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No Rádio Observador. Jornal das cinco com Miguel Vítor Dias. E Miguel, começamos com o mau tempo. A Proteção Civil já regista 60 ocorrências.

Mais de 20 são na região de Lisboa e Vale do Tejo, a maioria delas pequenas inundações e operações de limpeza de estradas. Fonte da Autoridade de Emergência e Proteção Civil diz à Rádio Observador que a situação não levanta preocupações e que não é previsível que o cenário piore substancialmente até à meia-noite, hora a que terminam os avisos do Instituto Português do Mar e da Atmosfera em todo o território nacional. Sete distritos estão sob aviso amarelo do Instituto Português do Mar e da Atmosfera. São eles Beja, Castelo Branco e Évora, também Faro, Portalegre, Setúbal e a capital, Lisboa.

E a líder parlamentar do PS critica a postura do autarca socialista Ricardo Leão sobre os despejos de habitações municipais.

Alexandra Leitão considera que um regulamento municipal nunca pode introduzir penas acessórias para cidadãos condenados pela Justiça. Esta leitura da lei, feita pela líder parlamentar do PS, foi publicada na rede social X, o antigo Twitter, depois do presidente da Câmara de Loures, Ricardo Leão, eleito pelo PS, ter votado a favor de uma recomendação do Chega para despejar das casas municipais os cidadãos responsáveis pelos desacatos na região de Lisboa. Para além do PS, também o PSD votou a favor da recomendação. Na reunião do executivo municipal, Ricardo Leão usou da palavra para dizer que quem comete crimes deve ser despejado, sem dó nem piedade. Foi a expressão utilizada pelo autarca, que ontem emitiu um comunicado a aligeirar a exposição, mas mantendo a opinião de que quem for condenado em tribunal deve ser despejado. Alexandra Leitão acrescenta nesta publicação, em que critica Ricardo Leão, que ainda bem que a lei não dá competências aos municípios para determinarem penas acessórias. O presidente da Câmara de Loures foi recentemente eleito também líder da distrital do PS em Lisboa.

E Joana Mortágua responde à publicação de André Ventura sobre a morte do pai.

Camilo Mortágua morreu hoje aos 90 anos. A notícia foi confirmada numa nota emitida pela família. Entretanto, o presidente do Chega, André Ventura, fez uma publicação na rede social X a acusar Camilo Mortágua de ser um terrorista e a dar conta de que o Chega não alinhará no branqueamento do que fez o militante antifascista. A deputada do Bloco de Esquerda, Joana Mortágua, filha de Camilo Mortágua, respondeu diretamente ao presidente do Chega para destacar a coragem infinita do pai e a admiração por, mesmo depois de morto, ter o poder de assustar fascistas. Foi a expressão utilizada por Joana Mortágua. Para além da posição de André Ventura, que disse respeitar a dor dos familiares, também o CDS emitiu uma nota em que adianta que respeita a perda de uma vida, mas demarca-se de qualquer homenagem, tributo ou iniciativas laudatórias de alguém que diz ter participado em atos violentos dos quais resultaram a perda de vidas humanas inocentes durante a ditadura. Já o presidente da República emitiu uma nota de pesar a Mariana e Joana Mortágua, bem como a amigos e admiradores de Camilo Mortágua, que descreve como um lutador contra a ditadura durante muitas décadas.

E Paulo Raimundo considera que a abstenção do PS no Orçamento do Estado liberta um discurso reacionário do Chega e da Iniciativa Liberal.

O secretário-geral do PCP deixa críticas ao sentido de voto dos socialistas, um dia depois da votação do Orçamento do Estado na Assembleia da República. Paulo Raimundo atira ao PS esta tarde, durante um almoço do PCP.

O Partido Socialista, ao dizer que viabilizava este orçamento, permitiu que toda a hipocrisia, todo o cinismo, toda a demagogia, toda a reacionarice do Chega e da Iniciativa Liberal ficasse liberta de ter que aprovar um orçamento com o qual estão profundamente de acordo e que vêm de forma fanfarrona votar contra, quando estão de acordo com todas e cada uma das decisões que lá está, em particular aquelas que dão benefícios aos grandes grupos económicos, esses mesmos grupos económicos que são o sustento financeiro desses mesmos partidos.

O PCP, aqui pela voz do secretário-geral, que considera este Orçamento do Estado apresentado pelo governo da AD um estímulo de baixos salários que carrega a instabilidade da vida de milhões de pessoas.

No futebol de amanhã, o Benfica viaja até ao Algarve para defrontar o Farense e Bruno Lage espera dificuldades.

O treinador dos encarnados falou do calendário apertado. O Benfica está a jogar de três em três dias e deixou também elogios ao crescimento da equipa algarvia nos últimos jogos. Bruno Lage não tem dúvidas quanto ao objetivo: é trazer os três pontos do Algarve.

A dificuldade vem por aí, principalmente por ser um adversário que tem crescido. Mesmo anteriormente ao Tosé, já tinha visto um ou outro jogo, por exemplo, com o Porto fora, que tinha tido uma boa prestação. Nos últimos jogos, essas boas prestações têm surgido. Por isso, a dificuldade vem daí, vem também do fato de nós estarmos a competir de dois em dois dias. Por isso, aquilo que perspetivamos é um jogo difícil, mas acima de tudo, partir com a mesma ambição de sempre. Para nós é uma final. Sabemos que é muito importante conquistar pontos, conquistar os três pontos, por isso é dessa forma que o vamos encarar.

