, Ana Mendes Godinho, que não fecha a porta a uma possível candidatura nas próximas eleições autárquicas, diz que vai servir onde for mais útil ao Partido Socialista.

Na atualidade internacional, é uma resposta aos Estados Unidos. Vladimir Putin autoriza o exército russo a utilizar armas nucleares contra países que não têm recurso a armas nucleares.

Mas que são apoiados por grandes potências, como é precisamente o caso da Ucrânia. A notícia foi avançada pela agência Reuters, que cita um documento publicado no site do Kremlin e é entendido como uma resposta de Putin depois dos Estados Unidos terem dado luz verde a Kiev para utilizar mísseis contra alvos em território russo. É também uma decisão tomada no dia em que se assinalam os mil dias do início da guerra na Ucrânia.

E este vai ser um dos temas do dia em Bruxelas. Josep Borrell garante que a União Europeia vai continuar ao lado da Ucrânia, com ou sem os Estados Unidos.

E alerta que para isso é preciso investir mais no setor da defesa. Foi a entrada para o Conselho dos Ministros da Defesa dos Estados-membros que Josep Borrell vai defender que a Europa tem de seguir o seu próprio caminho no que toca à Ucrânia.

A NATO é muito importante para a defesa da Europa. Sobre isso, não há grandes dúvidas, mas os europeus têm de investir mais na área da defesa. Mais do que produzir armas, temos de ter responsabilidade de montar estratégias. Temos de construir uma estrutura europeia dentro da NATO. Os europeus não podem estar em modo reativo, não podem esperar pelo que os Estados Unidos podem ou não fazer. Não podemos esperar que Donald Trump decida.

Josep Borrell garante que a União Europeia vai continuar a ajudar a Ucrânia. Os mil dias de guerra estão a ser assinalados hoje em Bruxelas, numa sessão especial do Parlamento Europeu, que vai contar também com a participação à distância do presidente Volodymyr Zelensky.

Continua sem data o julgamento da Operação Marquês. O processo já deixou de ser considerado urgente. O advogado Pedro Marinho Falcão fala numa situação preocupante para a Justiça portuguesa.

A decisão faz com que o risco de prescrição de alguns crimes seja potenciado, algo que Pedro Marinho Falcão, advogado, especialista em direito fiscal, considera inaceitável. O advogado refere que pode estar em causa a dignidade da Justiça portuguesa, por se tratar de um caso midiático que envolve crimes graves e um antigo chefe do governo.

Se os crimes vierem a ser declarados prescritos e o processo se extinguir por prescrição, isto não dignifica a Justiça portuguesa. Seja qual for a questão técnica que está subjacente, não há explicação possível para que um processo, que é um processo do ponto de vista midiático muito relevante, em que está a ser julgado pela primeira vez um ex-primeiro-ministro, não seja tratado com suficiente celeridade para evitar a prescrição, que é a forma menos digna e mais preocupante da extinção de um procedimento criminal.

O advogado Pedro Marinho Falcão diz ainda que a mudança de tratamento deste caso deve ser investigada junto do Conselho Superior da Magistratura. Recorde-se que o antigo primeiro-ministro e outros 27 arguidos estão acusados da prática de 118 crimes. Ainda não se sabe quando vai ter início o julgamento. Desde janeiro deste ano que os autos da Operação Marquês deixaram de ser urgentes, mesmo com vários crimes em risco de prescrição, como as desembargadoras do processo deixaram claro.

Esta é uma notícia que está em destaque no site do Observador e que é assinada pelo redator principal Luís Rosa. Um modelo de linguagem artificial português já tem nome e data, e Carla, vai se chamar Amália e a versão do projeto vai ser lançada em 2026.

É o que avança o CEO do Centro para a AI responsável, numa entrevista à Agência Lusa, na semana passada, na noite de abertura da Web Summit, o primeiro-ministro anunciou o lançamento de um grande modelo de linguagem em português, com a primeira versão a sair no primeiro trimestre do próximo ano. Ora, Paulo Dimas revela que o trabalho não é de agora e garante que está a ser desenvolvido por uma equipa experiente e especializada.

