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Jornal das duas com Luís Soares. Luís, começamos com economia. O Banco Central Europeu confirma o oitavo corte consecutivo da taxa de juros na zona euro e corta drasticamente as previsões de inflação para os próximos anos.

Começando pela taxa de juro, cai para 2%. Esta porcentagem representa exatamente metade do pico de 4% que foi atingido em 2023. Quanto à inflação, o BCE prevê uma evolução média de 2%, já em 2025, e 1,6% em 2026. Estas estimativas representam uma descida de 0,3 pontos percentuais em relação à previsão anterior. Em comunicado, o Banco Central Europeu revela ainda que já para este ano, o crescimento da zona euro vai ser de 0,9%. O BCE justifica este valor com o aumento do investimento público em defesa e infraestruturas. Para o ano que vem, o crescimento da zona euro pode chegar a 1,1%. Nesta altura, a presidente do BCE, Christine Lagarde, dá uma conferência de imprensa para explicar os detalhes desta nova descida. Já confirmou que o agravamento de tarifas irá penalizar o crescimento e fazer baixar a inflação. Christine Lagarde confirma que se as tensões comerciais se agravarem nos próximos tempos, isso irá criar pressões negativas para o crescimento e também para a inflação. Por outro lado, se houver melhores perspectivas relativamente a essas tensões comerciais, então isso poderá impulsionar o crescimento e em menor medida, a inflação. É um tema que vamos continuar a olhar ao longo da próxima hora.

Na atualidade nacional, pelo menos 50 pessoas vivem num armazém em São João da Talha, em Loures, que foi alvo, esta manhã, de uma operação policial.

Um armazém transformado em habitação ilegal, com 60 quartos, duas casas de banho e uma cozinha. O armazém pertencerá a uma instituição que se apresenta como igreja evangélica, apesar de não constar da lista de igrejas evangélicas reconhecidas em Portugal. Funciona como residência para mais de 50 pessoas, maioritariamente imigrantes. Entre os residentes, encontram-se duas crianças e pelo menos um português. Os inquilinos pagam rendas que variam entre os €220 e os €370 mensais. A PSP ainda não divulgou o balanço desta operação. De resto, nos últimos meses, as autoridades realizaram várias operações relacionadas com habitações ilegais, nomeadamente em Queluz e também no Seixal.

Vamos agora à atualidade política. Cem militantes do Bloco de Esquerda de Santarém desfiliaram-se do partido.

Numa carta enviada às redações, estes 100 militantes do Bloco do Distrito de Santarém anunciaram as razões para se desfiliarem do partido, intitulada "Porque saímos do Bloco", subscrita pelo ex-deputado do partido, Carlos Matias. Na carta, é criticado o centralismo da tomada de decisões, criticando que quem não pertence aos grupos dominantes do partido é excluído de lugares elegíveis. A atual direção é acusada de não assumir a responsabilidade pelas sucessivas derrotas eleitorais e de justificar sempre com as dificuldades de conjuntura. Na carta, pode ler-se também que a direção do Bloco, liderada por Mariana Mortágua, tem vindo a afastar as vozes incômodas. Entre os militantes bloquistas de Santarém, que assinam a carta, está a maioria da atual comissão coordenadora distrital, bem como ex-deputados municipais.

Pedro Delgado Alves, deputado e presidente interino do grupo parlamentar do PS, critica a continuidade de Ana Paula Martins como Ministra da Saúde.

Considera que esse é o calcanhar de Aquiles do governo e por isso afirma que houve falta de reflexão por parte do executivo na comissão de inquérito da Rede Observador. Pedro Delgado Alves sublinha que o último ano não foi positivo para a tutela de Ana Paula Martins.

Em particular na área da saúde. Eu acho que aqui é que o governo não fez uma reflexão sobre o alcance deste último ano. Há bocadinho, ouvia no painel anterior Francisco José Viegas a dizer: "Um ano é pouco tempo para fazer uma avaliação". Nalgumas áreas não é assim tão pouco tempo, quando é tão notório que as coisas começaram a correr tão pior como correram. E eu acho que a saúde talvez seja o calcanhar de Aquiles que permanece no atual executivo.

Pedro Delgado Alves critica ainda a extinção de alguns ministérios, como o da Economia e da Cultura, que se juntam a outros já existentes. O líder parlamentar socialista considera que estas são pastas com estruturas demasiado pesadas para serem responsabilidade de um ministro só.

Subalternização da Cultura torna-se muito evidente, quase leva aqui um percurso parecido com aquele que aconteceu ao ensino superior, que não só no governo anterior não tinha presença ao nível ministerial, o Ensino Superior e Ciência, que normalmente estavam acoplados, como nem sequer Secretaria de Estado tinha. Portanto, andamos a guardar também por essa lista de secretários de Estado, mas há como que aqui, se fizemos uma repetição desse problema, numa área que não é propriamente de sumenos, ou seja, não é a tal área de festiva e de lazer, como se via há instantes. Há um ponto que é a forma como se acopla a economia e coesão territorial. Obviamente, a intenção aparenta ser a de valorizar ambas por estarem juntas e gerar mais sinergias, mas de facto gera uma estrutura muito pesada, grande.

