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Na guerra na Ucrânia. É precisamente pela Ucrânia que começa este jornal do meio-dia, Luís Soares. A Ucrânia usou pela primeira vez um míssil norte-americano de longo alcance para atingir um alvo dentro do território russo.

É uma informação avançada pela agência ucraniana RBC, que cita uma fonte das Forças Armadas Ucranianas. O ataque foi direcionado a um alvo perto da cidade de Karachev, na região de Bryansk, e de acordo com a mesma fonte, foi bem-sucedido. Trata-se de um alvo a cerca de 130 km da fronteira ucraniana, armazém onde a Rússia guardaria vários tipos de armamentos e de munições. No comunicado oficial não consta a referência aos mísseis norte-americanos, mas essa fonte refere o uso de um míssil ATACMS, que atingiu o alvo russo com sucesso. Antes, tinha sido noticiado que Vladimir Putin assinou um decreto que alarga o conjunto de cenários em que a Rússia considera o recurso a armas nucleares. Deste conjunto de cenários, passa a fazer parte um ataque por parte de um Estado não nuclear, mas com o apoio de um Estado nuclear, onde se inclui, naturalmente, a Ucrânia.

E no dia 1000 da guerra, o presidente ucraniano reforça a importância da Europa continuar com sanções fortes à Rússia.

São palavras de Volodymyr Zelensky, hoje, no plenário do Parlamento Europeu, em que participou através de videoconferência, surgem depois dessa autorização de Putin para o uso alargado de armas nucleares. Volodymyr Zelensky agradeceu o apoio europeu e apelou a uma forte repressão contra as ameaças de Moscovo, sobretudo através de sanções às vendas de petróleo russo.

"A paz é o que mais desejamos. Há dois anos propusemos uma fórmula de paz e eu agradeço a toda a Europa e a todos os parceiros que a apoiaram. O Parlamento Europeu foi dos primeiros a apoiar a fórmula de paz. O único a opor-se foi aquele que deu início à guerra: a Rússia. Temos de fazer com que a Rússia avance para uma paz justa. Qualquer ameaça da Rússia tem de se deparar com sanções firmes. Durante mil dias foi essencial reduzir a capacidade da Rússia financiar a sua guerra através da venda de petróleo. Enquanto essas vendas continuarem, Putin vai continuar a matar. Sanções fortes são essenciais".

Volodymyr Zelensky, em declarações por videoconferência esta manhã no Parlamento Europeu. O presidente ucraniano sublinhou que o próximo ano vai ser decisivo para determinar quem vence o conflito. Antes falou também a presidente do Parlamento Europeu. Roberta Metsola sublinhou a coragem do povo ucraniano, aproveitou para reforçar também o apoio ao país. Diz que a Europa vai continuar ao lado da Ucrânia o tempo que for necessário. O mesmo sublinharam também a presidenta da Comissão Europeia e o presidente do Conselho Europeu. Há instantes, também na rede social X, o primeiro-ministro português manifestou a solidariedade de Portugal para com o povo ucraniano ao fim de mil dias de guerra à democracia, ao humanismo e ao direito internacional. É o que escreve Luís Montenegro.

E no Médio Oriente, o enviado especial dos Estados Unidos para o conflito entre Israel e o Hezbollah afirma que há uma janela de oportunidade para o cessar-fogo.

Ele viajou até Beirute, a capital do Líbano, para negociar a proposta de cessar-fogo na região, numa conferência de imprensa, depois de se reunir com o presidente do Parlamento libanês. Uma reunião que diz ter sido produtiva. O diplomata norte-americano considera que o cessar-fogo está agora ao alcance dessas duas partes. Deixa também claro que está nas mãos dessas duas partes chegarem a uma conclusão. Diz ainda que espera que nos próximos dias seja tomada uma decisão. Na mesma conferência de imprensa, o diplomata norte-americano afirma também que está totalmente empenhado em trabalhar com os governos de Israel e do Líbano para chegar a um consenso.

E os sindicatos da função pública começam a reagir às propostas do governo para o setor. Dizem que não vem aí a desgraça que muitos anunciavam.

É o caso da Frente Sindical da Administração Pública, à saída da reunião no Ministério das Finanças. O secretário-geral da FESAP foi o primeiro a ser ouvido pela Secretária de Estado da Administração Pública. Isto depois do PCP, do Bloco de Esquerda e do PS se terem mostrado contra alterações à lei da administração pública. Alterações que começam a ser discutidas hoje com os sindicatos. Na reação à saída do Ministério das Finanças, Inês Batista, José Abrão deixou esse aviso de que se o governo tivesse sido mais claro, não se teria criado qualquer alarme social.

O secretário-geral da FESAP fala em alterações mínimas, propostas do governo à lei da função pública relativas à greve, férias, mobilidade e doença. Como dizias, geraram discórdias entre partidos. PS, Bloco, PCP mostraram-se contra o texto entregue pelo Executivo no Parlamento, mas o secretário-geral da FESAP deixa aqui esse aviso. Considera que se o governo tivesse sido claro e transparente nos textos que deram entrada no Parlamento, não haveria alarme social sobre este tema. José Abrão diz mesmo que o Executivo Luís Montenegro se pôs a jeito.

