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São 10 horas. Jornal das 10 com a edição de Carla Jorge Carvalho. Carla, o presidente da União das Misericórdias Portuguesas vai reunir-se com o coordenador do Pacto Estratégico para a Saúde na próxima semana.

Informação avançada por Manuel Lemos no explicador desta manhã. O presidente da República prometeu, ainda em campanha eleitoral, promover um pacto para melhorar o setor da saúde em Portugal. Para isso, nomeou como coordenador Adalberto Campos Fernandes, antigo ministro da Saúde. Manuel Lemos diz estar expectante com a reunião que vai ter com o coordenador do pacto. Saúda a ideia do presidente da República, mas admite também que a esperança no sucesso da medida não é total.

Esses pactos podem ser muito interessantes, a não ser que as pessoas que vão para os pactos tenham pressupostos ideológicos e o que lá vão dizer é o seu pressuposto ideológico. E se lá vão dizer o seu pressuposto ideológico, a esperança não é total. Nós, como não temos esse pressuposto, vamos lá de coração aberto dizer ao professor Adalberto Campos Fernandes o que nós podemos fazer e o que nós entendemos que deve ser feito para melhorar a saúde dos portugueses, nomeadamente para as pessoas mais idosas.

Manuel Lemos, que realçou ainda a boa relação com o presidente da República. O líder da União das Misericórdias Portuguesas adianta à Rádio Observador que vai reunir-se com o coordenador do Pacto Estratégico para a Saúde na próxima semana.

E o presidente da República dá hoje início às comemorações oficiais do Dia de Portugal, na Ilha Terceira, naquela que é a primeira deslocação de António José Seguro à Região Autónoma dos Açores, na qualidade de chefe de Estado.

A chegada de António José Seguro ao arquipélago está marcada para às 11h locais, meio-dia em Lisboa. Estas cerimônias do Dia de Portugal vão ser acompanhadas pelo repórter da Rádio Observador, Vasco Maldonado Correia, agora em direto. Vasco, como é que vai ser este plano das celebrações?

Chega daqui a duas horas, Carla, como dizias, e a primeira paragem dessa visita vai ser um encontro com a nova representante da República para o arquipélago dos Açores, que é natural daqui da Angra do Heroísmo, Susana Goulart Costa, que foi nomeada precisamente por António José Seguro. Depois, esta tarde, decorre a cerimônia do hastear da bandeira nacional no Pátio da Alfândega, bandeira essa que só vai ser recolhida ao final do dia de amanhã, ou seja, no final das celebrações do dia 10 de junho. Durante o resto da tarde do dia de hoje, estão ainda previstos dois outros pontos de agenda, estes sem a presença da comunicação social: o encontro com jovens na Praia da Vitória e também os cumprimentos do corpo diplomático ao presidente da República no Palácio dos Capitães-Generais. A noite vai ainda contar com um concerto e um espetáculo de fogo de artifício. A cerimônia militar do Dia de Portugal, Camões e Comunidades Portuguesas só acontece, claro, amanhã de manhã. Como habitual, é esperada a presença em peso das mais altas figuras do Estado e há a expectativa para dois momentos: um para o primeiro discurso de António José Seguro neste feriado, que costuma ser um momento marcante para qualquer presidência, mas também a intervenção de Miguel Morgado, que este ano preside às celebrações. Ele que é especialista em geopolítica e, por isso, com certeza, os discursos vão estar relacionados de alguma forma com a situação internacional e com uma questão que marca muito esta região, a utilização da Base das Lajes pelos Estados Unidos da América.

E por isso, razões acrescidas para olharmos com atenção a estas duas intervenções, os dois discursos de amanhã, que vão ser acompanhados pelo Vasco Maldonado Correia. Ele já está nos Açores, palco das celebrações do Dia de Portugal. Lembrar também que no âmbito destas celebrações, o presidente da República já esteve no Luxemburgo, reunido com a comunidade portuguesa no país, onde se juntou também ao primeiro-ministro.

E o INEM dispõe de uma situação orçamental, econômica e financeira em deterioração. É o que pode ler-se num relatório disponível online, homologado recentemente pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins.

O prejuízo do INEM aumentou para os 7,6 milhões de euros no ano passado. É o segundo ano consecutivo em que o instituto registra resultados negativos, depois de perdas de €340 mil em 2024. As principais causas apontadas: o aumento dos encargos com as transferências para os parceiros de mais de 37%, bombeiros e Cruz Vermelha Portuguesa. Além disso, também aumentaram os gastos com pessoal, mais de 26%, por causa do aumento do número de trabalhadores e também dos aumentos salariais que aconteceram no INEM e também nos parceiros.

E em dois anos de governação, o atual governo mudou dois terços das administrações hospitalares do país. Dezoito dos 26 presidentes são próximos do PSD e do CDS, e muitos deles substituíram no cargo militantes do PS.

