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Rádio Observador. Jornal das 10 com o Luís Soares. Luís, a presidente da Comissão Europeia já apresentou o novo plano de rearmamento da Europa. Aponta 800 mil milhões de euros de investimento na defesa.
Anúncio feito esta manhã em Bruxelas por Ursula von der Leyen, líder do Executivo Europeu. Explica que este plano não surge apenas de uma necessidade estratégica, mas de um pedido transversal dos 27 para rearmar a Europa.
A questão já não é se a Europa está a ser ameaçada de forma real ou se a Europa se devia empenhar mais na sua defesa. Na verdade, já sabemos as respostas a estas questões há muito tempo. A questão real agora é: está a Europa pronta para responder ao contexto com a rapidez e ambição necessárias? Pelo que me disseram as várias capitais europeias nas últimas semanas, há uma coisa que é certa: estamos na era do rearmamento.
Declarações de Ursula von der Leyen em Bruxelas durante a apresentação do plano de defesa para a Europa. Ursula von der Leyen anunciou que a Comissão Europeia vai ser flexível, por exemplo, nas questões do déficit dos Estados-membros. No caso dos gastos em defesa, vai ainda disponibilizar 150 mil milhões de euros para que haja o investimento em armamento. Ursula von der Leyen anunciou também que o orçamento da União vai ser repensado em torno da defesa e que o capital privado vai ser convocado também para participar nesse esforço. Este plano anunciado por Ursula von der Leyen vai ser ainda alvo de discussão, vai ser apresentado no Conselho Europeu, que está marcado para quinta-feira. Um Conselho Europeu de emergência que vai reunir os chefes de Estado e de Governo dos 27.
Na análise, o major Isidro Morais Pereira acredita que este valor de 800 mil milhões de euros em defesa é um valor possível.
No gabinete de guerra desta manhã, o major-general explica que esta é uma iniciativa positiva da Europa, uma vez que muitos países da União não têm reservas de guerra.
Naturalmente que ela concretizará melhor e ponderizará melhor estas questões. Mas esta verba, a verba de que se falava até agora era cerca de 700 mil milhões. É bom sabermos que afinal não são 700, são 800 mil milhões e, de facto, é uma verba avultada, é uma verba substantiva, uma verba importante, mas é uma verba necessária, porque a maior parte dos países europeus não têm algo que é extraordinariamente importante, que são reservas de guerra.
Análise do major-general Isidro Morais Pereira, no gabinete desta manhã, à decisão e este plano da União Europeia de 800 mil milhões de euros para a defesa na Europa.
Já sobre a decisão norte-americana de suspender a ajuda militar a Kiev, o major-general lembra que a Ucrânia tem armamento para seis meses.
A administração Trump suspendeu a entrega de toda a ajuda militar ao país, ao mesmo tempo que a Casa Branca aumenta a pressão sobre a Ucrânia para pedir a paz com Vladimir Putin. A decisão afeta entregas de munições, veículos e outros equipamentos, incluindo envios que tinham sido acordados quando Joe Biden era presidente. E acontece também numa altura em que estão a deteriorar-se as relações entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky. O major-general Isidro Morais Pereira acredita que isso terá efeitos a longo prazo e acusa os Estados Unidos de estarem a tentar vergar a Ucrânia.
Há aqui por trás uma vontade, uma vinga, uma vendeta por parte do Donald Trump e da sua equipa, de procurar vergar a vontade deste líder. E o que é lamentável, no fundo, é que todas as medidas que estão a ser tomadas pela administração Trump são medidas que vão no sentido de premiar aquele que é o infrator, aquele que foi o violador do direito internacional, aquele que se lançou sobre a Ucrânia numa guerra de expansão.
Análise do major-general Isidro Morais Pereira, no gabinete de guerra desta manhã, à decisão norte-americana de suspender o apoio militar a Kiev.
O governo da Hungria apoia a decisão dos Estados Unidos. Já o Reino Unido reafirma o apoio a Kiev.
São as reações que vão sendo conhecidas, esse anúncio dos Estados Unidos. O governo da Hungria fez saber, através de um porta-voz, que apoia a decisão de Donald Trump de suspender a ajuda militar à Ucrânia, em vez de continuar com o envio de armas e a guerra. Um cessar-fogo e negociações de paz são necessários o mais rápido possível, diz este porta-voz do governo húngaro. Isto numa altura em que se sabe também que o ministro das Relações Exteriores da Hungria vai encontrar-se com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, em Washington, ainda hoje. Na semana passada, Kaya Calla, alta representante da Comissão Europeia para as Relações Exteriores, visitou a capital dos Estados Unidos, mas problemas de agenda impediram esse encontro com Marco Rubio. Já o governo do Reino Unido reitera que está comprometido em apoiar a Ucrânia. Numa declaração escrita, Downing Street sublinhou que o Reino Unido continua absolutamente comprometido em garantir uma paz duradoura na Ucrânia e garante que o envolvimento com os aliados chave no apoio a esse esforço.
O Kremlin saúda a decisão norte-americana e diz que se os Estados Unidos realmente suspenderem a ajuda militar à Ucrânia, isso poderá forçar Kiev a negociar a paz.