Fomos a esta reunião com a expectativa de que pudesse ser esclarecido e densificado aquilo que estava previsto nos pedidos de autorização legislativa. O governo entregou-nos um documento com a proposta daquilo que quer alterar e chegamos à conclusão que se tivesse havido mais preocupação, mais transparência e mais informação nos textos que deram entrada no Parlamento, talvez se evitasse a especulação que se foi fazendo no tempo relativamente às medidas que nos são propostas.

José Abrão diz que as propostas do governo só não são inócuas porque criaram alarido social. Ressalva que a FESAP tem obtido bons compromissos junto do Executivo Luís Montenegro, mas que há coisas assentes no voluntarismo que não ajudam nada. José Abrão adiantou aos jornalistas essas propostas de alteração. Sobre a greve, a única alteração é que deve passar a ser comunicada à Direção-Geral da Administração e Emprego Público, de preferência por via eletrónica. Sobre as férias, José Abrão ressalva que têm sido geridas de forma responsável, mas aconselha que sejam repostas as férias frias, três dias extra atribuídos a quem tirava férias nos meses mais frios, que foram extintos no período da Troika. Isto porque o governo quer fazer uma alteração para que as férias de verão não sejam tiradas todas ao mesmo tempo por parte dos trabalhadores. Sobre a doença, a alteração é que poderá haver justificação por doença no local de trabalho, por parte de privados. A FESAP foi a primeira a ser ouvida. A Frente Sindical está ainda a ser ouvida a esta hora. Estas reuniões estão atrasadas e a Frente Comum, Luís, já chegou e aguarda essa reunião com o Ministério das Finanças.

Inês Batista, aqui em direto do Ministério das Finanças. Ela que está a acompanhar estas reuniões dos sindicatos da função pública sobre as alterações à Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas. Para já, a FESAP diz que não vem aí qualquer desgraça.

E a antiga ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, avisa o governo: flexibilizar o mercado de trabalho não é a solução.

Fala mesmo num retrocesso para a sociedade. A deputada socialista esteve esta manhã na Comissão de Inquérito da Rádio Observador. Falou sobre essas propostas do governo para não alterar os regimes de férias, greve, doença e mobilidade na função pública. Ana Mendes Godinho rejeita as intenções do Executivo.

Tudo o que seja, neste momento, voltar atrás nas conquistas dos trabalhadores, acho que é um ataque à sociedade e ao modelo social que nós criámos. Quando eu ouço dizer, nomeadamente, que flexibilizar, isto tem a ver também com flexibilizar. Que flexibilizar é o caminho, eu acho que é exatamente o contrário. Ou seja, dito de outra forma, é verdade que cada vez mais é importante as pessoas conseguirem conciliar a sua vida pessoal, familiar e profissional, naturalmente, e isso em diálogo entre os trabalhadores, entre as organizações, evidente. Mas flexibilizar modelos de trabalho é o caminho errado.

Ana Mendes Godinho, antiga ministra do Trabalho do governo de António Costa, não fecha também a porta a uma possível candidatura nas próximas autárquicas. Diz que vai servir para onde for mais útil ao Partido Socialista.

Meio-dia e oito, Luís, que outras notícias vão marcando a atualidade?

A Polícia Judiciária está a fazer buscas na Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. É uma informação avançada pelo Correio da Manhã e confirmada já pelo Observador, pelo adjunto do presidente da autarquia. Fernando Paulo Ferreira revela que até o momento não tem conhecimento do motivo das buscas, mas confirma que elementos da Judiciária estão no local a recolher material e também informações. A taxa de inflação na zona euro fixou-se nos 2% em outubro, uma subida face aos 1,7% registados em setembro. Quanto aos 27, o Eurostat confirma também uma taxa de 2,3%, também acima do valor registado em setembro. A Eslovénia, a Lituânia e a Irlanda registaram as menores taxas de inflação em outubro. Roménia, Bélgica, Estónia e Polónia, as mais altas. Foi desconvocada a greve de funcionários da ASAE. Na semana passada, o governo assegurou adaptar o sistema de avaliação à carreira especial de inspetor e agendou novas reuniões para negociar as restantes reivindicações dos trabalhadores. À Agência Lusa, o presidente do sindicato diz ter ficado muito surpreendido com a atitude do governo. A próxima reunião está marcada para dia 29 de novembro. O médio português João Palhinha sofreu uma rutura muscular no adutor direito ao serviço da seleção portuguesa. Vai desfalcar o Bayern de Munique nas próximas semanas. A informação foi avançada pelo clube da Liga Alemã de Futebol. Na quinta-feira, a Federação Portuguesa tinha anunciado que o jogador iria falhar os jogos de Portugal com a Polónia e com a Croácia das duas últimas jornadas da Liga das Nações.

Ponto final no jornal do meio-dia com a edição do Luís Soares.