Quase 70% dos novos gestores das unidades locais de saúde são próximos dos partidos que sustentam o governo liderado por Luís Montenegro. Entre os nomeados, há antigos deputados, presidentes de câmara que tiveram de interromper mandatosCandidatos autárquicos que foram nomeados semanas depois de falharem a eleição ou presidentes de estruturas locais do PSD. Mas, Carlos Pedro, nem todos têm experiência profissional de administração hospitalar.

Precisamente, Carla. Vários têm apenas experiência na direção de unidades de cuidados de saúde primários, mas há também outros sem qualquer formação ou experiência nas áreas de gestão e saúde. Certo é que todos os nomes foram aprovados pela CRESAP, a Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública.

Mas importa olhar para alguns dos exemplos. A nomeação mais recente de alguém próximo do PSD para dirigir uma ULS aconteceu no mês passado, foi para a região de Aveiro.

E o nomeado foi Ricardo Correia de Matos, enfermeiro. É um dos vários novos presidentes das Unidades Locais de Saúde que foi candidato às eleições autárquicas de outubro do ano passado. A liderar atualmente a ULS do Nordeste está, nesta altura, Miguel Abrunhosa. É presidente da concelhia do PSD de Bragança. Antes disso, ocupou funções como chefe de gabinete do então presidente da autarquia. Ainda o exemplo do Alentejo, com Carlos Mateus Gomes, que há menos de um ano estava em campanha para ser eleito presidente da Câmara de Arraiolos. Falhado o objetivo, foi nomeado para liderar a Unidade Local de Saúde do Alentejo Central. É militante do PSD há cerca de quatro anos.

Já do lado do governo, Carlos, a ministra Ana Paula Martins é perentória a rejeitar que estas nomeações tenham tido cariz político.

Disse-o na semana passada, no Parlamento, e também num artigo assinado no jornal Público. Em fevereiro do ano passado, foi taxativa ao afirmar que o PSD não manda nas nomeações para o Serviço Nacional de Saúde. Ana Paula Martins acusou até o Partido Socialista de ter pouca moralidade para fazer essa crítica. Lembrou que todos os 36 conselhos de administração das Unidades Locais de Saúde foram escolhidos por socialistas na altura do governo de António Costa.

Carlos Pedro, com as mudanças nos conselhos de administração das ULS, que não devem ficar por aqui. De acordo com declarações da direção executiva do SNS ao público, há atualmente seis administrações de Unidades Locais de Saúde que estão à espera de serem reconduzidas ou substituídas.

É um artigo que está em destaque a esta hora no site do Observador, tem assinatura do jornalista Miguel Pereira Santos. E a antiga ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, diz que saiu do governo porque não tinha os meios nem o conhecimento técnico para se manter no cargo.

É a primeira vez que Maria Lúcia Amaral fala publicamente desde que abandonou o cargo de ministra da Administração Interna, em fevereiro deste ano. A entrevistar à Antena 1, a ex-governante recorda a época dos incêndios do ano passado e também a tempestade Cristine, em janeiro deste ano, para explicar por que decidiu sair do governo.

Quando aconteceu o que aconteceu, quer no verão, quer depois no inverno, eu tive a noção de que não tinha meios, em toda a dimensão da palavra meios, os conhecimentos técnicos, o domínio do terreno, o conhecimento exato das pessoas, das corporações, até à sua ínfima particularidade, que estão no terreno, para reagir imediatamente com a velocidade que se requer ao contingente, ao imprevisível.

Maria Lúcia Amaral diz ainda que saiu do cargo de ministra também porque não tinha autoridade suficiente. A antiga ministra da Administração Interna garante, no entanto, que não se arrepende de ter feito parte do governo liderado por Luís Montenegro.

Dez horas e nove minutos. Antes do Contracorrente, Carla, que outras notícias estão a marcar a atualidade?

A Fundação Berardo não se conforma com o acórdão que confirmou a extinção da entidade criada pelo empresário madeirense e vem agora apontar inúmeras nulidades à decisão dos juízes conselheiros. A fundação exige, por isso, que seja proferida uma nova decisão por parte do Supremo Tribunal Administrativo, que extinguiu a Fundação Berardo por entender que não cumpria a função social a que se propunha. O tribunal concluiu que apenas 0,1% dos montantes da fundação era afeto à caridade social. Doze conselhos de Portugal continental estão hoje em perigo máximo de incêndio rural. O perigo é mais elevado em vários conselhos dos distritos de Faro, Portalegre, Santarém, Castelo Branco e Évora. O perigo de incêndio rural vai agravar-se a partir de amanhã, por causa do aumento das temperaturas. Apesar de terem parado as hostilidades entre Israel e o Irã, o exército israelita voltou a atacar o sul do Líbano esta manhã. Pelo menos oito pessoas morreram após um ataque aéreo numa área residencial. É o que estão a avançar as autoridades libanesas. Ao fim de mais de quatro anos de guerra, o presidente da Ucrânia afirma que o conflito parece estar finalmente a virar-se a favor de Kiev. Em entrevista ao jornal The Guardian, o chefe de Estado ucraniano diz que a Rússia está a perder influência em vários países. Diz que o Kremlin está sozinho e isolado.

Foi o Jornal das 10, com edição de Carla Jorge Carvalho.