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Rádio Observador. É o Jornal das Quatro, com edição de Miguel Vider. E Miguel, tic tac, faltam cerca de duas horas e meia para o eclipse solar. E sim, quem vive na zona litoral, centro e norte de Portugal continental vai deparar-se com um intruso entre o olhar e este fenômeno raro.
As nuvens. A possibilidade tinha sido aventada no início da semana pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera. Fazia, no entanto, a ressalva de que esta é uma previsão difícil, com grau de incerteza elevado, pelo que falamos há uma hora com o meteorologista do IPMA, Cristina Simões, para confirmar a previsão. E sim, confirma-se.
Temos essa possibilidade, aumento na nebulosidade a norte do Cabo Carveiro, como referi, a partir, possivelmente, às 18h, final da tarde de hoje, que coincide realmente com o fenômeno do eclipse solar. Todas as regiões mais para o interior não deverão ter este problema, só mesmo as pessoas que se afastem da praia, a probabilidade será sempre maior de conseguirem ver bem este fenômeno.
Cristina Simões, meteorologista do IPMA, com a confirmação de formação de nuvens na faixa litoral norte e centro de Portugal continental. Ora, bem junto ao mar, no Cabo da Roca, está o fotojornalista do Observador, João Porfírio. João, boa tarde. Elas andam por aí, as nuvens?
Olá, muito boa tarde. Sim, ao longe vê-se, de facto, uma neblina ligeira aqui junto ao Cabo da Roca. Não só neblina, mas também várias centenas de pessoas se vão juntando aqui naquele que é um emblemático local para observar o Oceano Atlântico do nosso país. E já se vão juntando várias pessoas, não só portugueses, mas também estrangeiros. O farol do Cabo da Roca, que vai abrir ao público durante o final da tarde de hoje, foram vendidos mais de 1200 bilhetes e, portanto, mais de 1200 pessoas vão conseguir, através do terreiro do farol aqui do Cabo da Roca, assistir, esperamos nós, ao eclipse solar. Muitas pessoas têm-nos dito que vieram de propósito a esta pequena localidade, aqui em Colares, Conselho de Sintra, para observar este eclipse solar e esperam que, de facto, esta neblina que se está a formar no fundo do horizonte não atrapalhe os planos de todas essas pessoas. O que é facto é que quando o eclipse começar, o sol ainda estará relativamente alto e as pessoas esperam, com isso, que esta neblina não atrapalhe. É bem verdade que no fim do eclipse, digamos assim, já perto das 20h30, o mais provável é que estas pessoas já não tenham a observação tão incrível como será, provavelmente, no interior do país. Mas o que é facto é que a cada minuto chegam cada vez mais pessoas. Estas pessoas que também não referi há pouco, mas todas estas pessoas que vêm para o farol do Cabo da Roca têm acesso aos óculos de proteção. Também é importante, uma vez que a correria a estes óculos foi infernal nos últimos dias, como bons portugueses que todos nós somos, deixamos certamente para a última a compra ou a aquisição destes óculos. O que é facto é que todas estas 1200 pessoas vão ter acesso a estes óculos, mas outras tantas milhares de pessoas são esperadas naquela que é a encosta do Cabo da Roca. As autoridades, obviamente, estão no local para garantir a segurança de todas estas pessoas. Há várias pessoas já a virem a pé, uma vez que o estacionamento neste local já está bastante condicionado.
João, e tu esperas tirar grandes fotografias deste fenômeno raro? O último, temos feito referência incessantemente ao longo dos últimos dias, aconteceu em 1912. Tens que ter alguns cuidados particulares, tens que fotografar também com os óculos? Como é que vais fazer?
É verdade, vou ter eu e toda a nossa equipa de fotojornalistas que estão um pouco espalhados por todo o país. Vamos estar em Bragança, vamos estar no Algarve, vamos estar no Porto, vamos estar aqui em Lisboa. E nós todos temos que ter cuidados especiais, uma vez que fotografar o sol continuamente durante muitos minutos pode fazer com que o nosso sensor da máquina fique queimado e fique danificado. Não só os nossos olhos podem ficar danificados com a não utilização destes óculos, mas também o nosso equipamento fotográfico pode ficar completamente estragado De forma irreversível. Ainda bem que faz essa ressalva. Alerto também quem não tem máquinas profissionais ou semiprofissionais e que vá fotografar o eclipse, que tenha bastante atenção a quem tenha a intenção de fotografar este eclipse com o telemóvel. Exatamente da mesma maneira que o material profissional tem que ter filtros específicos para proteger a radiação solar e infravermelhos do sensor das máquinas, também os telemóveis precisam de ter cuidados especiais, uma vez que detêm também as lentes fotográficas e que, portanto, o sensor da nossa máquina no telemóvel pode ficar estragado. Como é que nós protegemos isso? É muito simples. O ideal é um segundo par de óculos e pôr esse segundo par de óculos à frente da lente do nosso telemóvel. Só assim é que nós vamos conseguir proteger o nosso telemóvel. Se não usarmos estes óculos amanhã, provavelmente, quando ligarmos a nossa máquina do telemóvel, a nossa câmera, e vermos no ecrã várias pintinhas, vários sinais de que parece que a câmera está suja ou parece que as fotografias estão todas a sair desfocadas, é sinal que provavelmente alguns dos sensores da máquina do nosso telemóvel ficaram danificados de forma irreversível e, portanto, teremos que ou mudar de telemóvel ou levar o telemóvel para o arranjo. Portanto, para evitar isso, é muito simples: é garantir a aquisição de um segundo par de óculos e proteger o nosso telemóvel com esse segundo par de óculos. E obviamente, que mesmo protegendo os nossos telemóveis e as nossas câmeras fotográficas com estes filtros, é imperativo que nós continuemos sempre a tirar fotografias com os óculos postos, uma vez que nós estamos a olhar diretamente para o sol de forma contínua. E muitos dos nossos ouvintes vão perguntar: "Mas eu, durante todo o ano, durante toda a minha vida, já olhei para o sol tantas vezes e nunca pensei nisso". O que é facto é que nós não olhamos para o sol durante tanto tempo seguido. E isto é a grande diferença, uma vez que todo o fenômeno do eclipse vai demorar cerca de duas horas, uma hora, uma hora e meia, uma hora e quarenta, e faz com que nós, se estivermos a olhar por todo este tempo para o sol, a nossa retina tenha graves lesões irreversíveis, assim como as câmeras fotográficas. E é por isso que nós estamos a conduzir e levamos com o sol nos olhos durante um ou dois segundos, não há um mal propriamente dito, mas estar a olhar de forma contínua para o sol durante tanto tempo, é aí que está o problema.
