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10:01. As notícias com Carla Jorge Carvalho. Começamos com os efeitos da depressão Cláudia. Cerca de 16 mil pessoas ainda estão sem energia em casa, nos distritos de Lisboa, Santarém e Setúbal. O número chegou aos 20 mil esta manhã, mas entretanto reduziu.
É o que dá conta a mais recente atualização da E-Redes. A empresa garante que está no terreno a tentar resolver a situação. Setúbal é o distrito mais afetado. Às 8h, cerca de 8 mil pessoas estavam sem eletricidade. A depressão Cláudia provocou também 86 ocorrências durante a madrugada, a maioria inundações e queda de árvores. Não há feridos. É o que dá conta à Rádio Observador o comandante da Proteção Civil, Pedro Araújo.
Durante a madrugada, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil registou um total de 86 ocorrências entre as 0h e as 6h. Elas são ocorrências associadas maioritariamente a inundações. Estas ocorrências incidiram sobretudo na Grande Lisboa e na península de Setúbal. Até o momento, não temos relato nem de desalojados, nem de feridos. Existem, de facto, danos, nomeadamente no edificado. Temos conhecimento de vias inundadas, quer em Lisboa, quer em Setúbal. São vias secundárias, estradas, caminhos municipais e também algumas estradas nacionais.
O ponto de situação feito pelo comandante Pedro Araújo, da Proteção Civil. Destaque para a queda de uma árvore na freguesia da Ajuda, em Lisboa, que danificou dois carros. Atenção também ao trânsito, sobretudo na Grande Lisboa. O túnel que passa debaixo da Segunda Circular, junto ao Estádio da Luz, está encerrado. Há avarias em vários semáforos por toda a cidade. No Montijo, a Câmara Municipal encerrou várias escolas do concelho, pelo menos durante a parte da manhã. Também em Sesimbra há escolas fechadas e em Setúbal há registro de várias estradas alagadas por causa da chuva que tem caído nas últimas horas.
Importa também percebermos como está a situação na Baixa de Algés, uma zona com muito comércio e que costuma ser muito afetada pelas inundações.
Portas estanque nas montras dos estabelecimentos e comerciantes atentos aos alertas da Proteção Civil. É assim que enfrentam os dias de mau tempo nesta zona. A Nadine Soares está na baixa de Algés. Nadine, desta vez e para já, não há estragos a registar, mas os comerciantes, claro, estão preocupados.
Sim, a baixa de Algés é uma zona muito afetada pelo mau tempo, como diziam, mas esta manhã a rotina é relativamente normal, não há estragos nesta zona. Uma manhã normal, o que chama a atenção apenas são portas prateadas e pesadas que os comerciantes vão colocando nas portas e montras dos estabelecimentos. É o caso, por exemplo, de Carla Ferreira, de uma peixaria aqui na Baixa. Já está a atender clientes desde cedo, mas já tem as portas preparadas para prevenir estragos. À Rádio Observador, admite que nas últimas cheias, em 2022, perdeu muita mercadoria e eletrodomésticos. Dias depois, decidiu investir nestas portas estanque. Ora, estas ainda não foram testadas, mas já estão colocadas para o caso de acontecer alguma coisa. Carla Ferreira admite que apesar deste investimento nestas portas, não vai ser suficiente caso aconteça novamente uma cheia nesta zona.
Temos seis portas. Cada vez que há algum alerta da Proteção Civil, pomos sempre estas comportas para estanque d'água que venha de fora, porque há três anos, infelizmente, ela entrou sempre pela cave. Portanto, ela acaba por subir pela cave. Vai prevenir um pouco também os estragos, tudo o que possa vir na água e a água que vem de frente, porque o que tiver que entrar pela cave, entra na mesma.
O testemunho de Carla Ferreira, dona de uma peixaria aqui na baixa de Algés. A depressão Cláudia poupou, pelo menos para já, aqui esta zona, mas os comerciantes continuam bastante atentos e especialmente prevenidos para o resto do inverno. A chuva acalmou. Era o que também previa o IPMA, que a chuva ia começar a abrandar a partir das 9h. Parou de chover aqui em Algés e o cenário é de alguma calma. Começo de manhã, rotina aqui nos comerciantes, mas como dizia, também de muita prevenção.
A reportagem é em direta. Nadine Soares está agora na zona da baixa de Algés. É uma zona que é sempre muito afetada pelo mau tempo. Desta vez a situação não é tão crítica. Entretanto, o aviso vermelho em Setúbal foi prolongado até esta hora. Santarém passou também a aviso vermelho, é o nível máximo do IPMA. Só Vila Real e Bragança estão sob aviso amarelo. Os restantes distritos estão sob aviso laranja por causa da depressão Cláudia.
O climatologista Mário Marques explica que o fenômeno é habitual nesta época do ano, mas lança críticas à forma como o dinheiro público não tem servido para melhorar a prevenção das cidades.
Um pouco por todo o país, são várias as estradas inundadas que provocam constrangimentos. A questão não é de agora, como relembra Mário Marques. O climatologista critica a forma como têm sido utilizados os fundos públicos, que não têm criado resiliência nas cidades para fazer face a esse tipo de situações. Nesse aspecto, aponta que Portugal está muitos anos atrás de outros países da Europa.
