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Jornal da UMA, na Rádio Observador, com edição do Miguel Videira. Miguel, abrimos este jornal da UMA, na Rádio Observador, com os técnicos da Segurança Social que já estão no Lar da Lourinhã, sob o qual recaem suspeitas de maus-tratos a utentes.
Um caso que foi noticiado ontem pela SIC e que dava conta de várias irregularidades denunciadas por uma ex-funcionária. O caso da utilização das mesmas luvas durante a assistência a vários utentes, também idosos com feridas por tratar, banhos de água fria, alimentação inadequada e falta de cuidados de higiene. Confrontada com o caso esta manhã, a ministra Ana Mendes Godinho prometeu agir e com caráter de urgência.
Naturalmente, o que eu pedi foi uma inspeção imediata, uma fiscalização imediata, urgente, à situação do lar, para perceber o que se passa, porque acho que o que nos tem de mover a todos é a proteção das pessoas. E naturalmente verificaremos tudo o que se passa. Tem sido sempre essa a nossa preocupação. Temos trabalhado sempre a dois níveis: verificar as condições dos lares existentes, uma aposta muito grande no investimento também de novas respostas.
A ministra Ana Mendes Godinho esta manhã. O Observador contactou o Lar Delicado Remínio, na Lourinhã. A administração da instituição recusou prestar esclarecimentos com o argumento de que a direção estava reunida.
E o ex-ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, critica a mudança de posição de Marta Temido em relação ao setor privado. Afirma que é de alguém que quer viver da política.
Durante o exercício do cargo, Marta Temido criticou por diversas vezes o sistema particular e agora, em entrevista na passada semana, a antiga titular da pasta da Saúde valorizou o papel do setor privado e social durante a pandemia, ao dizer que foram essenciais para responder à Covid-19. Adalberto Campos Fernandes diz que a postura de Marta Temido é um exemplo do que tem promovido a degradação da política em Portugal.
Isso é o pior que a política tem, infelizmente, toca os partidos todos, toca os agentes todos, enfim, sobretudo aqueles que têm a ambição de viver dentro da política e transformar a sua vida em vida política, muitas vezes caem nessa tentação, seja do PS, do PSD, do CDS, do Bloco de Esquerda ou de qualquer outro partido. A política hoje, nos tempos modernos, vive muito aquela ideia de que é o momento e que o que se diz hoje, amanhã já não é recordado, e que o que se fez hoje, amanhã já não tem consequências. E é por isso que os jovens e os mais diferenciados se afastam tanto da política, porque esta ideia de que eu posso prometer algo agora e não cumprir, ou eu posso cometer um erro e não pedir desculpa, isso torna, de facto, para os mais jovens, sobretudo, a política insuportável.
As críticas de Adalberto Campos Fernandes, que não ficam por aqui. O ex-ministro diz também que a pandemia, ao contrário do que é afirmado, não foi gerida de forma positiva.
Não se criem mitos urbanos, sobretudo muitas coisas que aparentemente terão sido muito bem feitas e de facto não foram muito bem feitas.
Que mitos urbanos podem ser esses?
Por exemplo, a ideia de que Portugal geriu extraordinariamente bem a pandemia. Isto é de uma injustiça enorme para o elevado número de pessoas que perderam familiares, porque Portugal teve uma das taxas de mortalidade, em termos absolutos, maiores dos países desenvolvidos. E aqui há uma falha coletiva, não apenas do sistema de saúde, das respostas sociais, o apoio às famílias, o isolamento dos idosos, as comorbilidades. Nós somos hoje o segundo país mais envelhecido da Europa. Ora bem, nós não podíamos ter em relação à pandemia ou qualquer outra problemática relacionada com o apoio sanitário ou social, a mesma postura que têm países que não têm este problema demográfico de pobreza e de isolamento.
Adalberto Campos Fernandes, ex-ministro da Saúde, que aqui era questionado pelo jornalista do Observador, Carlos Jorge de Carvalho. Adalberto Campos Fernandes foi o convidado do programa Contracorrente da Rádio Observador.
E à passagem dos três anos do aparecimento dos primeiros casos de Covid-19 em Portugal, Álvaro Beleza diz que há ainda lições a tirar.
O presidente da SEDES, Álvaro Beleza, afirma que uma das lições que saíram da pandemia foi a necessidade de reorganizar o Serviço Nacional de Saúde e elogia a criação da direção executiva do SNS. Mas lamenta, ao mesmo tempo que, por exemplo, os lares de idosos estejam debaixo de um ministério diferente do Ministério da Saúde.
Os lares, as IPSSs, são entidades de cuidados continuados, que no fundo têm que estar ligadas à saúde. E esse também foi outro problema que a pandemia trouxe ao de cima. Porque os lares, no fundo, o que é que são? São unidades de cuidados continuados. Portanto, obviamente, deviam ter médico, deviam ter a enfermagem conveniente, porque quem vai para o lar são pessoas que precisam de cuidados. E portanto, esse setor, que está noutro ministério, ainda por cima, em Portugal devia estar no mesmo ministério. O mesmo ministério devia tratar das pessoas, desde que nascem até que morrem.
