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Vamos às notícias. Jornal das 4 com Miguel Videra. Miguel, o primeiro-ministro garante que tudo está a ser feito para gerir o caudal do rio Mondego, para evitar esse colapso dos diques.
O risco foi admitido pela Agência Portuguesa do Ambiente e pela presidenta da Câmara Municipal de Coimbra. Luís Montenegro está de visita às zonas ribeirinhas banhadas pelo Mondego e admite que a situação é complicada.
Nós vivemos um tempo de grande exigência, de um desafio extremo. Estamos no limiar da capacidade possível para conter estas águas do rio Mondego e, portanto, a palavra é simultaneamente tranquilidade, porque tudo aquilo que pode ser feito está a ser feito, incluindo a medida preventiva mais extrema, que é a evacuação. Tudo aquilo que puder ainda ser salvaguardado, vai ser salvaguardado do ponto de vista da gestão do caudal, do ponto de vista técnico e do ponto de vista da nossa interação com os nossos vizinhos espanhóis. Eu próprio estive aqui no passado dia 29 de janeiro e já na altura nós estávamos a fazer cheias controladas para termos nas nossas barragens maior capacidade de encaixe quando chegassem os dias que chegaram agora.
Também a ministra do Ambiente, o secretário de Estado da Proteção Civil e o presidente da República acompanham o primeiro-ministro nesta visita. Marcelo Rebelo de Sousa aponta para uma situação limite, apesar da ligeira trégua no estado do tempo prevista para amanhã.
Vai melhorar um pouco, há uma aberta amanhã e piora no dia seguinte. Estamos mesmo nesse limiar e é nesse limiar que se tem que gerir, e é isso que está a ser feito pela APA, é isso que está a ser feito na gestão das barragens, é isso que está a ser feito na gestão com a Espanha. O que é possível fazer em conjunto, a APA, os presidentes de câmara, as instituições sociais, tudo está a ser feito, o Estado, está a ser feito numa situação em que estamos mesmo no limite.
O presidente da República, e o sublinhar da mesma ideia do primeiro-ministro, há coordenação entre todas as entidades para gerir o caudal do rio Mondego e tomar as melhores decisões.
A Proteção Civil alerta que os rios Mondego, Tejo, Sorraia, Vouga, Águeda e Sado estão em risco severo de cheias.
Sim, no último briefing da Proteção Civil, por volta da hora do almoço, o comandante nacional Mário Silvestre alertou que, para além destes rios que anunciaste, há ainda outras bacias hidrográficas em risco de inundação.
Com risco significativo de inundações, o rio Mondego, o Tejo, o Sorraia, o Vouga, o Águeda e o Sado. Com risco de inundação, mantêm-se o rio Minho, o Cora, o Lima, o Cávado, o Ave, o Douro, o Tâmega, o Sousa, o Lis, o Nabão e o Guadiana.
Mário Silvestre, o comandante nacional da Proteção Civil, que deu conta, na Lezíria do Tejo, no Cartaxo, da derrocada de um armazém devoluto, sem vítimas. Deu também conta que o plano especial da bacia do Tejo se mantém no nível máximo, o nível vermelho. O comboio da tempestade já supera as 14.300 ocorrências. Estão ainda 30 mil clientes sem energia, a maioria em Leiria, 23 mil, 6 mil em Santarém e mil em Castelo Branco.
E vamos agora até Almada, onde um deslizamento de terras em Porto Brandão está a obrigar a medidas adicionais.
E é para lá que seguimos de imediato ao encontro do repórter do Observador, Martim Madeira. Martim, há pessoas a serem retiradas de barco.
Sim, Miguel, já nos tinham dado conta disso exatamente alguns moradores. Já nos tinham dito que sabiam de vizinhos que estavam a ser retirados de barco. Entretanto, o Observador conseguiu apurar junto da GNR de que essa informação se confirma, mas não só pessoas, também veículos estão a embarcar nesta ajuda dada pela empresa Transtejo. Isto porque após o deslizamento de terras que demos conta há cerca de uma hora, impediu por completo a passagem de veículos e a retirada das pessoas por terra. Alguns moradores deram-nos conta também, sem querer prestar declarações aos microfones, de que a Proteção Civil avisou ontem toda a gente da localidade que tinham de ser retiradas e que tudo aconteceu pacificamente e conseguiram tirar o necessário. Essas mesmas pessoas que foram retiradas voltaram aqui a Porto Brandão há pouco tempo, depois do último deslizamento, para desligar o gás e a luz das casas, com receio de que a queda dos postes provoque explosões e, portanto, agora ficaram algumas pessoas lá embaixo que estão a ser retiradas de barco para a zona da Trafaria. Aqui em Porto Brandão, um cenário complicado, onde a preocupação domina o pensamento dos moradores e onde todos os possíveis estão a ser feitos pela abordagem cautelosa da Proteção Civil.
Martim Madeira, em Porto Brandão, município de Almada. Não é a única situação que inspira preocupação junto do município, junto da autarquia da Câmara Municipal de Almada, esta madrugada, mais de 40 pessoas tiveram de ser retiradas de casa por causa de um movimento de terras numa das ribas da costa de Caparica.
E o primeiro-ministro foi confrontado em Coimbra com a demissão da ministra da Administração Interna, anunciada ontem à noite.