Ficam, por isso, estas recomendações do fotojornalista do Observador, João Porfírio, que nos irá brindar seguramente com grandes fotografias deste fenômeno raro. Está a esta hora no Cabo da Roca. O João Porfírio, fotojornalista distinguido do Observador, bem como milhares de pessoas que vão acompanhar este fenômeno.
E seguramente vida mais fácil vão ter os participantes do Festival de Música de Paredes de Coura, que arrancou esta tarde.
Mais fácil, comparativamente com todas aquelas pessoas que residem na faixa litoral norte e centro de Portugal continental e que podem encontrar algumas nuvens baixas a condicionar a observação do fenômeno. A edição número 32 do Paredes de Coura coincide com este fenômeno raro e que, claro, não passa ao lado da organização de um dos mais importantes festivais de música do país. Foi isso que explicou há uma hora, aqui na antena do Observador, o diretor e fundador do festival, João Carvalho.
O eclipse vai coincidir com a atuação dos First Breath After Coma e do Salvador Sobral. E obviamente que falamos de fazer algo especial durante esses segundos e então vamos passar nos ecrãs laterais o eclipse filmado por nós. E, por coincidência, quando o eclipse acontecer, era quando eles iam tocar um tema sombra, que fala exatamente da sombra que o eclipse provoca.
Os astros estão alinhados para este momento de simbiose entre a música e este fenômeno astronômico raro, um eclipse solar.
E agora são 16h09. Que outras notícias marcam esta hora?
Falha humana é a justificação para o acidente que ocorreu em julho com o autocarro da Carris Metropolitana, em Alcáçovas, em que 102 pessoas morreram. As conclusões são da Transportes Metropolitano de Lisboa. Num comunicado enviado à Agência Luz, a empresa refere que a análise técnica do operador não identificou qualquer evidência de falha mecânica na viatura, apontando os elementos recolhidos para fatores de natureza humana. Esta avaliação foi feita com base em diversos dados, a dinâmica do acidente, testemunhos recolhidos e as verificações técnicas que foram feitas no pós-acidente. O ministro da Administração Interna está particularmente preocupado com a sinistralidade nas estradas portuguesas. Luís Neves anunciou esta tarde operações de fiscalização de norte a sul do país, já no próximo fim de semana. Operações com agentes à paisana, numa altura que o ministro considera particularmente crítica para a sinistralidade rotoviera. É um fim de semana onde várias famílias circulam nas estradas de norte a sul do país. No desporto, Rui Costa revela que o Benfica ainda vai contratar novos jogadores e atira algumas farpas aos rivais. Foi à partida para a Escócia. Os encarnados jogam amanhã frente ao Hearts, segunda mão da terceira pré-eliminatória do acesso à fase Liga da Liga Europa. O presidente das Águias falou sobre o mercado, contratações, diz que não quer escolher rápido, quer escolher bem. Foi o que disse Rui Costa, o presidente do Benfica, há pouco, no aeroporto, à partida para a Escócia. Como disse, o Benfica joga amanhã frente ao Hearts, jogo da segunda mão da terceira pré-eliminatória da Liga Europa. O Benfica parte com vantagem para este jogo. E terminamos esta edição das 16h com uma informação de última hora. Acaba de me ser trazida aqui pela Filomena Martins, que já a seguir vai estar na emissão da Rádio Observador e com a indicação de que o antigo presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, está internado no Hospital de Faro. Não há mais informações, um tema que seguramente haveremos de desenvolver em futuros espaços informativos aqui na antena da Rádio Observador.
E é o ponto final no jornal das 16h, edição do jornalista Miguel Videira. Já a seguir temos quente e frio com Filomena Martins.