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Jornal do Meio-Dia com a edição do jornalista Miguel Vieira. Miguel, a economia portuguesa cresceu 2,4% no terceiro trimestre do ano.
Na comparação com o mesmo período do ano passado. É isso que acaba de revelar o Instituto Nacional de Estatística, um indicador que está em linha com a previsão do governo, que antecipa um crescimento do PIB no final do ano de 2,3%. Face ao trimestre anterior, também se regista uma subida da economia: 0,8%.
Mas Miguel, o que é que contribuiu efetivamente para este crescimento da atividade económica?
Acima de tudo, a procura interna, aqui incluídos o investimento e o consumo privado. A procura externa líquida continua a pesar de forma negativa, mas menos negativa do que no trimestre anterior. Houve uma queda das importações de bens e serviços e um aumento das exportações.
E o INE também avança com dados do desemprego no mês de outubro.
Voltou a baixar, Maria. Em setembro era de 6%, agora situa-se nos 5,9%, corresponde a pouco mais de 330 mil desempregados.
O PSD avisa: a isenção nas portagens em algumas autoestradas pode conduzir a um aumento dos impostos.
É o que sugere o deputado Gonçalo Lage, foi um dos convidados do Explicador desta manhã. Ontem o Orçamento do Estado foi aprovado com algumas medidas que não são do agrado do governo, o caso da isenção de portagens em cinco autoestradas, medida aprovada com os votos do PS e do Chega. Gonçalo Lage avisa: o dinheiro não cai do céu e para evitar o déficit orçamental, o governo pode ver-se obrigado a aumentar impostos.
Se nós tiramos dinheiro de um lado, é óbvio que ele tem que ser substituído do outro. E depois há duas formas: ou se cria déficit ou se vai ter que aumentar a receita. Qualquer um consegue perceber isto, dizer que tem que aumentar impostos, das coisas mais básicas que existem. E efetivamente, é verdade que neste caso em concreto, merecia que fosse feita uma reflexão estratégica nacional de todo o sistema, de todo o financiamento, da ferrovia, da rodovia, e quem paga e quem não paga, porque não podemos continuar a abolir portagens de valores de sete e oito mil milhões de euros numa legislatura.
A crítica de Gonçalo Lage a esta medida com impacto nos cofres do Estado.
Já o deputado do PS, Frederico Francisco, explica que há um racional nesta medida de abolição de portagens em alguns troços.
O socialista sublinha que foi o PS, precisamente, que começou a reduzir os custos das portagens ainda quando estava no governo, tendo em vista o que define como uma otimização de recursos.
Nós não colocamos em causa o princípio do utilizador pagador. O que há aqui é um conjunto de medidas e um conjunto de situações específicas, vistas caso a caso, em que nós temos autoestradas com um tráfego muito baixo, onde há um excedente de capacidade e onde a existência de portagens pode estar a contribuir para desviar tráfego para estradas nacionais, sobrecarregando essas estradas nacionais e, portanto, pode até colocar-se como uma forma de otimizar a utilização das infraestruturas que existem.
A justificação de Frederico Francisco, do Partido Socialista, para esta proposta do PS de isenção de portagens em alguns troços de autoestrada.
Já o Chega quer, neste capítulo, que Portugal se pareça mais com Espanha, Miguel.
Sim, é isso que defende João Ribeiro.
Eu vou dar um exemplo concreto. Eu sou do interior do país, de Castelo Branco, e eu, em Castelo Branco, por uma ótica que acabo de dizer, que eu não concordo, eu também pago tantos portos públicos de Lisboa e não os uso. Mas as coisas não são assim literalmente que funcionam. O Chega defende uma ideia de abolição de portagens à linha do que já acontece em todo o resto da Península Ibérica. Eu recordo que em Espanha, as autoestradas, quando acaba a concessão, as portagens são eliminadas. Nós temos menos de meia dúzia de estradas em Espanha que ainda são pagas.
Facto salientado por João Ribeiro, deputado do Chega, que com Frederico Francisco, do PS, e Gonçalo Lage, do PSD, participaram no Explicador desta manhã dedicada a este tema da isenção de portagens em algumas autoestradas, medida aprovada contra a vontade do governo.
Olhamos agora para as presidenciais. João Cotrim Figueiredo está indignado com os resultados da sondagem que o colocam em quinto na corrida à Belém. O candidato apoiado pela Iniciativa Liberal questiona os dados.
