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Com Luís Soares. Começamos com a guerra comercial. A China vai mesmo impor tarifas de 84% sobre os produtos norte-americanos e já a partir de amanhã.

É a resposta de Pequim. O anúncio foi feito pelo Ministério das Finanças chinês. Tarifas que ficam acima da taxa de 34%, anunciada anteriormente em retaliação às taxas anunciadas por Donald Trump. Anúncio que acontece no dia também em que entram em vigor as taxas dos Estados Unidos sobre os produtos chineses, no valor de 104%. O governo chinês assegura que tem uma vontade firme e recursos abundantes para responder com determinação se os Estados Unidos insistir em intensificar ainda mais as medidas econômicas e comerciais restritivas. É uma retaliação chinesa que está a fundar ainda mais os mercados bolsistas. Junta-se em direto da Jornal da Uma, Felipe Garcia, economista da informação de mercados financeiros. Boa tarde, Felipe. Era de esperar esta retaliação por parte da China?

Olá, boa tarde. Era de esperar algum tipo de retaliação, se calhar não nesta dimensão, mas neste momento as coisas parecem estar um bocadinho fora de controle, com um grande finca-pé dos dois lados e fica a sensação de que isto só terminará quando alguma coisa partir, ou seja, quando houver algum dano importante a nível de mercados financeiros, a nível econômico, algum tipo de pressão que leve a que os dois lados se sentem à mesa de uma forma mais séria. Para já, o que se vê é pouca perspectiva que isso aconteça e é por isso que temos estes movimentos no mercado. Temos o petróleo hoje a cair 7%, em mínimo já 2021. As bolsas europeias que estavam a cair cerca de 1,5, 2% passaram a cair 4. E a abertura de Nova York, que parece que vai ser na casa dos 3% negativos e, portanto, o mercado continua bastante preocupado, porque a incerteza é grande e falta aqui algum adulto na sala.

Podemos estar perante uma escalada de retaliações entre China e Estados Unidos? Pode não ficar por aqui?

Já estamos, não sei qual é que será o próximo passo. Também não sei se será muito útil passar de 100 pra 200 ou 200 pra 300. Creio que não é tanto por aí. Será importante, de alguma maneira, chegar a algum ponto de, pelo menos, início de negociações. Acho que isso é muito importante. Mas fica também muito claro uma coisa que me parece que não tem sido devidamente destacada, é que este tema das tarifas é uma guerra comercial entre a China e os Estados Unidos. Nós tendemos a falar um bocadinho da União Europeia, é normal, é onde estamos, mas não é o foco. O foco é mesmo a relação entre Estados Unidos e a China, são as duas maiores economias mundiais e é aí que as atenções devem estar centradas. Estou também curioso pra perceber o que é que vai acontecer na negociação dos títulos de dívida do governo norte-americano. Nós ontem tivemos uma subida das taxas juro de longo prazo, que não é normal quando temos as bolsas a caírem, é precisamente normal o contrário. Isso implica que ou há algum tipo de tensão já no mercado financeiro ou então que há um grande desconforto em deter ativos dos Estados Unidos e hoje até temos o dólar a cair mais 1%.

Felipe Garcia, muito obrigado por ter estado em direto conosco, economista da informação de mercados financeiros, a ajudar-nos a olhar para o impacto de mais esta retaliação por parte da China aos Estados Unidos, agora com estas taxas de 84% que passam a ser cobradas a partir de amanhã sobre os produtos norte-americanos.

O primeiro-ministro português assume que está preocupado com esta guerra comercial aberta por estas novas tarifas alfandegárias que começaram por ser impostas pelos Estados Unidos.

E vai reunir amanhã o Conselho de Ministros para abordar este tema. Entre ontem e hoje, o Ministério da Economia está a conversar com várias associações empresariais para tentar avaliar o impacto e medidas de mitigação destas taxas. Questionado esta manhã sobre se o governo não deveria ter agido já, Luís Montenegro atira explicações para amanhã e também para a Europa.

Estamos em diálogo permanente com a Comissão Europeia e estamos também a tratar da nossa parte mais individualmente considerada. Amanhã teremos um Conselho de Ministros que será dedicado a esse tema e falaremos no final, está bem?

Não valia já dar uma resposta.

Falaremos amanhã, está bem? Pode ser.

Primeiro-ministro que fez esta manhã um discurso de encerramento numa sessão sobre o contributo do PRR para inovação e digitalização de Portugal. Aperturou também esta guerra comercial, a sublinhar que foi iniciada pelo impulso tarifário do presidente norte-americano. Luís Montenegro considera que é altura da Europa se tornar independente das maiores potências, os Estados Unidos e a China, e que isso só será possível através do desenvolvimento tecnológico.

O que nós estamos a falar é das regras de comércio à escala global e da competitividade comercial à escala global, que de alguma maneira é o jogo das dependências e interdependências entre os blocos comerciais à escala mundial. Ora, as dependências e interdependências estão muito ligadas a recursos naturais, é verdade, esses que são mais difíceis de contrariar, porque são naturais, mas sobretudo à inovação, e nomeadamente à inovação tecnológica, e nomeadamente à inovação digital. E a Europa precisa mesmo de mais autonomia também nesse domínio.

