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Rádio Observador. Começa agora o Jornal do Meio-Dia, edição do jornalista José Rafael Lopes. José, o secretário-geral do Partido Socialista admite não ter medo de eleições e sobre as polémicas em volta de Luís Neves, considera anormal que o atual governo já tenha tido tantos problemas com tantos ministros.
José Luís Carneiro esteve esta manhã no Sob Escuta da Rádio Observador e sobre a possibilidade de o país ir a eleições legislativas antes do previsto, o líder do PS garante que o partido está pronto para servir os portugueses quando surgir a oportunidade.
O Partido Socialista será parte responsável para garantir estabilidade política ao país, mas não teme as eleições.
Isso quer dizer o quê, exatamente?
Quer dizer que o Partido Socialista se tem vindo a preparar para ser uma alternativa, para responder aos cidadãos.
E já está pronto.
Há um ano que tenho e que temos equipas diversificadas.
Já está pronto.
O Partido Socialista é um grande partido que tem capacidade de convocatória para servir o país quando os portugueses assim o entenderem. Não é por nós que haverá crise política.
O secretário-geral do PS, que sobre as escolhas em polêmica do atual ministro da Administração Interna, critica a escolha de Luís Montenegro e reitera que tem sido o governo o principal fator de instabilidade política, com culpas no primeiro-ministro.
O Luís Montenegro é o principal responsável por tudo quanto se tem vindo a passar. E por quê? Eu devolvo com uma pergunta: é normal ter tantos problemas com tantos ministros? Não é normal falharem tantos membros do governo, falharem nas funções de soberania, na gestão de crise. A gestão de crise tem sido um falhanço completo do governo. O que isso significa? Significa que não há liderança do governo. Porque a liderança do governo, um líder do governo, um primeiro-ministro, tem o dever de antecipar. Aquilo que eu tenho lido é que há um governo em dissolução, em anarquia, na forma como funciona.
Sobre o orçamento de Estado, José Luís Carneiro recorda as palavras do presidente da República, quando disse que não seria nenhum drama se o país tivesse de ser governado em duodécimos. Ainda assim, José Luís Carneiro aponta para insuficiências no que toca à verba destinada para a saúde.
Não haverá drama. É evidente que gerir em duodécimos não é o mesmo que gerir com o orçamento aprovado. Por quê? Porque gerir em duodécimos significa gerir por conta do exercício do ano anterior. E sabemos que o exercício do ano anterior, por exemplo, é insuficiente em relação à área da saúde.
José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, no Sob Escuta da Rádio Observador. A entrevista na íntegra já está disponível em podcast.
António José Seguro está preocupado com o impacto que a polêmica em volta de Luís Neves pode ter na Polícia Judiciária. O presidente da República quer salvaguardar a honra das instituições sem pôr em xeque a relação com o primeiro-ministro e deve falar nos próximos dias.
O Observador sabe que o presidente da República passou os últimos dias a fazer contactos para perceber a real dimensão da polêmica e não terá gostado do que ouviu. António José Seguro poderá reagir de voz nos próximos dias e a estratégia já está definida. O presidente da República vai, sobretudo, defender a importância de preservar a dignidade das instituições, como a Polícia Judiciária, ou seja, vai mostrar desconforto perante a polêmica, mas sem pôr em causa a relação de lealdade institucional com o primeiro-ministro. António José Seguro quer evitar o que Marcelo Rebelo de Sousa fez com António Costa, quando exigiu publicamente a demissão de João Galamba em 2023.
E o Partido Socialista vai pedir a presença do ministro da Educação na Comissão Permanente do Parlamento.
Anúncio feito esta manhã pelo dirigente Marcos Perestrello, que explica que o PS vai apresentar o requerimento hoje na reunião de conferência de líderes.
O Partido Socialista vai hoje requerer a presença do ministro da Educação na Comissão Permanente a fim de prestar esclarecimentos sobre o modo como pretende resolver as iniquidades que subsistem no processo de exames de recrutamento e de acesso, sobretudo no que respeita às dificuldades que têm vindo a ser constatadas nas áreas do ensino.
Marcos Perestrello, que espera que não haja resistência dos partidos do governo para travar esta audição a Fernando Alexandre, o ministro da Educação.
E fazemos agora um ponto de situação dos incêndios no país. O incêndio de Valpaços é, por esta hora, combatido por 900 operacionais, apoiado por 300 viaturas e seis meios aéreos.
