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Jornal das 5, com a jornalista Vanessa Cruz e começamos com os efeitos do mau tempo em Leiria, a região mais afetada pela passagem da tempestade. O hospital e os centros de saúde estão a funcionar com recurso a geradores e mais de 200 pessoas feridas já procuraram ajuda nas urgências.
Duzentas e trinta e duas, em concreto, Ricardo, de acordo com o balanço feito na última hora à Rádio Observador pela diretora clínica da ULS da região de Leiria, Catarina Faria, garante que não há risco de o hospital ficar sem energia e sem água, até porque a Proteção Civil também está a ajudar.
Temos geradores a funcionar a combustível. Neste momento, temos combustível para dois dias, mas já estamos a ter fortalecimento, através da Proteção Civil, de combustível diariamente. Em relação à água, estamos a ter o fortalecimento através da rede, mas em caso de falha da rede, também a Proteção Civil já nos garantiu. Falta dizer neste momento é às comunicações. Estamos apenas com comunicações internas.
Não há risco de poderem ficar sem eletricidade, nem água nos próximos dias?
Não, não existe risco.
A presidente da ULS da região de Leiria, entrevistada pelo jornalista do Observador, Tiago Caeiro, Catarina Faria, explica que já houve alguns doentes transferidos para outros hospitais e deixa conselhos a doentes que têm determinadas patologias.
Os doentes que têm cuidados respiratórios no domicílio devem tentar entrar em contacto com a empresa que os fornece. Se não conseguirem este contacto, por razões de comunicação, como nós estamos com estes constrangimentos, devem dirigir-se ao centro de saúde mais próximo para conseguirem carregar os seus aparelhos ou obterem ajuda para contactar os fornecedores através da Proteção Civil e dos bombeiros. Os doentes que estão em programa de hemodiálise devem se dirigir às suas clínicas de hemodiálise, que estão abertas 24 horas.
Recomendações da diretora clínica da ULS de Leiria para quem faz hemodiálise e tem aparelhos respiratórios em casa.
E a E-Redes aponta para breve o regresso da energia às regiões afetadas pelo mau tempo. Quantas pessoas ainda estão, nesta altura, sem luz, Vanessa Cruz?
Ainda há 408 mil pontos de entrega sem eletricidade, portanto, mais pessoas do que isso. Mas o presidente da E-Redes, José Ferrari Caretto, antecipa que o cenário mude nas próximas horas.
O início da energização deverá estar para breve. Nós temos uma central móvel a caminho de Leiria para começarmos já com alguma energização em locais ainda muito circunscritos. Estamos a tentar resolver a energização de seis subestações nas imediações dentro do distrito de Leiria. Assim que tenhamos essas subestações resolvidas, a alta tensão no distrito de Leiria ficará disponível e acredito que comecemos a ter energia muito em breve.
Ainda assim, pode não ficar logo tudo resolvido.
Sendo completamente transparente, a preocupação que vai haver depois é aquilo que normalmente nestas situações se designa pela cauda longa, ou long tail, que é ter 100% da energia reposta, pode demorar mais tempo. Agora, ter uma quantidade significativa de pontos de entrega energizados, eu conto que isso aconteça rapidamente.
O presidente da E-Redes, José Ferrari Caretto, em entrevista à RTP. Só no distrito de Leiria, há mais de 300 mil locais sem eletricidade.
E o primeiro-ministro esteve em Leiria no início da tarde, depois do governo ter decretado a situação de calamidade.
E agora está em Coimbra. Vamos até lá em direto ao encontro do Luís Soares, ouvir essas declarações de Luís Montenegro.
Tudo aquilo que é antecipável, tudo aquilo que é mobilização do nosso sistema de proteção civil para as dificuldades que ainda teremos nos próximos dias, porque mesmo sem a depressão Christine, nós vamos continuar a ter chuva, vamos continuar a ter vento e vamos continuar a ter efeitos que se vão fazer sentir. Exemplo disso foi aquilo que acabamos agora mesmo de ver no rio Mondego, com a gestão programada que queremos fazer nos próximos dias para que a pluviosidade da próxima semana não seja de molde a criar situações de inundação e de cheia que sejam incontroláveis. Portanto, tudo aquilo que podemos fazer com controle.
Tinha antecipado cheias e inundações.
Eu que antecipei.
Cheias e inundações, disse que o risco ainda não tinha passado, queria só perceber, referia-se a concelhos?