Declarações do primeiro-ministro numa sessão em que foi feito um ponto de situação ao processo de digitalização no país. Anunciou também a criação de 10 novos espaços cidadão em 10 consulados para facilitar a aproximação dos portugueses aos serviços do Estado.

Já o líder do PS acusou o governo de nada fazer para apoiar as empresas portuguesas.

Foi durante uma ação de campanha no Mercado Municipal de Benfica esta manhã. Pedro Nuno Santos diz que o governo já devia ter apresentado um plano para mitigar os danos destas medidas tomadas pelos Estados Unidos, como fez já o governo espanhol.

Aquilo que nós precisávamos era ter um governo que reagisse com maior rapidez, como fez o governo espanhol. Nós até ao dia de hoje não conhecemos nenhum pacote de ajuda e de apoio à indústria potencialmente mais afetada com as tarifas norte-americanas. E nós precisamos é de um governo que seja capaz de atuar rapidamente.

Pedro Nuno Santos acusa o governo de inação. Declarações numa visita ao mercado de Benfica, onde o Pedro Nuno Santos falou sobre o IVA zero, medida que o PS pretende recuperar para bens essenciais, como a carne ou os legumes.

Ainda assim, as associações empresariais saúdam o esforço do governo para tentar resolver o impacto das tarifas de Donald Trump.

Desde ontem que continuam a ser ouvidas pelo Ministro da Economia, várias empresas de vários setores. Esta manhã foram recebidos representantes do setor automóvel e também do petróleo. E as associações já ouvidas, Nadine Soares, agora em direto, mostram-se satisfeitas com essa aproximação do governo, mas também alertam para futuros prejuízos.

Sim, é o caso da Associação de Automóveis de Portugal. O secretário-geral da ACAP, Hélder Pedro, alerta que o setor automóvel não depende muito dos Estados Unidos, tendo uma aposta mais forte na União Europeia, mas ainda assim, não deixa de mostrar preocupação com as tarifas de Donald Trump, por se tratar de uma indústria que é forte a nível global.

É uma indústria fortemente exportadora, cerca de 90% de exportação, mas desses 90, 88% são para a União Europeia. Ou seja, os nossos principais mercados de exportação são a Alemanha, França, Itália e Espanha. A exportação para o continente americano é cerca de 1%. Mas, naturalmente, estamos na União Europeia, estamos numa economia global e se isto afetar, e já está a afetar, as bolsas, nós indiretamente seremos naturalmente penalizados.

E quem também já foi ouvido esta manhã pelo ministro da Economia, Pedro Reis, aqui no Campus 21, foi António Comprido, secretário-geral da Associação dos Combustíveis. O dirigente diz que o governo está atento, já está a construir medidas de apoio, ainda que sem revelar detalhes, e apesar de dizer também que não vai ser o setor mais afetado no futuro, não descarta também esta preocupação com a agitação que diz já estar a sentir na economia do país.

Ficámos a saber quais são as medidas que estão a ser tomadas a nível europeu e principalmente as que são tomadas a nível Portugal, porque apesar das nossas exportações não serem diretamente afetadas neste momento, o fato é que esta agitação na economia perturba todos, perturba os mercados financeiros, põe pontos de interrogação nos planos de investimento que existem e, por isso, é bem-vindo todo o apoio e ajuda. E mais do que apoio e ajuda, o que é bem-vindo é o governo estar atento e estar a tomar medidas para enfrentar esta situação.

São declarações de António Comprido, da Associação Empresarial de Combustíveis. São reuniões que vão continuar durante esta manhã com o objetivo de criar um diálogo entre o Executivo e as empresas para combater estas tarifas. Não são conhecidos, para já, valores e que tipo de medidas estão em cima da mesa. Sabemos agora que é a Associação Empresarial de Metalomecânica que está a ser ouvida a esta hora.

E a Nadine Soares está a acompanhar estas reuniões no Campus 21, onde o governo continua a receber várias associações. É um tema que vai estar em debate amanhã no Conselho de Ministros.

Luís, que outras notícias estão a marcar esta tarde?

A ministra da Administração Interna não confirma se vai ou não fazer parte do próximo governo, em caso de vitória da AD. O Observador sabe que Margarida Blasco não deverá ser reconduzida no cargo se a coligação PSD/CDS voltar a vencer as eleições. Em declarações aos jornalistas, Margarida Blasco não esclareceu o assunto, diz que ainda é cedo para discutir o tema. A Polícia Judiciária desmantelou um laboratório clandestino de produção de drogas que funcionava num apartamento em Lisboa. Foi uma operação que visou estabelecimentos prisionais e que levou à detenção de 13 pessoas, entre eles estão dois guardas prisionais. Subiu para 113 o número de mortes numa discoteca na República Dominicana. É o mais recente balanço divulgado pelas autoridades locais. Tudo aconteceu na madrugada de terça-feira, quando desabou o teto de uma discoteca em Santo Domingo, capital da República Dominicana.