Foi durante um briefing diário regular que o porta-voz de Vladimir Putin também disse que a normalização das relações entre a Rússia e os Estados Unidos exigiria o levantamento de sanções econômicas e que a maior contribuição que os Estados Unidos poderiam fazer para a paz seria parar de patrocinar a Ucrânia, declaração feita por Dmitry Peskov. Ontem a Reuters noticiou que a Casa Branca terá pedido aos departamentos de Estado e do Tesouro para apresentar as sanções que possam ser aliviadas, incluindo entidades e pessoas, entre elas alguns oligarcas russos.
Depois de dois episódios de insuficiência respiratória de ontem, o Papa Francisco passou bem a noite e está em repouso.
O relatório da saúde do líder da Igreja Católica, divulgado esta manhã pela Santa Sé, dá conta de que o Papa dormiu toda a noite e continua em descanso, mas o prognóstico mantém-se reservado. De recordar que ontem o estado de saúde de Francisco piorou depois de ter sofrido dois episódios de insuficiência respiratória aguda. O Papa Francisco está internado há quase três semanas no Hospital Gemelli, em Roma.
Olhamos agora para a atualidade nacional. O Parlamento decide hoje em que data vai ser discutida e votada a moção de censura do PCP ao governo.
Vai ser na reunião da Conferência de Líderes, que está marcada para às 10h30 no Parlamento, um dia depois do PS ter anunciado uma comissão parlamentar de inquérito ao caso da empresa familiar de Luís Montenegro. O PCP avançou com essa moção de censura depois de no sábado o primeiro-ministro ter feito uma declaração ao país, na qual admitiu avançar com uma moção de confiança ao governo se os partidos da oposição não esclarecessem se consideram que o Executivo dispõe de condições para continuar a executar o seu programa. Junta-se em direto este Jornal das 10 a porta-voz do PAN, Inês de Sousa Real. Bom dia, Inês de Sousa Real, obrigado por se juntar a nós em direto. Queria ouvir a sua opinião, por um lado, sobre o caso do Luís Montenegro, mas também sobre estas iniciativas políticas que têm surgido relativamente a este caso.
Antes de mais, muito bom dia. Para o PAN seria fundamental que tivesse sido o próprio governo a apresentar uma moção de confiança, ao invés destes jogos políticos, de termos o PCP a apresentar uma moção de censura ou até mesmo agora a proposta de comissão parlamentar de inquérito apresentada pelo PS. Entendemos que deve ser Luís Montenegro, em primeiro lugar, a devolver a dignidade da instituição que é o cargo de Primeiro-Ministro e a confiança que as pessoas devem ter nessa mesma figura. Não nos faz qualquer tipo de sentido ter um Primeiro-Ministro que vai estar a ser alvo de uma comissão parlamentar de inquérito, que tem já também uma acusação e uma participação junto do Ministério Público e ainda também uma queixa da Ordem dos Advogados relativamente à audácia à Procuradoria ilícita. Há, de facto, aqui muitos contornos por esclarecer e que são fundamentais, nomeadamente o fato de não ter participado à entidade da transparência aquilo que podia ser um eventual conflito de interesses, no caso de pagamento feito pela própria Solverde e das próprias avanças que incluíam depois ou que tinham como consequência ser a empresa a pagar a própria casa onde reside o Primeiro-Ministro. E não nos faz sentido termos um Primeiro-Ministro a tempo parcial na vida política, sobretudo quando Portugal enfrenta tantos desafios de crescimento económico, de habitação, de combate às alterações climáticas, entre outras dimensões, que o país precisa e que tem que ter alguém que esteja completamente liberto de qualquer tipo de questão e de isenção. E nesta medida, nós vamos acompanhar, neste caso, a proposta de comissão parlamentar de inquérito, e não compreendemos como é que o PCP fez este favor ao governo, não permitir que fosse Montenegro apresentar a moção de confiança, mas não iremos votar contra a moção de censura, porque entendemos que não estamos no mesmo contexto que estávamos quando foi apresentada a moção de censura por parte do Chega.
Portanto, eventualmente irá abster-se nessa moção de censura?
Nós vamos ainda discutir internamente, mas não é o mesmo contexto que tínhamos quando tiramos do Chega, que estava no fundo a procurar afastar-se dos próprios problemas da sua bancada. E temos, de facto, uma situação política bastante delicada em que, claramente, Luís Montenegro não tem mais condições políticas para continuar a servir o país enquanto Primeiro-Ministro. Independentemente depois das circunstâncias ou das conveniências políticas de cada partido, a verdade, objetivamente, a este tempo, é que Luís Montenegro, tendo em conta que não cessou de imediato a sua ligação à empresa, seja em que mecanismo legal for, a verdade é que se colocou numa circunstância em que politicamente está fragilizado e não tem condições para continuar como Primeiro-Ministro.
Inês de Sousa Real, porta-voz do PAN, muito obrigado por ter estado em direto neste jornal das 10 da Rádio Observador, a dar aqui conta também da posição do PAN. Recordo que às 10:30 da manhã começa essa reunião da conferência de líderes para decidir a data e hora da discussão e votação da moção de censura do PCP ao governo.
E termina aqui este jornal das 10 na Rádio Observador, com edição do Luís Soares.