Pedro Delgado Alves, deputado e presidente interino do grupo parlamentar do Partido Socialista, na comissão de inquérito da Rede Observador esta manhã, onde criticou a manutenção de Ana Paula Martins com a pasta da Saúde.

Já o presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares diz que é compreensível que Ana Paula Martins continue no Ministério da Saúde.

Xavier Barreto considera que o Ministério da Saúde é dos que têm problemas mais estruturais e por isso é dos mais fustigados. O presidente da Associação de Administradores Hospitalares admite que a ministra vai continuar a receber críticas, nomeadamente no que toca ao serviço de urgências. No entanto, afirma que a escolha de Luís Montenegro é compreensível.

Eu acho que 11 meses é pouco. Nós, apesar de tudo, podemos considerar que é pouco para implementar um plano mais estruturado. Está em curso um conjunto de medidas, a implementação de um plano de emergência, implementação do conjunto de novas ideias e que vai demorar tempo para implementar. E, portanto, naturalmente que a escolha é do senhor Primeiro-ministro, mas eu acho que é, apesar de tudo, compreensível que tenha mantido a ministra se encontrou nela a vontade, o empenho de continuar o trabalho que estava a fazer, partindo deste ponto

Pressuposto que o tempo, apesar de tudo, foi pouco e que é um ministério muito difícil, onde o ministro está sempre sujeito à crítica e vai continuar a estar.

O presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, Xavier Barreto, considera também que a ministra Ana Paula Martins ainda tem muito trabalho pela frente.

Na área da administração interna, sai Margarida Blasco e entra Maria Lúcia Amaral. O presidente da Associação de Profissionais da Guarda espera uma continuidade, apesar desta mudança de caras.

César Nogueira espera que a nova ministra dê continuidade às negociações, medemente do estatuto remuneratório, do sistema de avaliação e das carreiras. Sublinha que Maria Lúcia Amaral, enquanto provedora de justiça, conhece bem os problemas do setor.

Não pode alegar desconhecimento daquilo que são os nossos problemas, até porque teve certamente conhecimento deles por várias denúncias também de profissionais. E por isso esperamos que a breve trecho, tenhamos uma primeira reunião para, de facto, retomarmos essas negociações que ficaram suspensas com a queda do governo.

Declarações de César Nogueira, o presidente da Associação de Profissionais da Guarda, diz que não há motivos para atrasar as negociações com estes profissionais.

Ideia semelhante tem o presidente da Associação Sindical de Profissionais da Polícia.

Paulo Santos espera para breve um contacto da nova ministra para dar continuidade às negociações interrompidas.

O que nós esperamos é perguntar se está disponível para retomar as negociações que estavam em curso e dar resposta daquilo que está plasmado no acordo que celebramos no ano passado. Porque lá no acordo estão plasmadas medidas que são estruturais para pormos a PSP a funcionar nos seus devidos termos. Por isso, aquilo que esperamos é que a senhora ministra, após tomar posse, possa chamar os sindicatos e dar nota da sua disponibilidade para continuar o processo negocial que estava em curso.

Paulo Santos, o presidente da Associação Sindical de Profissionais da Polícia, destaca ainda que apesar da troca de ministras, a maioria do governo manteve-se e por isso não há razão para não se conhecerem as matérias negociadas pelos sindicatos da PSP e pelas associações da GNR.

Luís, olhamos ainda neste jornal das duas para outras notícias em destaque.

O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil alerta para o risco dos quatro helicópteros do INEM não estarem operacionais a 1 de julho. São também exigidas garantias imediatas sobre aeronaves, pilotos e plano de transição. A exigência feita pelo SPAC em comunicado de acordo com o contrato entre o Estado e a empresa responsável, devem estar operacionais quatro helicópteros com tripulações certificadas e pilotos fluentes em português. Em resposta à Lusa, o INEM garante que tem cenários alternativos para a eventual impossibilidade do contrato para os quatro helicópteros de emergência médica entrar em vigor a 1 de julho, por falta de visto do Tribunal de Contas. A Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género apresentou uma queixa junto do Ministério Público e de outras entidades competentes contra o influenciador Numero. Em causa factos que podem configurar discurso de ódio, eventualmente incitamento ao ódio contra mulheres. Apesar do visado da queixa não ser identificado pela CIG, o Observador confirmou que se trata de João Barbosa, conhecido como Numero, tal como avançou o JN. Em causa está uma publicação na rede social X, em que o youtuber se refere ao anúncio antiaborto a ser transmitido em várias televisões nacionais. O Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol instaurou um novo processo disciplinar aos jogadores do Sporting, Jovane Cabenda e Zeno Debast. O órgão disciplinar do futebol português não especificou as razões dos castigos, mas em causa pode estar a utilização de uma imagem por parte de Cabenda, em que são replicadas palavras injuriosas do companheiro, Ricardo Esgaio, dirigidas ao capitão do Benfica. Este é o segundo processo aberto a Jovane Cabenda em menos de um mês. Já no caso de Zeno Debast, o atleta belga publicou nas redes sociais a fotografia em que se vê Cabenda utilizar essa mesma imagem.