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Edição da Uma com Miguel Vieira. O secretário-geral da Federação Nacional da Educação, a FNE, desafia o governo e o Júri Nacional de Exames a esclarecerem a afirmação de que não há professores disponíveis para concluir a classificação dos exames nacionais.

Foi o que disse esta manhã o ministro Fernando Alexandre, que fala no risco das pautas não serem afixadas amanhã. Confrontado com a falta de disponibilidade dos docentes para fazerem a correção dos exames, Pedro Barreiros, do Sindicato de Professores FNE, pede esclarecimentos.

Eu não vou desmentir as afirmações do senhor Ministro da Educação. O que importa esclarecer é perceber o porquê, quais os motivos pelo qual o senhor ministro faz essa afirmação. Conforme eu disse, o número de professores que foram indicados pelas escolas foram os suficientes para dar resposta a essa necessidade. Se o senhor ministro diz que o Júri Nacional de Exames confirma ou afirma que está a ser difícil, importa perceber quais os motivos que são alegados para que o Júri Nacional de Exames passe essa informação ao senhor Ministro da Educação.

O pedido de esclarecimento da FNE. A esta hora a FNE prova que reage em conferência de imprensa às declarações do Ministro da Educação. Já vamos saber o que disse o secretário-geral do sindicato mais representativo dos professores. Mas antes, João, as declarações de Fernando Alexandre.

O titular da pasta da Educação admite que há o risco das notas dos exames nacionais não serem divulgadas amanhã.

Enquanto eu não tiver as provas todas corrigidas, claro que há riscos, é óbvio. Há um calendário definido, há hora, todos os processos estão definidos, o processo tecnológico está testado e por isso agora o que nós precisamos é de fechar a correção das provas.

Já não falta muito: 99,3% das respostas já foram corrigidas. Nalguns casos, a percentagem até é superior.

Por exemplo, na prova de físico-química, nós temos neste momento 99,9% das respostas corrigidas. O que é que isso quer dizer? Que faltam 373 respostas para esta prova ficar fechada. É muito difícil a sociedade portuguesa, os alunos, as famílias perceberem que uma prova não vai ter os resultados publicados porque há 373 respostas por corrigir, quando já foram corrigidas cerca de 30 mil.

Mas é esse o risco, tendo em conta que faltam professores para corrigir o que falta.

De acordo com o Júri Nacional de Exames, está a ser difícil conseguir trazer mais professores classificadores para apoiarem. E aquilo que eu estou a dizer é: em português e matemática, os números ainda são um bocadinho elevados, mas penso que temos todas as condições para amanhã termos este problema resolvido, mas temos várias provas, por exemplo, Biologia e Geologia, uma prova também com muitos alunos, grande, nós temos 99,7% das respostas corrigidas. Faltam 584 respostas.

Face ao diagnóstico, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, faz um apelo público.

O apelo que eu deixo aqui é a todos os professores, agradecendo mais uma vez todo o esforço que fizeram, ainda por cima num contexto de perturbação, em que houve muita coisa que não correu bem e que possam ajudar, que possam de fato ajudar nesta fase final a resolver um problema que não é do ministro, é um problema do sistema educativo. O sistema educativo tem que conseguir responder àquilo que os alunos esperam, àquilo que as famílias esperam.

A declaração do ministro da Educação, Fernando Alexandre, esta manhã, com este apelo para que os professores ajudem a concluir a correção dos exames nacionais a tempo da divulgação das pautas amanhã, foi esse o prazo fixado pelo Ministério da Educação. É nossa convidada desta edição da Uma da tarde, Cristina Mota, da Missão Escola Pública. Cristina Mota, boa tarde, bem-vinda, obrigado pela disponibilidade. Não estão os professores disponíveis para ajudarem à concretização deste processo de avaliação?

Boa tarde, agradeço o convite para estar aqui convosco. Os professores estão disponíveis. Aliás, ouvimos agora um apelo do senhor ministro da Educação a apelar à ajuda dos professores. Os professores é que apelam à ajuda das condições para conseguirem concluir o seu trabalho. Portanto, lembro inclusive que neste momento nós temos ainda professores que não conseguem sequer aceder à plataforma para classificação dos itens que lhes foram atribuídos nas últimas horas e, portanto, não se trata unicamente de uma questão de falta de classificadores nesta fase do processo.

Mas isso é um problema, a falta de classificadores, ou seja, há professores que estão a recusar juntarem-se a este trabalho de classificação dos exames?

Há professores que estão a recusar, sim.

E por quê?

