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Jornal da Uma, na Rádio Observador, edição do André Maia. André, foi incendiada a entrada do Palácio Presidencial em Damasco, na Síria. Foi decretado o recolher obrigatório precisamente para esta hora.
São 16h na Síria. Se nas ruas de Damasco têm estado concentradas milhares de pessoas, vão ter de recolher, é o que adianta a Agência France-Presse. Ainda esta manhã, através da mensagem transmitida pela televisão, os rebeldes sírios tinham alertado para a necessidade de cuidar bem dos edifícios e também infraestruturas do Estado, que pertencem ao povo, é o que diz o grupo. No entanto, tem havido vários desacatos. Também a Embaixada do Irão em Damasco foi atacada, foi tomada de assalto, ficou destruído o recheio do edifício, incluindo os carros estacionados na garagem.
E na sequência da fuga de Bashar al-Assad, fontes sírias adiantam que o presidente pode estar morto.
Informação avançada pela Agência Reuters depois de ter desaparecido dos radares o avião em que o chefe de Estado fugiu do país. Já a Rússia confirmou, entretanto, que Bashar al-Assad saiu mesmo da Síria sem adiantar o paradeiro do chefe de Estado. O Kremlin manifesta preocupação com as bases militares russas no país. Teme que sejam afetadas pelo golpe de Estado e que isso represente uma vulnerabilidade estratégica para Moscovo.
E entretanto, André, começam a surgir reações dos líderes internacionais à ocupação de Damasco. Emmanuel Macron saúda a queda de Bashar al-Assad.
"Finalmente o regime bárbaro caiu", é a mensagem deixada pelo presidente francês. No X, o chefe de Estado deixou uma mensagem à coragem e também à paciência do povo sírio. Acrescenta ainda que deseja agora paz, liberdade e união para o país neste momento de indefinição, garante que França vai continuar empenhada em contribuir para a segurança no Médio Oriente.
Numa altura em que também já há reação por parte do chanceler alemão.
Olaf Scholz fala na queda de um regime que reprimiu brutalmente o próprio povo e que é responsável pela perda de vidas e que obrigou também inúmeras pessoas tivessem de fugir da Síria. Para Olaf Scholz, o importante agora é que a lei e a ordem sejam rapidamente restauradas. Apela a que as minorias e comunidades religiosas sejam protegidas. O chanceler apela a que a futura governação permita que todos os sírios possam viver com dignidade e também autodeterminação. Já o governo israelita diz que é cedo para avaliar as implicações da transição de poder na Síria, porque muitos rebeldes pertencem à Al-Qaeda. É o alerta do Executivo de Tel Aviv.
Este é um conflito onde nenhum dos lados é bom. É este o entendimento de Luís Tomé, diretor do Centro de Estudos de Relações Internacionais da Universidade Autónoma de Lisboa.
Que explica que o Ocidente foi conivente com o crescimento do grupo fundamentalista Hayat Tahrir al-Sham, um dos grupos que compõe esta aliança rebelde síria. Vamos ouvir essa declaração de Luís Tomé.
Em 2011, houve uma enorme complacência de muitos atores externos, países árabes, Israel e, em particular, países ocidentais, achando que quem se opunha e estava a combater contra Bashar al-Assad eram verdadeiros democratas. E o fato é que nós acabamos passivamente por ajudar a criar um monstro bem pior, que teve vários rostos, a Frente Al-Nusra, da Al-Qaeda, e depois, em particular, o Estado Islâmico, que como sabemos, controlou grande parte do território, quer da Síria, quer do Iraque. Neste momento, aparentemente o grupo mais forte, pelo menos no sentido de que liderou vários outros grupos, mas foi o que liderou esta ofensiva, o HTS, tem as raízes nesses grupos jihadistas, tem essa mesma ideologia, embora procure passar nos últimos tempos uma mensagem diferente.
E como a Rússia, que tem estado sempre ao lado do regime sírio, Luís Tomé acredita que hoje foi um dia amargo para Vladimir Putin e também para o Irão.
Descrevem esta queda do regime do Assad como uma bofetada na face de Vladimir Putin. É bom recordar que foi pelo apoio da Rússia e do Irão, com as milícias xiitas, inclusivamente, e em particular o Hezbollah, que Bashar al-Assad sobreviveu até agora na longa guerra civil que vem desde 2011. O que nós assistimos agora é um abandono claro destes dois grandes apoios externos. Três, se juntarmos o Hezbollah.