E como é resposta rápida aos jornalistas, diz Luís Montenegro que compreende as razões da saída da ministra Maria Lúcia Amaral, sem, no entanto, detalhar.
Com certeza que sim, e por isso quer eu, quer a senhora presidenta da República, acertámos, a senhora presidenta da República aceitou a demissão e eu propus essa demissão com base na iniciativa da senhora ministra da Administração Interna, se assim.
Luís Montenegro diz ainda que oportunamente há de comunicar quem é o sucessor ou sucessora de Maria Lúcia Amaral no governo. A saída da ministra da Administração Interna foi comunicada ontem à noite, numa nota da Presidência da República, o primeiro-ministro assume de forma provisória a pasta.
Entretanto, o Observador tentou há menos de uma hora obter declarações de Maria Lúcia Amaral sobre essa decisão de sair do governo.
Sim, agora a ex-ministra almoçou no restaurante Versailles, em Lisboa, mas recusou-se a prestar quaisquer declarações sobre esta saída do governo conhecida ontem à noite.
PS e Chega criticam o momento escolhido para a saída do governo da até aqui ministra da Administração Interna.
É essa a crítica comum feita por André Ventura e Eurico Brilhante Dias, críticas escutadas pelo jornalista do Observador, Miguel Videra Dias. Miguel, o que fundamenta estas críticas?
Sobretudo o timing da decisão da ministra e também a falta de um plano B por parte de Luís Montenegro para ter outro nome que ocupe esse lugar da Administração Interna. Os dois líderes, neste caso, o líder do Chega e o líder parlamentar do PS, falaram acerca de uma hora do arranque da conferência de líderes, que vai fechar a data para o debate quinzenal que foi hoje adiado, mas as críticas foram mesmo semelhantes. Primeiro, André Ventura, a dar conta de que nunca tinha visto alguém sair a meio de uma crise.
Um governante não sai quando as pessoas mais precisam dele ou dela. Um governante sai quando essas condições se concretizam e isto já devia ter acontecido antes. Acontecer no meio de uma catástrofe é um sinal de desorientação e é um sinal de descoordenação que o governo não deveria ter. Posto isto, o que é importante é que o senhor primeiro-ministro escolha alguém com conhecimento do terreno, com conhecimento das contingências e da operacionalidade, facto que não era o de Maria Lúcia Amaral, objetivamente.
Um perfil diferente do de Maria Lúcia Amaral, é o que pede André Ventura, que avisa ainda que o Chega pode avançar para uma comissão parlamentar de inquérito à gestão dos danos causados pela tempestade. É uma proposta que ficou no ar por parte do líder do Chega. Eurico Brilhante Dias, o líder da bancada socialista, criticou também este timing, que comparou até com a situação da Covid-19, em que disse que, por exemplo, António Lacerda Sales ou Marta Temido não abandonaram o Executivo até ao fim do combate da pandemia.
No meio de uma forte tempestade e na situação de emergência que vivemos, um responsável político deve ficar até o fim e deve executar as tarefas que lhe foram confiadas. Não é uma avaliação do desempenho. Nós temos a nossa própria avaliação do desempenho da senhora ministra e das condições que tinha para exercer o cargo. Sair na circunstância que vivemos ontem à noite, acho que é a primeira vez que vejo um membro do governo sair no meio de uma situação tão difícil.
Críticas, sobretudo ao timing da decisão da ministra Maria Lúcia Amaral, numa tarde em que os líderes parlamentares vão estar reunidos para decidir se o debate quinzenal vai decorrer ou não na sexta-feira às 10h ou apenas para a semana, como pede a iniciativa liberal.
Miguel Viterbo Dias, jornalista do Observador, que tem estado ao longo do dia no Parlamento, aqui a recolher estas opiniões que acabamos de escutar de Eurico Brilhante Dias e também de André Ventura sobre a saída da até aqui ministra da Administração Interna do Governo. A PS e Chega criticam o momento escolhido por Maria Lúcia Amaral para deixar o Executivo.
Quatro horas, nove minutos. Miguel, que outras notícias estão a marcar a atualidade?
Começamos com uma informação conhecida há instantes. O Ministério Público e a Polícia Judiciária Militar estão a fazer buscas a instalações da Força Aérea e da Marinha, buscas no âmbito de um inquérito sobre alegada prática de crimes de natureza económica. A investigação está a cargo do DIAP de Lisboa, Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa. A Procuradoria-Geral da República, a Marinha e a Força Aérea confirmam que as buscas estão em curso. A Marinha e Força Aérea adiantam que estão a colaborar com a investigação. No caso da Marinha, decorrem as buscas na Escola Naval do Alfeite. Outro dos locais de buscas é o Estado-Maior da Força Aérea, em Alfragide. Também elementos da Autoridade Tributária estão no terreno. O Ministério da Defesa, liderado por Nuno Melo, foi questionado pela Agência Lusa sobre estas buscas, ainda não se pronunciou. O Presidente da República já empossou os secretários de Estado do Ministério da Administração Interna, Paulo Simões Ribeiro, Telmo Correia e Rui Rocha, são reconduzidos depois da demissão de Maria Lúcia Amaral. O primeiro-ministro Luís Montenegro, já aqui demos conta, assume de forma provisória a pasta da Administração Interna. De saída, a dar-lhe conta que o Governo decidiu, à semelhança de anos anteriores, conceder tolerância de ponto aos funcionários públicos na próxima terça-feira, dia de Carnaval.