Eu referia-me a todos aqueles que tradicionalmente têm uma exposição maior a esse fenômeno. Estamos, por exemplo, num desses casos, que é aqui em Coimbra, mas há outros, como sabemos, seja no Ribatejo, seja no Conselho de Águeda, no distrito de Aveiro, em todas as populações ribeirinhas que têm uma especial exposição ao aumento dos caudais e, portanto, à subida dos níveis d'água, nós temos de antecipar essa circunstância para tentar diminuir os impactos daquilo que poderá vir a ser inevitável. Eu não estou com isso a querer assustar ninguém, estou com isto apenas a querer, de forma serena, responsável, sensibilizar todos para colaborarmos, para respeitarmos as indicações das autoridades e para podermos, de facto, diminuir aquilo que ainda possa estar diante de nós nos próximos dias. O exemplo que aliás estamos aqui a promover em Coimbra, em colaboração estreita com a Câmara Municipal, com a Agência Portuguesa do Ambiente, com todas as entidades públicas que têm responsabilidade na área, é precisamente isso. É tentarmos, nos próximos dias, tomar algumas medidas preventivas, programadas, para tentarmos estar mais capacitados na próxima semana, porque é expectável que tenhamos um aumento ainda significativo dos níveis de chuva.
Fico a perceber melhor os apelos quase desesperados de alguns autarcas ontem e hoje que clamavam por uma ajuda urgente do governo, que eventualmente pode não ter chegado nas primeiras horas?
Devo dizer que a ajuda chegou desde a primeira hora. Aliás, chegou antes da hora do evento. Nós tivemos ocasião de antecipar uma grande parte daquilo que podiam ser as consequências da passagem da depressão por Portugal, de ter elevado o nosso nível de prontidão, de ter deslocalizado meios de apoio para as zonas que estava previsto serem mais afetadas. A senhora presidente da Câmara Municipal de Coimbra não me vai levar a mal que eu faça esta inconfidência, eu até tive ocasião de saber que ela própria e os responsáveis da Proteção Civil de Coimbra até dormiram na própria Proteção Civil na noite do acontecimento, o que quer dizer que seguiram toda a noite, a par e passo, a evolução da situação. E só o fizeram porque ela foi antecipada. Só o fizeram porque dentro deste funcionamento coordenado de todas as capacidades, a nível local, regional e nacional, nós fizemos o que era possível ser feito. Dito isto, à pergunta direta, não direi que compreendo melhor, compreendo profundamente o grito de alerta que é lançado pelos responsáveis das populações, em particular pelos autarcas, relativamente à necessidade de repor uma situação que é verdadeiramente desafiante e muito difícil de enfrentar, que é não ter comunicações, não ter energia elétrica, em muitos casos, não ter também abastecimento d'água. Estas três coisas, em simultâneo, dão, de fato, um panorama que é muito complexo, porque as pessoas ficam impedidas de se relacionarem e de comunicarem. Ora, o que é que nós fizemos? Tentamos também aí antecipar, contactar todas as pessoas através dos avisos, através até dos SMS da Proteção Civil, todas as pessoas antes da ocorrência e após a ocorrência. Estamos a pôr todas as nossas forças no terreno para suprir essa dificuldade, nomeadamente através dos bombeiros, através das forças e serviços de segurança, em particular da GNR, através das Forças Armadas, através das câmaras municipais, dos seus serviços de Proteção Civil, das instituições, a tentarmos dar a maior tranquilidade possível, sendo certo que não é fácil. Não é fácil. Não é fácil, naturalmente, fazer este trabalho e este esforço, porque nós não conseguimos estar em simultâneo em todos os sítios, em todas as casas, com todas as pessoas. É um trabalho que está em curso.
Luís Montenegro, em Coimbra, admite que os danos do mau tempo são mais do que era expectável.
E os candidatos presidenciais têm tido uma abordagem diferente na campanha em relação ao mau tempo. António José Seguro visitou ontem, sem jornalistas, a região de Leiria, admite voltar nos mesmos moldes, num modo mais discreto. André Ventura está precisamente em Leiria hoje, mas em campanha e com jornalistas.
Sim, vamos, sem demora, ao encontro do jornalista do Observador, Miguel Vítor Dias, sendo que, Miguel, André Ventura tem rejeitado estar a aproveitar politicamente os estragos causados pelo mau tempo.
São candidato presidencial de um líder que era no terreno. Terminou agora mesmo esta visita aqui ao centro da cidade de Leiria. Reações mistas. Por um lado, foi recebido por um agricultor e por um empresário da agropecuária que se queixavam que a situação nas freguesias à volta do centro de Leiria é muito pior, que há dificuldades, por exemplo, para animais vivos, por dificuldades em chegar a essas explorações pecuárias, para levar alimentos, para levar água. Mas ouviu também, por outro lado, algumas pessoas acusá-lo de aproveitamento, de querer aparecer, de não estar aqui propriamente a ajudar ou até de chegar tarde. Mas o que é certo é que André Ventura foi aqui percorrendo as ruas do centro, falou também com alguns comerciantes, algumas pessoas que iam abordando, e aí com reações mais positivas, a pedir-lhe rapidez, muitas das vezes até em funções como a de líder da oposição, para que o Governo e o Parlamento coloquem no terreno estruturas de ajuda às pessoas e às empresas, um papel que não cabe tanto ao presidente da República. Nas declarações, no fim, que terminaram mesmo há pouco, André Ventura voltou a frisar que Luís Montenegro se atrasou na resposta que deu a esta catástrofe provocada pelo tempo. Diz que o primeiro-ministro devia estar no terreno desde a primeira hora para mostrar essa coordenação e essa liderança política e não foi bem perceptível se irá ainda visitar ou não, de forma mais discreta, outros locais. Para já, fê-lo aqui bem no centro da cidade de Leiria e ouviu de muitos que aqui não é a situação pior, o pior está mesmo .
