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Começa agora o Jornal das Três, edição do jornalista José Rafael Lopes. José, a DECO Proteste diz que a proposta do imposto europeu sobre os lucros petrolíferos extraordinários de Miranda Sarmento é de difícil aplicação e acusa o Estado de estar a encaixar a receita fiscal extra com o IVA na garrafa de gás.

O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, e quatro outros ministros da União Europeia propuseram taxar as empresas energéticas com lucros extraordinários por causa do conflito do Médio Oriente. O objetivo seria passar uma mensagem clara às empresas que estão a lucrar com as consequências da guerra. Ora, o especialista em mercados energéticos da DECO Proteste, Pedro Silva, tem dúvidas em relação à execução desta medida.

Saudamos que haja, de facto, a preocupação de que ninguém lucre com a guerra, mas existe um problema na raiz de tudo isto, que o petróleo não é extraído na Europa e muito menos em Portugal. Portanto, o petróleo, quando é vendido, ou o cru quando é vendido, é vendido numa origem que, no caso português, teremos extração no Brasil. Mas entra aqui uma questão fiscal e de Estado em que os lucros, embora possam chegar a Portugal, eles também já são taxados noutras geografias. Terá de haver aqui um lavorar jurídico muito fino para que se consiga chegar a esse ponto, se é que isso é, de facto, possível.

Pedro Silva, que diz ainda que não há dúvidas sobre a crise energética, se existe ou não, diz também que essa mesma crise pode prolongar-se até o final do ano.

Estamos perante uma crise energética que, ainda que hoje o Estreito de Ormuz fosse totalmente aberto à navegação, não se resolveria num prazo, provavelmente, antes do final deste verão. Portanto, o ano de 2026 vai continuar a ter alguma tensão, uma vez que vai demorar tempo a que tudo se regularize.

O analista de mercados energéticos, Pedro Silva, entrevistado na Rádio Observador pelo jornalista Miguel Cordeiro.

E o Irão abriu o estreito de Ormuz, mas apenas a navios com bens essenciais. O acesso continua cortado ao transporte de petróleo.

Informação partilhada por agências de notícias iranianas. As autoridades de Teerão estão a autorizar que navios com bens essenciais e ajuda humanitária atravessem o estreito de Ormuz. Esta autorização aplica-se especificamente a navios com destino a portos iranianos ou no mar de Omã. O estreito de Ormuz continua assim fechado a navios que transportem petróleo, que está a provocar uma crise energética, uma vez que é pelo estreito de Ormuz que circula um quinto do comércio mundial de petróleo e também de gás. Entretanto, o Irão diz ter atacado um navio ligado a Israel, precisamente no estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irão fala no ataque com drones que resultou num incêndio nesse mesmo navio.

E apesar do aumento do preço em produtos tradicionais da Páscoa, como o cabrito e o folar, os portugueses não abdicam de os ter à mesa.

O fim de semana de Páscoa coincide com o aumento dos preços por causa da guerra no Irão. O cabaz de bens essenciais nunca foi tão caro. Em março, atingiu o valor mais alto de sempre, ultrapassando os €254. O aumento acompanha uma tendência que se verifica desde o início de janeiro e a perspectiva é que a subida não pare. E é com o aumento de preços que os portugueses vão celebrar este domingo a Páscoa. Na freguesia de Alvalade, em Lisboa, a Rádio Observador esteve a acompanhar as compras dos fregueses para o almoço do domingo de Páscoa. No mercado, as pessoas queixam-se de aumento de preços. No entanto, no talho, o cabrito sai a uma grande velocidade, mesmo com o aumento de €6 por quilo em relação ao ano passado.

Hoje e ontem havia bastantes encomendas e saiu bastante mesmo.

E diga-me uma coisa, qual é o preço do cabrito por quilo? Aumentou muito comparativamente ao do ano passado?

Ao do ano passado, aumentou. Está a €25 o quilo.

E recorda-se quanto é que estava o ano passado?

O ano passado devia estar na casa dos 19,5, 20.

Testemunho de José Silva, um talhante em Alvalade, a dar conta desse aumento da procura por cabrito para o domingo de Páscoa. Também o tradicional folar tem uma grande procura nesta altura. Sandra Mira, dona de uma padaria, falou com a Rádio Observador quando já tinha vendido todos os folares disponíveis durante a manhã, mas admite que teve de ajustar os preços perante esta nova realidade.

Nós tivemos que fazer uma atualização, porque os preços têm subido gradualmente, é quase ao mês em determinadas coisas, como por exemplo, ovos, o chocolate, o cacau. Nós utilizamos muita coisa que está sempre em aumento de custos. Portanto, de alguma forma, e em determinados momentos, temos que o fazer refletir no nosso preço. Tentamos não demasiado pro lado do cliente, mas temos que gerir isso e esperemos que não suba muito mais.

Sandra Mira, dona de uma padaria, vendeu todos os folares antes do domingo de Páscoa. As tradições estão mais caras, mas os portugueses não abdicam de as ter à mesa neste domingo de Páscoa.

E ainda, José, pelo menos 13 pessoas morreram nas estradas portuguesas durante a Operação Páscoa da GNR e da PSP.