Explicação de Luís Tomé, diretor do Centro de Estudos de Relações Internacionais da Universidade Autónoma, à Rádio Observador, com esta primeira análise à situação na Síria, com a queda do regime de Bashar al-Assad. Daqui a alguns minutos vamos começar uma emissão especial precisamente para acompanhar ao detalhe tudo aquilo que se passa nesta altura na Síria com a queda do regime de Bashar al-Assad.
Continuamos na atualidade internacional, mas em França, cinco anos depois do incêndio, a missa voltou a ouvir-se hoje na Catedral de Notre-Dame de Paris.
Celebração católica que contou com a presença do presidente francês Emmanuel Macron, reuniu 150 bispos e sacerdotes. Durante a cerimônia, acessível apenas por convite, o arcebispo de Paris saudou os fiéis que acompanhavam a missa através de ecrãs e deixou uma mensagem ao país. Diz que vê com preocupação o futuro de França. A missa iniciou-se com a procissão dos estandartes da Diocese de Paris. Às 17h30, hora de Lisboa, vai ter lugar a primeira celebração aberta ao público.
Não dá tréguas à violência nas ruas em Moçambique. O fim de semana está a ser marcado por várias manifestações contra os resultados eleitorais, com as forças de segurança a tentar a repressão.
A situação agravou-se ontem depois de Venâncio Mondlane, candidato presidencial apoiado pelo partido Podemos, ter afirmado que o tinham tentado assassinar. Os apoiantes paralisaram duas centrais elétricas, fecharam a principal fronteira com a África do Sul e incendiaram sedes da FRELIMO, o partido no poder. Ora, em entrevista ao Observador, Manuel de Araújo, presidente da Câmara de Quelimane, descreve uma situação de caos em todo o país.
Cenário aterrador e grave, porque nós vemos a impotência do Estado de garantir ordem e segurança pública. Vemos que, literalmente, o poder em algumas regiões do país caiu na rua Isso incluindo na capital do país, mas também, o que é algo atípico, em Chibuto, que é a alma-mata do regime, em Gaza, em Sachay e noutras províncias. Portanto, é uma crise generalizada em todo o país.
É uma situação que não vai acalmar nos próximos tempos, é o entendimento de Manuel Araújo, numa entrevista à jornalista do Observador, Dulce Neto.
A situação vai piorar antes de melhorar.
Como assim?
Nós ainda estamos na fase quatro. E parece-me que vêm mais fases aí à frente. Com o estado de emergência, as liberdades fundamentais estão suspensas. Estamos literalmente numa guerra das instituições contra o povo e o povo, essa é a minha análise, não vai aceitar de mão beijada. Eu acho que nós vamos ter uma possível insurreição. Aliás, nós já temos guerra em Cabo Delgado.
Manuel Araújo acredita que a situação atual de Moçambique pode levar mesmo à desagregação do país como o conhecemos hoje.
Sete minutos para lá da 13h, André Maia. Vamos a outras notícias em destaque a esta hora.
Relembro, em primeiro lugar, que já a seguir vamos abrir um espaço de emissão especial aqui na Rádio Observador para acompanhar todos os desenvolvimentos, todas as atualizações daquilo que se passa na Síria. Isto numa altura em que ainda não se sabe do paradeiro de Bashar al-Assad, presidente da Síria. A única informação que é neste momento divulgada é que o avião onde se deslocava saiu dos radares e, por enquanto, a imprensa síria dá conta dessa possibilidade de Bashar al-Assad ter morrido. Dentro de alguns minutos vamos já a seguir entrar para essa emissão especial que pode acompanhar aqui na Rádio Observador. É um balanço de Volodymyr Zelensky, que o presidente ucraniano diz que morreram 43 mil soldados ucranianos no campo de batalha desde o início do conflito, 370 mil ficaram feridos. Num anterior balanço, em fevereiro, o presidente ucraniano estimou que o número de soldados ucranianos mortos rondava os 31 mil. Ainda sobre este conflito, os Estados Unidos confirmaram ontem a entrega de mais uma tranche de ajuda militar à Ucrânia no valor de mais de 900 mil euros. Os fundos vão ser usados para adquirir munições, um lançador de foguetes, bem como drones e componentes de equipamento de artilharia.
Fechamos assim o jornal da Uma, edição do André Maia.