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Agora 06h00. É o Jornal das Seis, edição é do Luís Soares e na política, o secretário-geral do PS acusa o governo de ter desistido do SNS. Em causa, portaria que obriga as grávidas a ligar para a linha telefónica antes de se dirigirem às urgências de ginecologia ou obstetrícia.
A portaria foi publicada ontem e entra em vigor na segunda-feira, para já na região de Lisboa e Vale do Tejo. Esta tarde, à margem da apresentação dos candidatos autárquicos em Évora, Pedro Nuno Santos acusa o governo de ter fechado as portas das urgências porque não é capaz de resolver o problema da falta de médicos.
O governo, incapaz de resolver o problema da falta de médicos no SNS, eu não digo que tinha que resolver já, mas nem sequer tem uma estratégia para resolver e, portanto, aquilo que o governo decide fazer é dificultar o acesso aos serviços de urgência. E este encerramento das portas às nossas grávidas e às nossas mulheres que precisam de recorrer aos hospitais e aos serviços de obstetrícia, é muito preocupante, porque claramente significa aquilo que nós sempre dissemos: este é um governo que desistiu do Serviço Nacional de Saúde e julga que pode resolver os problemas com telefonemas.
Uma decisão do governo que está a preocupar o líder do PS, o facto das grávidas terem que ligar para a Linha Saúde 24 antes de se dirigirem às urgências de obstetrícia e ginecologia.
E Pedro Nuno Santos defende ainda que é necessário levar muito a sério o que diz o governador do Banco de Portugal sobre as contas públicas portuguesas.
Ontem Mário Centeno avisou para a possibilidade das contas públicas voltarem ao déficit no próximo ano. Além disso, o governador mostrou-se preocupado com o facto da despesa pública aumentar 10% este ano, o que pode pôr em causa as regras europeias. Esta tarde, já ouvimos o presidente da República dizer que mais do que previsões, Mário Centeno faz um aviso político, mas Marcelo Rebelo de Sousa afasta preocupações com o déficit. Já Pedro Nuno Santos diz que é preciso olhar para as contas públicas com realismo.
Devemos levar muito a sério aquilo que diz o governador do Banco de Portugal, porque como todos nós sabemos, e não é só em Portugal, é alguém com uma grande respeitabilidade, tem um histórico muito positivo, tem resultados que são reconhecidos em toda a Europa e em Portugal em particular. Portanto, devemos dar muita atenção àquilo que diz o governador de Portugal, Mário Centeno, porque quando ele fala, sabe do que fala. Eu acho que temos que ser realistas, temos que ouvir todas as pessoas e instituições, e o Banco de Portugal é uma instituição muito importante e, portanto, temos que levar mesmo a sério aquilo que diz um governador do Banco de Portugal.
Pedro Nuno Santos, em declarações registadas pela RTP3 em Évora. O secretário-geral do PS recusou-se, no entanto, a falar em eleições presidenciais.
Vamos agora ao Congresso do PCP. Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, acusa o PS de ter feito um favor à PSD/CDS ao viabilizar o Orçamento de Estado.
Entrevista à Rádio Observador, no 22º Congresso do Partido Comunista, em Almada, Paulo Raimundo repete uma ideia do discurso do primeiro dia de Congresso: o PS é cúmplice das atuais políticas do governo.
Constatando um facto, o que fez foi isso, viabilizar o orçamento PSD/CDS, um orçamento de desastre, e associar-se à política que está em curso e vai ser responsável. Não é só um problema de se ter associado agora, é que vai ser responsável pelas consequências que vão ter, inevitáveis, essas opções de fundo político.
Permitiu que outros partidos da direita, como o Chega e a Iniciativa Liberal, tomassem espaço na oposição.
Já viu o favor que o PS lhes fez, libertando-os de ter que votar a favor de um orçamento com o qual estão de acordo, estão comprometidos até, desculpem a expressão. Pronto.
Nesta entrevista à Rádio Observador, Paulo Raimundo sublinhou também, relativamente às autárquicas, que tem a ambição de aumentar as autarquias que os comunistas têm atualmente. Se ter que trocar de candidato por limitação de mandatos fosse condição para perder, Paulo Raimundo diz que pode-se estar perante um grande resultado histórico, porque o PS pode perder 50 e o PCP ganhar, é o que sublinha Paulo Raimundo.