Há trabalho de vários anos nesta área, portanto, na área dos dados para a língua portuguesa, trabalho feito pelo Centro de Investigação da Nova FCT. Há trabalho feito também no âmbito do técnico. Também há trabalho que vai ser transferido do lado da Unbabel, toda a experiência que a Unbabel tem a criar modelos multilíngue e modelos que estão sendo neste momento treinados em supercomputador. Portanto, no fundo, a equipa que vai trabalhar na criação deste LLM é uma equipa que já tem muitos anos de experiência nesta área. E, portanto, em cima de todo esse trabalho, é possível entregar este LLM no primeiro trimestre.

O CEO da AI Responsável, Paulo Dimas, que explica ainda que o nome Amália foi escolhido pelas razões óbvias, é uma homenagem à fadista Amália Rodrigues.

Carla, antes do Contracorrente, vamos a outras notícias que estão a marcar esta manhã de terça-feira.

O Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Oeste decidiu executar bens da empresa Amor. da apresentadora de televisão Cristina Ferreira, no montante superior a € 4,5 milhões. Em junho deste ano, a empresa foi condenada pela Justiça a pagar mais de € 3 milhões à SIC pela quebra de contrato com a estação do grupo empresa. A apresentadora recorreu, mas não pediu efeitos suspensivos nem apresentou caução com garantias bancárias. O tribunal decidiu agora penhorar os bens da empresa no valor de € 4,7 milhões, já com juros incluídos. Foi desconvocada a greve de funcionários da ASAE. Na semana passada, o governo assegurou adaptar o sistema de avaliação à carreira especial de inspetor e agendou novas reuniões para negociar as restantes reivindicações. O presidente do sindicato diz agora ter ficado muito surpreendido com a atitude do governo. A próxima reunião está marcada para daqui a 10 dias, dia 29 de novembro. Já está em Beirute o enviado especial dos Estados Unidos para participar nas negociações para um cessar-fogo na região, numa altura em que tanto o Líbano como o Hamad já aceitaram a proposta norte-americana. Inclui, por exemplo, a supervisão internacional da fronteira entre Israel e o Líbano, mas também garante a Israel o direito de intervir caso haja uma violação dos termos do acordo. E para fechar, deixamos aqui uma lição a todos os ouvintes que por esta altura estejam a caminho do trabalho.

O que me queres dizer, Carla, a mim e aos ouvintes?

A ti não, que não estás a caminho do trabalho. Mas vamos aqui pensar em lições de condução.

Se conduzir, não beba?

Podia ser. Mas esta é diferente. O acelerador é para ser bem tratado e para ficar no sítio.

Isto não quer dizer que tiveste algum problema, não nos queres contar nada.

Eu não, mas um condutor americano teve. A polícia foi chamada a intervir, porque foi dado um alerta, porque pessoas viram um carro a cair numa piscina. O homem disse que se enganou e que carregou no acelerador com muita força e acabou por ficar com o carro submerso. Portanto, confundiu um pedal com o outro. O resgate correu bem, o homem foi levado para o hospital para fazer exames médicos, não sofreu ferimentos graves e nunca mais se vai esquecer onde é que é o acelerador e onde é que é o travão.

Eu não vou condenar, porque a primeira vez que usei o carro automático aqui do Observador, tirei o carro da garagem e se aquilo tivesse câmaras, aquilo tinha sido muito difícil, porque eu achava que ia bater nos carros todos.

Eu sou solidária contigo. O José Manuel quer acrescentar alguma coisa. Eu, que me recuso a usar carros sem mudanças.

É um clássico. A primeira vez que se entra num carro automático, a regra é: o pé esquerdo para baixo do banco, que é para não termos tentação. Porque senão, a segunda coisa que acontece, se não cumprimos essa regra, é irmos com o nariz ao vidro.

É verdade. E não queremos isso. Ponto final do Jornal das 10, edição da Carla Jorge Carvalho.