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Este é o Jornal das duas da Rádio Observador. Tem edição do Miguel Videira. Miguel, a proposta do governo para rever o pacote laboral foi chumbada.

Chumbada com o voto contra do Chega e da esquerda parlamentar. O partido liderado por André Ventura não chegou a um entendimento com o PSD, de forma que o diploma pudesse ser viabilizado. O texto contou apenas com os votos a favor dos partidos que suportam o governo, o PSD e CDS, que se juntou à Iniciativa Liberal. Após o chumbo, seguiu-se um longo aplauso de todas as bancadas à esquerda, bem como dos presentes nas galerias do Hemiciclo, onde estava também o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira. O resultado da votação esteve em aberto até ao último momento, com negociações entre PSD e Chega. A bancada liderada por Pedro Pinto chegou mesmo a pedir a suspensão dos trabalhos durante meia hora antes do início das votações. No regresso aos trabalhos, a votação ditou o chumbo do pacote laboral.

Há instantes ouvimos o secretário-geral adjunto da UGT, Sérgio Monte, que fala numa grande vitória dos trabalhadores.

Expressa satisfação com o chumbo do pacote laboral na Rádio Observador, diz que o Chega tomou consciência da situação para os trabalhadores portugueses e que com este chumbo, quem saem a ganhar são precisamente os trabalhadores.

Acho que o Chega hoje tomou consciência disto. Foi uma surpresa, porque depois do debate a que assistimos ontem, tudo indicava, tudo iniciava que o Chega iria, ou com a abstenção ou com o voto a favor, viabilizar a descida deste diploma à discussão na especialidade. Assim não o fez e acho que se apercebeu à última da hora, à 25ª hora, terá percebido que isto também iria prejudicar muitos dos trabalhadores, muitos daqueles que também são eleitores do Chega.

É a interpretação feita por Sérgio Monte, o secretário-geral adjunto da UGT, esteve há instantes aqui na antena do Observador.

Este fim de semana há congresso do PSD, diz Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador, que este chumbo vai marcar essa reunião.

Sim, os social-democratas reúnem-se em Sangalhos com este chumbo a marcar essa assembleia magna dos social-democratas. O editor de política do Observador, Rui Pedro Antunes, diz que é de esperar um cenário de críticas, quer ao PS, quer ao PSD, mas que o facto do Congresso vai agora incidir essencialmente sobre o partido de André Ventura.

Eu acho que no Congresso, o Chega vai ser um dos alvos principais do PSD. Por norma e tradicionalmente, o grande adversário do PSD é o Partido Socialista e, em condições normais, e obviamente será muito criticado, será sempre um dos alvos dos congressistas. O Chega agora junta-se a isso. Acho que vai ser um congresso completamente bifurcado no sentido das críticas, até porque ajuda a construção da narrativa de Luís Montenegro de que não avança por culpa da maneira como se comportam estes dois partidos.

Entretanto, André Ventura explicou o chumbo. Foi nas redes sociais, diz que o Chega não se vende nem se verge ao governo e às muletas. Afirma também que o Executivo tem de proteger quem trabalha e tem de aceitar baixar a idade de reforma, sob pena de não poderem contar com o apoio do Chega. O presidente do partido colocou também uma imagem com o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares.

Falamos agora do caso do grupo neonazista desmantelado pelas autoridades, o movimento Armilar Lusitano. Entre os principais visados, está um agente da polícia. Na reação, o diretor nacional da PSP fala num caso excecional.

O grupo foi desmantelado há um ano, mas só agora foi conhecido o despacho de acusação. O Ministério Público acusa nove pessoas ligadas a este grupo neonazi, movimento Armilar Lusitano, de 29 crimes, incluindo o crime de terrorismo. Um dos acusados é Bruno Gonçalves, ex-agente da PSP, está em prisão preventiva, terá tido acesso a informação sensível, por exemplo, a morada do primeiro-ministro Luís Montenegro, um dos nomes que este grupo planeava atacar. Em reação, o diretor nacional da PSP, Luís Carrilho, diz que é tempo de a Justiça atuar, mas deixa também uma garantia: este é um caso singular.

São casos excepcionais e, como disse, neste momento, devemos deixar funcionar o sistema de justiça. Num Estado de direito democrático, há o princípio da presunção da inocência. Portanto, devemos colaborar com as entidades. A Polícia de Segurança Pública faz parte do sistema de justiça, do sistema de segurança e é composta por 20 mil homens e mulheres.

Trata-se de um caso excepcional, é o que afirma o diretor nacional da PSP. Uma declaração esta manhã captada pela RTP. Quatro dos suspeitos deste movimento, entre eles o líder e o número dois, aguardam julgamento em prisão preventiva. O Observador sabe que a acusação do Ministério Público indica que a organização tinha uma lista de indesejáveis com mais de uma centena de nomes, para além do primeiro-ministro, também o ex-presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, Cavaco Silva, Rui Tavares e as irmãs Mortágua também foram considerados alvos e outras figuras públicas como Ricardo Araújo Pereira, Nuno Markl ou Diogo Faro.

A madrasta suspeita de ter matado uma criança de oito anos em Valpaços fica hoje a conhecer as medidas de coação.

A criança foi morta em Valpaços e o corpo abandonado na serra da Padrela, em Vila Pouca de Aguiar. O jornalista do Observador, Miguel Pinheiro Correia, esteve na localidade de Carrazedo de Montenegro, onde vivia a menina, e conta o que aconteceu no dia do desaparecimento e de que forma autoridades e população perceberam que algo não estava a correr bem.

Segundo os relatos de alguns pais aqui perto da escola e também de alguns vizinhos, esta criança apanhava sempre o autocarro e neste dia não foi diferente. Nesta quarta-feira não foi diferente, apanhou o autocarro e foi deixada na escola. O trajeto fugiu à norma. Ela, em vez de entrar na escola, surgiu a madrasta que a impediu de entrar na escola por algum motivo, mas impediu-a de entrar na escola e levou-a com ela e depois, entretanto, foi dada como desaparecida. Foi nesse momento que foi vista pela última vez.

O pai da criança acredita que o crime foi premeditado e que a madrasta planeou o homicídio depois de uma desavença com o marido, dias antes de tudo acontecer. A madrasta que matou esta criança, esta menina de oito anos em Vale de Paços, ficou hoje a conhecer as medidas de coação decretadas por um juiz de instrução criminal do Tribunal de Vila Pouca de Aguiar. Foi ontem detida pela Polícia Judiciária e já confessou o crime.

Na atualidade internacional, o Irão confirma a suspensão das taxas de passagem pelo Estreito de Ormuz durante as negociações com os Estados Unidos.

É uma suspensão temporária, 60 dias, não vão ser cobradas taxas às embarcações pela passagem. O anúncio foi feito hoje pelas autoridades iranianas, que deixam, no entanto, um aviso: os navios devem coordenar de forma antecipada as rotas e os tempos de trânsito, devido à existência de zonas afetadas por minas e para garantir, dessa forma, uma navegação segura.

Os efeitos do levantamento das taxas e do bloqueio aos portos iranianos já se faz sentir. O tráfego marítimo em Ormuz atingiu o nível mais elevado desde abril.

Num único dia foram atingidos valores recorde, 25 navios comerciais atravessaram esta quinta-feira o Estreito de Ormuz, um número cinco vezes superior à média dos primeiros 10 dias de junho e sem precedentes desde o dia 18 de abril. Ficamos por aqui, Nelson, porque já a seguir vamos transmitir em direto essa conferência de imprensa da Seleção Nacional Portuguesa.