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Vamos às notícias. Jornal das 10 com a Carla Jorge de Carvalho. Marcelo Rebelo de Sousa lembra que sem o 25 de Novembro não teria havido Constituição da República Portuguesa. Já Ramalho Eanes acredita que a decisão de voltar a comemorar a data vai ser recordada como historicamente oportuna.
Foram dois dos principais discursos que assinalaram o final da parada militar no Terreiro do Paço. Discursos que foram acompanhados pelo repórter Carlos Pedro, sendo que, Carlos, a mensagem de Ramalho Eanes acabou por ser lida por quem presidiu à Comissão para as Comemorações dos 50 Anos de 25 de Novembro.
Sim, Carla, o antigo presidente da República não conseguiu estar presente nesta cerimônia na Praça do Comércio, mas não quis, ainda assim, deixar de sublinhar a importância do momento. Teve de ser o tenente general Alípio Tomé Pinto a ler a mensagem de Ramalho Eanes, que lembrou o 25 de Abril como a data fundadora da democracia portuguesa. Ainda assim, olha para esta celebração do 25 de Novembro de forma oportuna, que diz contribuir para a dignificação do país.
Entendo que terá sido historicamente oportuna a decisão política e militar de rememorar o 25 de Novembro. Não se trata de celebrar a data ou de sublinhar nomes, mas sim de evocar a memória ativa, orientada para o futuro, e contribuir para a dignificação da instituição militar e da própria nação. O 25 de Abril é, consabidamente, a data fundadora da restauração da liberdade para os portugueses decidirem livremente o seu futuro através de eleições livres.
Um excerto da mensagem do general Ramalho Eanes, lida por Alípio Tomé Pinto. Uma mensagem curta, com pouco mais de dois minutos e meio. Ainda assim, durou mais do que o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa. Um discurso que, em bom rigor, não estava inicialmente previsto, mas que acabou por acontecer e de forma bastante breve. O presidente da República baseou quase todo o seu discurso na evocação do general Ramalho Eanes, precisamente. Marcelo lembra Eanes para dizer que novembro de 75 confirmou os valores da liberdade, da democracia e do Estado de Direito, mas também não esqueceu o tiro de partida para isso tudo, o 25 de Abril. Cá está.
Do capitão de Abril de 74, Abril sem o qual não teria havido Novembro de 75. Do chefe militar em Novembro de 75, Novembro sem o qual não teria havido a Constituição de 76. Do presidente, comandante supremo e chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas de 76, sem o qual não teria havido a transição da legitimidade revolucionária para a legitimidade democrática representativa eleitoral. Na sua pessoa, evoco os valores da liberdade, da democracia e do Estado de Direito.
O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a evocar o antigo presidente da República, Ramalho Eanes. De resto, esta foi uma cerimônia que durou sensivelmente uma hora. Começou com o hino nacional, depois as homenagens em honra dos militares que morreram no cumprimento das funções em defesa da pátria, a passagem dos caças F-16 aqui nos céus da Praça do Comércio, os discursos e ainda o desfile dos militares. Importa ainda dizer que algumas pessoas se juntaram aqui à volta da Praça do Comércio para assistir a esta parada militar. Não muitas, mas algumas pessoas curiosas. E de resto, as celebrações dos 50 anos do 25 de Novembro de 1975 continuam, agora na Assembleia da República.
Reportagem direto do Carlos Pedro nesta primeira fase das celebrações dos 50 anos do 25 de Novembro, com a parada militar no Terreiro do Paço. As celebrações que já contaram com o hino nacional, as salvas de artilharia e também, como ouvimos aqui através do Carlos Pedro, com uma homenagem a quem lutou e morreu pela pátria. Nestas cerimônias, à esquerda, só o PS marcou presença.
E Carla, as celebrações passam depois para o Parlamento a partir das 11h00.