Portugal, nos últimos anos, só tem gasto dinheiro em obras públicas e outras questões e que não pensam nos cidadãos. E quando pensamos nos cidadãos, é preparar as cidades, criar resiliência. Fala-se em ordenamento e planeamento do território, mas nunca se coloca nada em prática. Existe um subdimensionamento de toda a drenagem e escoamento subterrâneo, desde a separação de águas pluviais, de águas residuais nos principais centros urbanos. Mas em termos de dimensão de tubos de escoamento, é praticamente a mesma e as cidades cresceram. E cresceram em locais onde eram, por vezes, leitos de cheia. Nós entubamos as ribeiras, escondemos as ribeiras, construímos em cima de ribeiras e os outros países, já há mais de 30 anos, estão a fazer o oposto
O climatologista Mário Marques, convidado do Explicador desta manhã, alerta para a possibilidade destes eventos se intensificarem num futuro próximo. Entretanto, a circulação de comboios está suspensa entre o Entroncamento e Santarém, devido a uma avaria no sistema de sinalização e está condicionada também entre Pinhal Novo e Poceirão, por causa do abatimento de piso provocado pelo mau tempo.
Estamos também a atualizar todas as ocorrências relacionadas com a depressão Cláudia no site do Observador. Mudamos de tema. O secretário-geral do PS afirma que o primeiro-ministro deve explicações ao país sobre os problemas na saúde. José Luís Carneiro insiste que o governo está a falhar.
"A falhar abruptamente" é a expressão utilizada por José Luís Carneiro. Para o líder do PS, já nem deve ser a ministra da Saúde a falar, mas sim o próprio Luís Montenegro.
O primeiro-ministro tem o dever de responder. Perante a agudização dos números, verificamos palavras de estupefação da ministra da Saúde. Ora, isto não vai lá com estupefação, isto vai com capacidade de resposta. Já não se trata de um problema da ministra da Saúde, trata-se de um problema do primeiro-ministro.
Declarações de José Luís Carneiro aos jornalistas depois de uma reunião, ontem à noite, do Secretariado Nacional do PS. Além das urgências, José Luís Carneiro destaca, sobretudo, os elevados tempos de espera das cirurgias oncológicas.
Diogo Pacheco de Amorim considera que o Presidente da República deveria ter regressado imediatamente quando ouviu João Lourenço dizer que Portugal oprimiu e escravizou os angolanos durante o colonialismo. O deputado do Chega fala em deselegância por parte do presidente de Angola.
O Chega vai avançar com o voto de condenação no Parlamento por causa destas declarações durante as comemorações dos 50 anos da independência de Angola. André Ventura fez duras críticas ao presidente angolano nas redes sociais, críticas replicadas esta manhã por Diogo Pacheco de Amorim, entrevistado pela Rádio Observador.
João Lourenço tem o direito de dizer o que quiser e ter as opiniões que entender. Considero que é de uma deselegância a toda a prova fazê-lo diante do Presidente da República Portuguesa, que tinham convidado para a celebração dos 50 anos. Entendemos que o Presidente da República Portuguesa deveria ter manifestado claramente o seu desacordo, deveria ter pegado nele próprio e regressar a Portugal, e não o fez.
Diogo Pacheco de Amorim diz ainda que Angola está no estado em que está devido à corrupção do regime. O deputado do Chega entende que a colonização portuguesa foi mais positiva do que negativa para os angolanos.
Angola é potencialmente um dos países mais ricos do mundo. Agora, se está no estado em que está, em primeiro lugar, não aproveitou o que lá foi deixado por nós. Em segundo lugar, não há lá um desenvolvimento cabal. Em terceiro lugar, e deve-se a elites corruptas que governavam, têm estado a governar esses países. Atiram as culpas para uma colonização que todas as contas feitas e tudo somado deixou muito mais do que aquilo que retirou.
E entre os pontos positivos da colonização portuguesa, Diogo Pacheco de Amorim destaca as infraestruturas que Portugal deixou em Angola e noutras antigas colónias.
São agora 10:10. Já a seguir o Contracorrente. Primeiro, Carla, que outras notícias merecem destaque a esta hora?
A UGT deve formalizar esta tarde a decisão de aderir à greve de 11 de dezembro, convocada pela CGTP. A central sindical insiste que não tem havido negociação com o governo, por isso pondera aderir ao protesto. O governo tem lançado vários apelos públicos a pedir a desconvocação da greve. Reunião de emergência. O PSD Lisboa esteve reunido ontem à noite para analisar o resultado da eleição para a Assembleia Municipal de Lisboa. A informação é avançada ao Observador por Luís Newton, o presidente da concelhia social-democrata, e isto depois de Margarida Mano não ter sido eleita. Teve apenas 31 votos, quando o PSD, CDS e IL têm um total de 32 deputados municipais. Luís Newton fala numa união da esquerda para subverter o resultado eleitoral. Na atualidade internacional, a Rússia afirma que abateu esta noite 130 drones da Ucrânia. Já a principal empresa energética ucraniana denuncia ataques russos nas últimas horas. Há registo de danos e de falhas elétricas em várias zonas da Ucrânia. E voltamos ao mau tempo para dizer que, infelizmente, também afetou a emissão da Rádio Observador.
Estiveram embaixo várias frequências na Grande Lisboa esta manhã.
Pois foi. Entretanto, já nos consegue ouvir em 92.8 FM na Grande Lisboa.
E sempre on-line.
Claro.
observador.pt e sem todo o mundo.
Em princípio, nunca cai.
Em princípio, não cai.