A reportagem do Miguel Vítor Dias, aqui com algumas falhas técnicas, como é natural, tendo em conta os problemas nas comunicações em Leiria. Miguel Vítor Dias, que está a acompanhar o candidato presidencial André Ventura.
Sim, continua a ser muito difícil comunicar com quem está em Leiria, sobretudo na cidade. Foi fácil perceber agora com o Miguel Vítor Dias. Entretanto, António José Seguro já não tem mais agenda para hoje, decidiu adiar o comício que estava marcado para esta noite em Almeirim.
Por causa dos efeitos da passagem da depressão Christine, Santarém também é uma zona bastante afetada. Como dizíamos, Seguro já foi ontem a Leiria sozinho, assume fazer o mesmo noutras regiões afetadas ainda hoje. Para o candidato, não é a altura de tirar dividendos políticos. Vasco Maldonado Correia.
De manhã tinha admitido a possibilidade. À tarde, a hipótese passou a certeza. António José Seguro cancelou o comício que estava previsto para esta noite em Almeirim, por causa do mau tempo no distrito de Santarém, diz que não podia ser de outra forma.
É uma das zonas fustigadas e territórios que foram afetados e, portanto, era o mínimo que eu devia fazer.
Ontem, Seguro visitou Leiria, mas foi sozinho, sem comunicação social e, dado o número de áreas afetadas, planeia voltar a fazê-lo.
É normal que eu, mal termine, termina hoje a minha ação de campanha, que agora continuo ao telefone com dirigentes, com autarcas, saber o que é que acontece e quero ir ao terreno, mas vou sozinho.
O candidato não comenta se Marcelo Rebelo de Sousa devia visitar estas regiões.
Eu não vou aproveitar este momento para qualquer aproveitamento político.
Mas confrontado com a opção de André Ventura, que foi para Leiria com cobertura mediática, aproveita para deixar uma provocação.
É uma diferença entre si e André Ventura.
Não é a única.
Outra das regiões afetadas é Figueira da Foz. O autarca Santana Lopes lamentou que o governo, ao contrário de Seguro, não o tenha contactado. O candidato diz que se limitou a cumprir um dever.
Eu confirmo que falei com o doutor Pedro Santana Lopes. Eu cumpro o meu dever. Eu faço aquilo que considero que é o meu dever como cidadão
E como candidato a presidente da República.
A campanha de António José Seguro, obrigada a mudar de planos por causa do mau tempo. O segundo dia oficial terminou com uma visita à Atech, em Palmela.
Reportagem do Vasco Maldonado Correia, que referia aqui essas críticas de Pedro Santana Lopes. No Facebook, o presidente da Câmara da Figueira da Foz criticou os silêncios dos atuais órgãos de soberania e elogiou esse telefonema e a mensagem que recebeu de António José Seguro. O candidato apoiado pelo PS acaba, de resto, de receber um apoio de peso para esta segunda volta das presidenciais e é do antigo presidente da República, António Ramalho Eanes, diz que se identifica no pensamento democrático que tem António José Seguro e partilha o entendimento sobre competências e o exercício da função de chefe de Estado.
Vanessa, ficam ainda mais algumas notas, porque estamos prestes ao arranque do Conselho de Ministros, que está agendado para daqui a pouco e deve ficar também marcado pela situação de mau tempo.
Sim, esse ponto de situação do governo estava previsto para às 16h30, mas entretanto ainda não arrancou, sendo que além da questão da situação de calamidade, o governo também pode falar sobre o apoio que foi anunciado hoje para agricultores afetados pelo mau tempo.
E é quanto?
As taxas podem chegar aos 100%. A medida foi anunciada pelo Ministério da Agricultura, aponta para um intervalo entre 5 mil e 400 mil euros, dependendo dos casos. Os formulários para as declarações de prejuízos estão disponíveis nos sites das CCDR, as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional. Várias equipas estão também no terreno a fazer uma primeira avaliação dos estragos.
E voltamos a atualizar as notícias às 17h30 com a Vanessa Cruz.