Álvaro Beleza, no programa Contracorrente, apontou ainda o medo que se sentiu durante o período da pandemia e que afetou o funcionamento de diversos setores.
E a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima defende que deve ser promovido um afastamento preventivo dos padres suspeitos de abusos sexuais de menores.
Depois do cardeal patriarca de Lisboa afirmar que sem factos comprovados, a Igreja não vai suspender os padres suspeitos, Carla Ferreira, da APAV, Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, afirma que a suspensão de funções deve acontecer assim que existe uma suspeita da prática de um crime.
Para nós, a partir do momento em que haja a mera suspeita que alguém possa ter praticado um crime, a suspensão ou o afastamento preventivo dessas funções que possam implicar precisamente a reiterada prática do crime deve acontecer. Ou seja, face à suspeita, deve acontecer um afastamento preventivo para que Existindo ou não procedimento criminal, ou seja, assumindo que ainda há aqui margem para o procedimento criminal acontecer, esta averiguação exata daquilo que possa ter acontecido possa ser feita com mais calma, mas pelo menos se garanta que nesse período não há aqui nenhuma ação que possa ser uma replicação dos atos violentos praticados.
Carla Ferreira afirma que a suspensão dos padres suspeitos da prática de crimes de abusos sexuais é importante para a valorização do relato e sofrimento das vítimas, mas também para a própria credibilidade da Igreja Católica.
E Miguel, ainda não são conhecidos os resultados das buscas ao navio com bandeira do Panamá, suspeito de transportar cocaína.
As buscas foram retomadas esta manhã depois de uma interrupção durante a madrugada. O navio cargueiro está ancorado no cais de Alcântara, a bordo perto de 20 tripulantes. Há suspeitas de tráfico internacional de droga. A embarcação foi escoltada pela Marinha Portuguesa a pedido da Polícia Judiciária depois de um alerta internacional.
E na visita de Estado a Portugal, Lula da Silva, o presidente brasileiro, deve assinar um acordo de imigração.
É pelo menos o que adianta o representante do Partido dos Trabalhadores em Portugal, o PT. Pedro Prola diz à Agência Lusa que Lula da Silva deve aproveitar a visita a Portugal no final de abril para assegurar um conjunto de direitos aos imigrantes brasileiros.
É fundamental que seja retomado. Existe sinalização nesse sentido entre os dois países, no sentido de garantir que não só existe o acordo de igualdade de direitos, que efetivamente existe, mas além desse acordo de igualdade de direitos, existe um conjunto de outras matérias, como o reconhecimento de títulos, o acesso à segurança social, acesso à saúde pública. Então existem matérias concretas na vida das pessoas que trabalham, que contribuem pros países em que moram.
O jurista Pedro Prola, em declarações à Agência Lusa, adianta ainda que Lula da Silva deve ter um encontro com a comunidade brasileira. Lula visita Portugal entre os dias 22 e 25 de abril.
Uma hora e sete minutos, Miguel, que outras notícias vão marcando a atualidade a esta hora?
A Ucrânia vai reforçar as linhas de defesa em Bakhmut, garantia dada pela presidência ucraniana, depois de hoje o Instituto Norte-Americano para o Estudo da Guerra ter revelado que Kiev pode estar a preparar uma retirada parcial da zona leste da cidade. Os combates continuam no terreno. Esta manhã, os alertas de ataque aéreo voltaram a soar em todo o território ucraniano. A presidente da Comissão Europeia falou hoje com o primeiro-ministro grego sobre a modernização das linhas ferroviárias do país. Na semana passada, um acidente que envolveu duas composições acabou por vitimar 57 pessoas. Na rede social Twitter, Ursula von der Leyen anunciou que os membros da Comissão e da Agência Europeia para os Caminhos de Ferro vão a Atenas discutir o apoio que a Europa pode dar na modernização e reforço da segurança das linhas de comboio da Grécia. O tenista português Nuno Borges subiu à melhor classificação pessoal de sempre no ranking mundial de tênis. O atleta de 26 anos chegou ao lugar 80 do ranking ATP, que continua a ser liderado pelo sérvio Novak Djokovic. Nuno Borges reforça assim o estatuto de número um português no ranking em que João Sousa ocupa a posição 148. O músico brasileiro Caetano Veloso tem marcados três concertos para Portugal a 9 e 10 de setembro. Caetano Veloso atua no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. No dia 14 do mesmo mês, está marcado um concerto desta feita para a cidade do Porto. O preço dos bilhetes começa nos 25 €. Este concerto marca o regresso de Caetano Veloso, dois anos depois da última atuação em solo nacional.
É a notícia de fecho no Jornal da Uma, que teve edição do Miguel Videira.
Rádio Observador, 98.7.