Também aqui com uma ausência, será a do PCP, que já anunciou que não vai estar presente. Os comunistas dizem que não vão compactuar com uma operação que entendem que pretende menorizar o 25 de Abril. A estrutura da sessão será semelhante àquela que se fez há um ano para os 50 anos do 25 de Abril. Cada grupo parlamentar terá seis minutos para discursar. Cada deputado único terá três minutos para o fazer, com intervenções que começam por ordem crescente pelo JPP e vão terminar depois com o PSD. Em vez dos cravos vermelhos, a Assembleia da República vai estar decorada com rosas brancas.
E vamos acompanhar a sessão solene a partir das 11h00 aqui na Rádio Observador. Ainda antes, há o Contracorrente. O ministro da Defesa Nacional descreve o 25 de Novembro como uma data definidora da democracia em Portugal. Ainda assim, rejeita comparações com o 25 de Abril.
Nuno Melo é o ministro que ficou com a tutela da comissão criada para organizar estas comemorações. Ele recorda que os centristas sempre celebraram a data e vê com bons olhos que os novos partidos da direita parlamentar também agora o estejam a fazer.
E no que tem que ver com o 25 de Novembro, o fato é que o meu partido, o CDS, celebra todos os anos, sem exceção Eu diria praticamente há 50 anos. As polémicas, desde que sejam pela positiva e ajudem a ter o tema em destaque, não me incomodam nada. E que outros partidos mais recentes se aproximem daquilo que o CDS defendeu desde sempre, também.
Também não. Mas parece que há uma competição entre as duas datas, entre o 25 de Abril e o 25 de Novembro. Isso faz sentido?
Não há competição nenhuma, porque as datas são absolutamente complementares. Por que não há de ter uma celebração em abril e outra em novembro? Por que uma há de excluir a outra?
As perguntas deixadas por Nuno Melo na comissão de inquérito da Rádio Observador. O ministro da Defesa recusa que as celebrações do dia de hoje sirvam para dividir o país.
O facto do prego ter terminado não significa que não exista ainda aí muito prego. Eu admito que isso tenha, a dado passo, diminuído o ímpeto no que tem a ver com a intensidade da celebração de 25 de Novembro, que é realmente, para mim, uma data absolutamente definidora da democracia em Portugal. E eu não compreendo que um democrata, qualquer que seja, possa querer o 25 de Novembro esbatido, apagado, diluído. Quando se celebra a democracia e a liberdade, isso é assim mesmo, celebra-se.
Ainda assim, Nuno Melo rejeita comparar o 25 de Novembro ao 25 de Abril. Deixa também críticas ao Partido Socialista. Diz que há partidos que saíram vencedores do 25 de Novembro, mas que hoje parecem confrontados com a memória traumática da sua própria história.
E o programa Comissão de Inquérito com o ministro Nuno Melo já está disponível em podcast. O debate entre João Cotrim Figueiredo e Jorge Pinto esteve em análise esta manhã aqui na Rádio Observador. Carla, teve troca de acusações entre os apoiantes dos candidatos.
Paulo Muacho acredita que o discurso de Cotrim de Figueiredo espelha alguém que, na verdade, quer ser primeiro-ministro e não presidente da República. O apoiante da candidatura de Jorge Pinto diz que o candidato demonstrou que sabe os limites da intervenção presidencial, ao contrário de Cotrim de Figueiredo.
Não há uma tendência.
Não é este o som que queríamos ouvir, mas sim o de Paulo Muacho, apoiante de Jorge Pinto.
O candidato que falou para todos os portugueses foi Jorge Pinto, porque falou sobre a saúde, que é uma das maiores preocupações dos portugueses neste momento. E ao contrário, João Cotrim de Figueiredo, que levou o seu projeto de lei de bases da saúde, que apresentou propostas sobre como combater aquilo que ele chamou corrupção no SNS, são propostas normais dos partidos, de líderes partidários, de alguém que quer ser primeiro-ministro. Essa não é a visão do Jorge Pinto. O Jorge Pinto tem a noção que o presidente da República não governa.
Já Liliana Reis é apoiante da candidatura de Cotrim de Figueiredo e devolve a crítica. Diz que parece ser, afinal, o candidato apoiado pelo LIVRE, Jorge Pinto, quem vai abusar do poder presidencial ao ter admitido dissolver o Parlamento em caso de uma revisão constitucional.