Porque as condições que lhe estão a ser dadas para a conclusão colocam em causa o rigor e o seu profissionalismo, algo de que não abdicam. Portanto, quando se pede a um classificador para que, no espaço de duas ou três horas, classifique 100 itens, ele não vai conseguir fazer com o rigor e o profissionalismo que caracteriza os professores, principalmente na avaliação externa, quando estamos a falar do futuro de muitos jovens. Portanto, nessa situação, sim, temos alguns colegas que efetivamente recusaram classificar com estas condições. Acreditamos que se, por exemplo, fosse fixada uma data posterior, portanto, a 24 horas para a conclusão dos itens, acredito que teríamos mais professores disponíveis para esta fase.

Acha que é o mais ajuizado fixar um novo prazo para a divulgação das pautas?

É o mais prudente, acima de tudo. Seria o mais rigoroso. A Missão Escola Pública tem alertado desde o primeiro momento em que nos deparamos com todos os constrangimentos a serem reportados Entendíamos que a segunda fase deveria ser adiada para o mês de setembro, para que a primeira fase não estivesse sob pressão no que diz respeito à afixação dos resultados. Neste momento, existem duas variáveis que estão a contribuir para essa pressão: o início da segunda fase na terça-feira e também a pressão do contexto político relativamente à figura política de Fernando Alexandre para termos pautas no dia de amanhã. Nós entendíamos que o mais prudente seria adiarmos o prazo da afixação das pautas, adiarmos o prazo da segunda fase e adiarmos até mesmo o calendário de acesso ao ensino superior, para que esta primeira fase concluísse de forma, não digo tranquila, isso já vai ser impossível, mas de uma forma menos prejudicial a todo o processo.

Cristina Mota, significa que não há condições para concluir a correção dos exames nacionais a tempo de amanhã serem divulgadas as pautas. Este apelo do ministro da Educação, tendo em conta aquilo que nos disse, é inevitável, vai cair em saco roto.

Enquanto nós não tivermos as condições da plataforma para que os professores que aceitam efetivamente concluir a classificação, até mesmo nestas condições, o poderem fazer, nós não vamos conseguir a conclusão, de facto. Aliás, à luz dos professores que estão neste momento a aceder, os que conseguem aceder à plataforma deparam-se com itens com os mesmos problemas anteriormente reportados. Temos, inclusive, um colega que nos diz ter um item com duas folhas em que a caligrafia não corresponde. Continuamos a ter colegas que referem que têm itens com ausência de folhas de continuação. Portanto, são todos elementos que nos levam a entender que não há condições para termos a fixação das pautas amanhã, pelo menos a todas as disciplinas. Acreditamos que vão surgir pautas amanhã.

Mas não todas as disciplinas.

Não todas. Português e Matemática já tínhamos efetivamente dado conta do número de itens que ainda está por concluir. Há pouco, Fernando Alexandre deu-nos números em concreto. Esperemos que tenha acertado neles, porque números não costuma ser algo que Fernando Alexandre domine, mas tendo em conta que são porcentagens já muito residuais, acreditamos que poderá, neste contexto, estar certo. Ainda que, lembro, alguns dos itens ainda têm que ser classificados segunda e terceira vez. Portanto, são sempre números, usando uma expressão de Mariana Carvalho, que também deveria estar a opinar neste momento, são números voláteis.

Cristina Mota, só para esclarecer, não tenho memória se fixou alguma data. Sugere que devia ser adiada a divulgação das pautas para quando? Segunda-feira, terça?

Para já, começar, desde logo, tirar a pressão da segunda fase, esta passar de imediato para setembro. Depois, o calendário de acesso ao ensino superior, desde já, alterar para incluir o período da reapreciação da primeira fase dentro do período em que vai ter lugar o concurso. E agora, no que diz respeito à afixação das pautas, precisamos de ter outros elementos para indicar o número. Nós não sabemos as condicionantes. Fernando Alexandre deu-nos agora alguns números, mas tendo em conta se os números se mantiverem aqueles que foram indicados, acreditamos que entre segunda e terça-feira, certamente os professores teriam condições para concluir este número indicado agora por Fernando Alexandre de itens por classificar.

Cristina Mota, muito obrigado pela sua presença nesta edição da "Uma da tarde". Presidente da Missão Escola Pública, sugerindo que o governo deveria determinar um novo adiamento do prazo para a divulgação das notas dos exames nacionais. Sugere também uma recalendarização da segunda fase de exames nacionais e consequentemente do acesso ao ensino superior. Ficámos, João, sem tempo para escutar o que disseram os representantes dos diferentes partidos com assento parlamentar. Haveremos de fazê-lo na edição das 14h.

Ou até à 13h30, não é, Vítor? Até já. Se tivermos tempo para isso.