Em causa a sondagem divulgada ontem à noite, feita pelo ICS, ISCTE, e noticiada pela SIC Expresso. O inquérito coloca Henrique Gouveia e Melo e André Ventura na segunda volta das presidenciais, Luís Marques Mendes em terceiro, António José Seguro e João Cotrim Figueiredo em quinto, com apenas 5% das intenções de voto. O candidato não gostou destes resultados e nas redes sociais questiona o inquérito.
Essa sondagem que acaba de sair na SIC e no Expresso é absolutamente inacreditável. Este resultado é inferior àquele que eu tinha nas sondagens antes de anunciar a candidatura. E das duas uma: enganaram sem querer ou enganaram de propósito. Se enganaram sem querer, é grave, porque é incompetência, não seria impossível, porque esta empresa de sondagem sempre subestimou os meus resultados. Há três semanas do ato eleitoral das europeias, deram menos de metade do resultado que efetivamente tive. E se é por um erro de propósito, pior ainda. É para quê? É para gerar aqui um clima de favorecimento de voto de alguma candidatura? Diga-me a sua opinião. Isto é inacreditável.
Aqui há gato, sugere João Cotrim Figueiredo. Já Luís Marques Mendes está confiante que vai chegar à segunda volta das eleições presidenciais. Em entrevista à CMTV, o candidato apoiado pelo PSD diz que apesar dos resultados não serem favoráveis, aparece em terceiro nesta sondagem. A verdade é que Marques Mendes até tem razões para estar satisfeito.
Esta sondagem, como as anteriores, deixa-me muito satisfeito e confortável, porque é assim: em fevereiro, quando avancei para a candidatura, sabe quantos pontos de atraso eu tinha em relação a Gouveia e Melo? 21. Neste momento, a diferença está em dois pontos
Estamos no domínio de um empate técnico. Três candidatos no domínio de um empate técnico. Dois deles hão de passar à segunda volta, um deles não passará. E eu acredito que passarei à segunda volta. Por quê? Porque eu tinha 21 pontos de atraso e tenho vindo sempre a recuperar, numa tendência de subida. Portanto, estou satisfeito.
É o que diz Luís Marques Mendes em reação a esta sondagem do ICS/IST para a SIC e para o Expresso, que colocam Luís Marques Mendes em terceiro lugar, Henrique Gouveia e Melo e André Ventura nas duas primeiras posições.
Miguel, entretanto, há desenvolvimentos na Operação Marquês. Afinal, Pedro Delile continua a ser advogado de José Sócrates, mas num processo secundário. É uma situação que pode levar a um novo atraso no julgamento.
Pedro Delile renunciou no início deste mês ao mandato de advogado de José Sócrates no processo principal da Operação Marquês, mas continua a representar o antigo primeiro-ministro num processo secundário, sendo que o advogado está a tentar juntar este processo secundário ao processo principal. Se conseguir, pode conduzir a mais um atraso no andamento do julgamento da Operação Marquês.
Esse processo secundário nasceu da decisão instrutória do juiz Ivo Rosa e o Observador confirmou que aqui não houve qualquer renúncia de Pedro Delile.
Sim, há também um requerimento apresentado neste processo secundário, com a assinatura digital de Delile, com a data de 20 de novembro, ou seja, 16 dias depois da renúncia do processo da Operação Marquês. O advogado continua a representar José Sócrates. O Observador tentou contactar Pedro Delile. Não obtivemos resposta.
Na política internacional, Donald Trump avisa que as incursões terrestres na Venezuela vão começar muito em breve, com o objetivo de parar a entrada de droga da América Latina nos Estados Unidos.
Uma ameaça feita ontem à noite. O presidente dos Estados Unidos afirma que quer travar os traficantes de droga venezuelanos e que fazê-lo por terra é mais fácil. Na análise a esta declaração, o historiador Bruno Cardoso Reis fala numa exibição de poder militar para assustar o regime de Nicolás Maduro e levá-lo a sair voluntariamente do poder.
O que parece mais provável será algo do tipo do Irão, ou seja, ataques aéreos contra bases militares, contra elementos ligados ao regime e, eventualmente, algum tipo de ação também em terra, com forças especiais, com os Marines, etc. À partida, mais localizado. Mas eu diria que o mais provável parece ser, pelo menos para começar esta questão de ataques aéreos, até porque Donald Trump foi eleito com a promessa de que não se ia envolver em mais conflitos armados.
Bruno Cardoso Reis, convidado do Gabinete de Guerra desta manhã. Nicolás Maduro já veio pedir aos elementos da Força Aérea que estejam em alerta, prontos e dispostos a defenderem os direitos da Venezuela.
O jornalista Miguel Ribeiro com as notícias que marcam a atualidade é o ponto final no jornal de meio-dia.