Os números mais recentes apontam essas 13 vítimas com perto de 2 mil acidentes registrados. Do lado da GNR, desde quinta-feira, cerca de 400 acidentes foram registrados, 10 vítimas mortais e 15 feridos graves. Já a PSP adianta que em oito dias de operação foram registrados mais de 1300 acidentes. Em comunicado, falam em quase 500 feridos e três mortes.

José Manuel Bolieiro está confortável com a utilização que os Estados Unidos têm feito nas últimas semanas da base das Lajes.

Em plena guerra do Irão, desde 28 de fevereiro, tem havido aumento da atividade na base das Lajes. Ontem, aterrou mais um drone de ataque dos Estados Unidos na infraestrutura açoriana. José Manuel Bolieiro não mostra desconforto. Ainda assim, admite que preferia que a base militar fosse uma plataforma de segurança e de dissuasão.

O que eu prefiro é que nesta posição geoestratégica que os Açores têm vindo a afirmar ao longo da história e para o presente e futuro, sejam mais Plataforma de segurança e de dissuasão de guerra. Entendo que devemos ser agentes de paz em todas as circunstâncias. Quanto ao uso da Base das Lajes, eu tenho tido a cortesia e a lealdade por parte, designadamente do Governo de Portugal, para as informações que são adequadas e no tempo certo transmitir. E tanto no que me é transmitido como tem sido tornado público, a nossa tranquilidade relativamente ao uso nos termos do acordo e das autorizações que o Governo de Portugal tem assegurado aos Estados Unidos.

José Manuel Bolieiros tem vindo a defender que, a seu tempo, Portugal e Estados Unidos devem renegociar o acordo que permite a utilização da Base das Lajes, de modo a tentar que os Açores tenham mais benefícios.

E no desporto, o Benfica joga na segunda-feira com o Casa Pia. José Mourinho confirma uma ausência para o encontro.

O treinador do Benfica não vai poder contar com Aouina para o jogo contra o Casa Pia, que foi a última equipa a conseguir ganhar ao Benfica para o campeonato, aconteceu em janeiro do ano passado. Esta época, na primeira volta, os Gansos também conseguiram roubar pontos ao Benfica na Luz. José Mourinho não tem dúvidas: este encontro, agora fora, vai ser ainda mais complicado.

Apesar de ter sido um jogo com coisas estranhas, conseguimos tirar dois pontos no jogo que fizemos no Estádio da Luz. Obviamente que na sua casa, ainda que emprestada, mas é a sua casa, é o seu habitat natural, vão seguramente lutar muito pelo, eu diria, ponto, mas pelas suas características, pela maneira como jogam, pelos pontos.

Sobre as polémicas de arbitragem, o treinador do Benfica reitera que o Benfica não foi beneficiado esta temporada, mas garante, José Mourinho, que se acontecer, ele próprio irá admiti-lo. São declarações antes do jogo Casa Pia-Benfica, que se joga na segunda-feira, quando faltar um quarto de hora para as 21h.

Que terá relato e análise aqui na Rádio Observador, tal como hoje, emissão especial de desporto para acompanhar o futebol clube do Porto e o Famalicão. E agora são 15h08, vamos ao habitual espaço de informação local.

Começamos em Alcobaça. Foi inaugurada a segunda fase do projeto Nova Alcobaça. O loteamento tem 280 mil m² e espaço para construir quase 900 apartamentos e casas. O presidente da Câmara, Hermínio Rodrigues, fala num ponto final no impasse urbanístico de quase duas décadas que travou a expansão do Conselho. Leiria, Caldas da Rainha e Ourém vão receber mais de €2 milhões em apoios da Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses para obras de requalificação. O Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, e o Teatro Municipal de Ourém vão receber cada um €800 mil. Já o Centro Cultural das Caldas recebe €600 mil. Em Sintra, o Sítio dos Animais vai ser requalificado. O autarca do município, Marco Almeida, promete finalmente trazer dignidade ao espaço que o Sítio dos Animais merece. Ainda não há, para já, indicação sobre quando é que começam as obras. No Seixal, arranca amanhã mais uma edição das comemorações do Dia Mundial da Atividade Física e da Saúde. O programa, estende-se até dia 16 de abril, inclui workshops e rastreios gratuitos. A iniciativa, promovida pela Câmara Municipal, tem como objetivo destacar a importância de um estilo de vida ativo e saudável. Na Maia, mais de 100 automóveis vão estar amanhã em exposição. O evento Café com Clássicos, no Coreto, acontece precisamente nos Jardins do Coreto, destina-se a todos os públicos, desde os amantes de carros a famílias. A entrada é gratuita. E em Ovar, o Festival Ovar em Jazz regressa na próxima semana ao Centro de Arte. A programação arranca na quarta-feira com um concerto da brasileira Ana Setton e estende-se até sábado. O encerramento fica a cargo da Orquestra de Jazz do Hot Club Portugal, acompanhada pelo saxofonista John O'Gallagher.

E é o ponto final no Jornal das Três, edição do jornalista José Rafael Lopes. Até já.

Até já.