Do lado do Farense, o último classificado com apenas quatro pontos, o técnico Tosé Marreco fala num Benfica diferente do de Roger Schmidt e diz que se a equipa do Farense quiser pontuar, não pode cometer erros.

Temos as coisas absolutamente bem definidas no que temos que explorar, o que temos que contradiar, sabendo dos pontos fortes e na dinâmica ofensiva diferente que é este Benfica e, portanto, pôr isso em prática agora. A juntar a organização, o de sempre, a ambição, a crença, a intensidade nos duelos que precisamos. Muitas vezes os jogos vão para esse tipo de duelos, a aliar à organização que temos que ter, com muito poucos erros, sabendo que os erros neste tipo de jogos se vão pagar muito caro.

Tosé Marreco, o treinador do Farense, o duelo entre os algarvios e o Benfica, que está marcado para amanhã, quando forem 18h.

E Miguel, no Sporting está terminada a novela sobre a transferência de Rúben Amorim.

O técnico foi anunciado esta manhã como novo treinador do Manchester United. Rúben Amorim vai assinar por duas épocas e meia, até 2027, mas só vai entrar no clube a partir de 11 de novembro, ou seja, ainda vai liderar o Sporting em três jogos, entre eles um contra o grande rival do United, o Manchester City. O Sporting vai receber 11 milhões de euros pela transferência. Foi isso que deu conta o clube num comunicado à CVM. Rúben Amorim remeteu esclarecimentos sobre esta mudança para depois do jogo de hoje, mas a oficialização surgiu antes do encontro marcado pras 20h15 frente ao Estrela da Amadora. Ponto final na novela da transferência, depois de 72 horas que foram muito agitadas no clube de Alvalade. Miguel Gato.

Tudo começou com a saída de Erik ten Hag do comando técnico do Manchester United e questionado pelos jornalistas na antevisão ao jogo frente ao Nacional, Rúben Amorim respondia assim: Não vou comentar.

Mas para si é um orgulho estar associado a estes clubes ou o único objetivo neste momento de Rúben Amorim é terminar a época no Sporting e ganhar títulos no Sporting?

Eu tenho muito orgulho em ser treinador do Sporting, apenas isso. A verdade é que nesta altura, as negociações entre o treinador e o gigante inglês corriam já de forma célere e houve um pormenor que fez mesmo a diferença na escolha de Rúben Amorim. O Manchester United quis fazer uma jogada de antecipação ao rival City, acreditando que o português poderia seguir com Hugo Viana no final da época para o Etihad Stadium. Houve ainda mais dois fatores que fizeram Amorim escolher o United em novembro: um contrato com ordenado que é mais do dobro do que aufera em Alvalade, oito milhões líquidos por temporada, e um plano desportivo semelhante àquele que o levou ao Sporting em 2020. Não vão ser exigidos grandes resultados esta temporada, mas sim a preparação para 2025, 2026. Amorim deu o sim e quando saiu o comunicado da Sporting SAD a dar conta do interesse dos Red Devils, o treinador tinha já decidido rumar à Inglaterra, ainda que dissesse que não.

Rúben, nestes últimos quatro anos e meio, sempre falava sobre a possibilidade de sair. Sempre disse que a sua principal preocupação seria sair a bem. Passadas estas últimas 72 horas, sente que esse objetivo será cumprido?

Será cumprido, sem dúvida nenhuma. Será cumprido se sair. No balneário leonino, houve quem não achasse piada e há os jogadores que ficaram mais revoltados com Rúben Amorim, o treinador falou com eles à parte para que entendessem a sua decisão. Do lado da direção do Sporting, a coisa também não foi facilitada. Frederico Varandas quis marcar a posição do clube, exigiu o valor da cláusula de rescisão e fez questão que Rúben Amorim ficasse até à paragem de seleções. E assim foi. O ainda técnico do Sporting, que assina agora pelo Manchester United, vai rumar à Inglaterra no dia 11 de novembro, a seguir à deslocação a Braga.

O jornalista Miguel Gato com os desenvolvimentos dos últimos dias relativos à saída de Rúben Amorim para o Manchester United.

Noutros temas, em Espanha, a busca por desaparecidos na região de Valência ainda continua.

Numa altura em que o número de vítimas mortais já vai em 205 mortos, é o que avança o jornal espanhol El Mundo, os enviados especiais do Observador a Valência estão numa das zonas mais afetadas, a localidade de Sedaví. Está praticamente incontatável, não há luz, água, nem rede móvel. Ainda há muitas pessoas à procura de desaparecidos numa localidade em que se procedem agora aos trabalhos de limpeza, como explica a Joana Moreira.

Estamos neste momento no centro de Sedaví. Conseguimos momentaneamente ter alguma rede móvel, assim como muitas pessoas que estão aqui à nossa volta. A cidade está apinhada de gente neste momento a limpar as casas, a retirar tudo aquilo que foi consumido pelas cheias que atacaram esta zona de Espanha em particular, toda a região aqui da zona de Valência. Muita gente está à procura, neste momento, de familiares e pessoas desaparecidas, cujo número neste momento não consegue ser avançado, é neste momento a grande incógnita nestas cheias. Muita gente a varrer a lama das ruas e à espera das autoridades prometidas pelo governo valenciano, que hoje informou que os militares serão recrutados para ajudar nas cheias que assolam o sul e o leste de Espanha.

Joana Moreira, que juntamente com o João Porfírio, está na região de Valência, a esta hora em Sedaví, uma localidade onde se tenta limpar a lama causada pela tempestade desta semana.

E é assim que fechamos este jornal das cinco com Miguel Vitor Dias.