O incêndio começou terça-feira, em Valpaços, no distrito de Vila Real, mas já chegou aos concelhos de Mirandela, Vinhais e Macedo de Cavaleiros, no distrito de Bragança. Por esta hora, a maior preocupação é a única frente ativa, que lavra nos concelhos de Mirandela e Vinhais. As três frentes já estavam ativas durante a noite no concelho de Valpaços, estão em fase de rescaldo. O comandante regional do Norte da Proteção Civil diz que durante a noite não arderam casas nem se registaram feridos. Algumas pessoas foram, no entanto, assistidas. Já o incêndio em São Domingos, no concelho de Chaves, junta por esta hora cerca de 150 operacionais, 50 viaturas e dois meios aéreos. O fogo começou no início da tarde, tem por esta hora uma frente ativa. Estes dois incêndios a norte do país, no distrito de Vila Real, estão separados por 30 km.
Seguimos com as notícias. Os lucros do BPI caíram 13% nos primeiros seis meses do ano.
É o que revelam as contas que foram divulgadas hoje num relatório enviado à Comissão de Mercado de Valores Imobiliários. O banco registou, em comparação com o mesmo período do ano passado, uma redução de 35 milhões de euros nos lucros, em queda para um resultado de 239 milhões. A quebra é explicada por dois fatores, diz o BPI, os ganhos no primeiro semestre e a reclassificação contabilística da participação no banco
Na atualidade internacional, subiu para 27 o número de migrantes mortos depois de tentarem chegar a Ceuta. Nos últimos dias, mais de 40 mil pessoas tentaram entrar ilegalmente em Espanha. As imagens mostram jovens a chegar a nado apenas com a roupa que levavam no corpo.
Os números são avançados pelas forças de segurança de Espanha. Este movimento migratório em massa dura já há mais de 10 dias. O caso levou ao colapso dos serviços de acolhimento da cidade e o exército foi chamado a intervir. A enviada especial a Ceuta do Observador, Inês André Figueiredo, relata um cenário de total desespero.
A chegada aqui a Ceuta é avassaladora. Logo que saímos do porto, vimos um número incontável de pessoas na rua a caminhar, aparentemente sem rumo, pessoas a dormir sentadas no chão, em muros. A imagem que descreve melhor o que estamos a ver é quando termina um grande evento, como um concerto, e há pessoas por todo o lado. Nem sequer é possível ver algumas das estradas. São maioritariamente homens e vêm sem nada, só com as roupas que têm no corpo. Muitos estão descalços, outros de chinelos e de sapatilhas, mas há mesmo muita gente descalça, claramente sem nada, sem bens, sem malas e aparentemente sem destino. E neste momento, a viagem desde o ferry até ao ponto de fronteira entre Marrocos e Espanha, por onde está a entrar mais gente, fizemos de carro, durou cerca de 15 minutos e acabámos de estacionar. Nesse ponto, há dezenas de tanques parados na estrada, centenas de pessoas e muita gente a chegar a todo momento.
O relato da Inês André Figueiredo, enviada especial a Ceuta, em conjunto com o fotojornalista e editor de fotografia do Observador, João Porfírio. Pedro Sánchez já está em Ceuta. O primeiro-ministro espanhol chegou há minutos à zona fronteiriça de Tarajal, o epicentro desta crise. Diz Pedro Sánchez que a integridade de Espanha e as fronteiras foram postas em causa e que o governo espanhol vai utilizar todos os meios para garantir a segurança. São declarações que contamos trazer ao longo da tarde informativa na Rádio Observador. Entretanto, o Chega pediu a suspensão temporária do espaço Schengen, o protocolo que permite o livre-trânsito entre os países que fazem parte do espaço Schengen. E Ursula von der Leyen também já reagiu a esta crise migratória em Ceuta. Pediu, a presidente da Comissão Europeia, o fim das travessias ilegais para evitar mais tragédias.
E José, agora com 10 minutos para lá do meio-dia, que outras notícias marcam a atualidade?
Mais de 300 pessoas foram detidas em França por suspeitas de incêndios criminosos. Anúncio feito pelo ministro francês da Administração Interna, citado pelo jornal Le Figaro. Entre os detidos, 33 pessoas ficaram em prisão preventiva. Há 120 menores entre os suspeitos de serem incendiários. A Euribor subiu hoje nos três prazos e termina julho com a média mensal também alta. A taxa a três meses ficou nos 2,5%, a seis meses nos 2,7% e a 12 meses nos 2,9%. A Euribor a seis meses, que é o mais utilizado em Portugal no crédito à habitação, teve uma média mensal de 2,6%. E demitiu-se o conselho sênior de Gianni Infantino na FIFA, depois de anunciado os planos para a criação de uma nova empresa que deve passar a gerir o lado comercial dos Mundiais. A notícia é avançada pela Sky News. Trata-se de Carlos Cordeiro, que foi presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos e vice-presidente da Goldman Sachs. Renuncia agora ao cargo de conselheiro sênior da FIFA por não concordar com a estratégia do organismo.
E é o ponto final no jornal do meio-dia, edição de José Rafael Lopes. Já a seguir temos "Vices e Azar". Até já, José.
Até já.