Eu acho que o maior intervencionismo presidencial que ontem foi notório por parte do Jorge Pinto foi o facto de ele ter dito que poderia dissolver a Assembleia da República em caso de ser votada uma revisão da Constituição da República Portuguesa. Isto é que é efetivamente a captura, por parte do Presidente da República, e o excesso das competências do Presidente da República, nomeadamente ao nível da leitura dos períodos legislativos.
Os apoiantes das candidaturas de Cotrim de Figueiredo e de Jorge Pinto que estiveram esta manhã aqui no Explicador.
A marcar também esta manhã de terça-feira, 10 militares da GNR PSP foram detidos, isto no âmbito de uma operação da PJ contra a exploração de imigrantes no Alentejo.
A informação foi inicialmente avançada pela CNN, já confirmada pelo Observador, de acordo com uma fonte oficial da GNR. Além dos militares, há ainda civis detidos, num total de 20 pessoas. A operação tem a colaboração da GNR. É o que adianta a mesma fonte. Os suspeitos foram detidos em flagrante delito. Em causa está a exploração de hindustâni em propriedades agrícolas, com os suspeitos a serem indiciados por associação criminosa, tráfico de seres humanos, auxílio à imigração ilegal, fraude fiscal e branqueamento de capitais. A investigação da Judiciária está, sobretudo, centrada na região de Beja, mas decorre ainda noutras localidades. É uma notícia que vamos continuar a desenvolver.
Passam agora 12 minutos das 10. Antes do contracorrente, Carla, há outras notícias em destaque a esta hora.
Volodimir Zelensky é esperado nos Estados Unidos o mais cedo possível. Quem o diz é o chefe de segurança nacional da Ucrânia, que afirmou em declarações citadas pela Sky News que a visita vai ter como objetivo concluir as etapas finais do acordo de paz com Donald Trump. Entretanto, as autoridades russas informam que continuam abertas negociações com a Ucrânia para se chegar a uma solução diplomática. O porta-voz do Kremlin diz mesmo que a posição de Moscovo não mudou e que vê a participação dos países europeus como necessária. Em todo o mundo, durante o ano de 2024, a cada 10 minutos, uma mulher ou uma menina foram mortas por companheiros ou familiares. É o que pode ler-se no relatório das Nações Unidas, hoje divulgado. Do total de 83 mil assassinatos de mulheres ou raparigas no ano passado, 60% foram da autoria de familiares ou de companheiros. A Ordem dos Psicólogos lançou hoje dois documentos de apoio sobre violência psicológica, documentos que ensinam a identificá-la, a estar atentos a sinais de alerta e também a como procurar ajuda. No Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra Mulheres, a Ordem refere que a violência psicológica é mais frequente do que a violência física. Entretanto, foi quebrado um novo recorde do Guinness. E agora, o que poderá ser, João?
Não sei. Já há tanta coisa, não é? Às vezes até custa ser criativo.
Pistas: vem diretamente da China. Um robô percorreu 106 quilômetros e 217 metros.
Ena bem.
É muito.
Que robô esquisito é esse?
É um humanoide, tem exatamente uma estrutura que tenta ser semelhante à do corpo humano. Este robô está programado para cumprir todas as regras do Código da Estrada ao longo do percurso.
Muito bem. É obediente.
É obediente. E sabes quanto tempo é que demorou a percorrer estes 106 quilômetros e uns pozinhos?
Diz lá, Carla. Não estou a chegar lá.
Durante 24 horas. Esta empresa explica que o robô foi capaz de fazer isto graças a um sistema que lhe permite trocar as baterias enquanto continua a andar. Muito útil, isto é muito útil.
E não se cansou, de certeza.
E no meio disto ainda falou aos jornalistas.
Uau!
E disse que agora precisava de um novo par de sapatos.
É plausível.
É, entende-se.
Jornal das 10 com a Carla Jorge Carvalho.