Agora 06:05. Quanto a João Ferreira, garante que o partido não vai ter falta de comparência nas eleições presidenciais.
Também a entrevista à Rádio Observador, o vereador da Câmara de Lisboa e antigo candidato presidencial considera que nenhum nome avançado até agora tem condições para o cargo. João Ferreira sublinha que o Partido Comunista Português não vai faltar à batalha das eleições presidenciais.
Do lote de protocandidatos que têm sido lançados para cima da mesa, com franqueza, não é possível identificar, na diversidade desses protocandidatos, não é possível identificar aí quem esteja em condições de cumprir com este papel. Pelo menos tal como o PCP o concebe. Vamos seguramente intervir nesta batalha. As condições em que o faremos a seu tempo, elas serão discutidas e havemos de tirar conclusões a respeito disto. O PCP nunca faltou a esta batalha. Não foi por falta de comparência do PCP que a Presidência da República esteve ao longo dos últimos 20 anos nas mãos da direita.
João Ferreira, que é de novo candidato da CDU à Câmara de Lisboa, considera que nesta autarquia, em que os comunistas não quiseram fazer parte de uma plataforma de esquerda, não se pode confiar num PS que viabiliza Carlos Moedas.
As profissões de fé numa governação à esquerda valem o que valem quando Conhecemos a opção assumida pelo PS de viabilizar, sejam quais forem as condições, a gestão de moedas. O PS escolheu viabilizar, diferentemente do que faz em outros conselhos, até na área metropolitana de Lisboa. Em Lisboa, Conselho de Lisboa, o PS escolheu viabilizar todos os instrumentos de gestão de moedas, orçamentos, grandes opções do plano, orçamentos e planos de atividade das empresas municipais, sem qualquer condição.
João Ferreira fez ainda um balanço dos primeiros anos de Paulo Raimundo enquanto secretário-geral comunista. Considera que tem cumprido indiscutivelmente bem e também cada vez melhor.
Ainda na política, o antigo deputado do PCP, Miguel Tiago, diz que o PCP sempre viu para lá da máscara de Pedro Núncio.
Também à entrevista à Rádio Observador, Miguel Tiago foi questionado sobre a viabilização do orçamento por parte do PS. Responde que só se desilude quem está iludido e fala também numa ladainha do PS que, diz Miguel Tiago, não surpreende.
Eu creio que nós, os comunistas, sempre vimos para lá dessa máscara. E, portanto, quando me pergunta: caiu a máscara? Talvez para muita gente a máscara esteja a cair, mas para nós acho que não era nada que não esperássemos e, portanto, só se desilude quem está iludido. Nós não estávamos. Mas é importante que as outras pessoas, aquelas que não estão aqui nesta sala, que não estão no Congresso do PCP, também percebam que esta é a ladainha do PS. O que vier a seguir é que é de esquerda, a ala esquerda do PS, mas que, na verdade, depois tudo serve para justificar políticas de direita.
O antigo deputado lembra ainda as críticas dirigidas ao partido no estalar da guerra na Ucrânia para dizer que agora os portugueses começam a perceber o que queria dizer o PCP em relação ao conflito, explica Miguel Tiago.
Quando se dizia que estava a ser montada uma guerra por procuração, creio que, muito provavelmente, uma grande parte dos portugueses não estava a perceber o que é que o PCP estava a dizer. Mas hoje em dia, passados os dois anos e pouco que vão sobre o início dessa guerra, a verdade é que já estamos a perceber que o que está a ser levado a cabo é objetivamente a utilização da Ucrânia para lançar mísseis americanos sobre território russo.
O antigo deputado do PCP, Miguel Tiago, considera também que há erros de perceção e deturpações das ideias defendidas pelo partido. Os trabalhos do Congresso do PCP são agora fechados à imprensa e à comunicação social, vai ser o momento para as votações e, portanto, para já, os trabalhos são fechados no Congresso que decorre em Almada.
Agora na atualidade internacional, a Geórgia tem um novo presidente. Foi eleito por sufrágio indireto através de uma votação feita no Parlamento. A especialista em assuntos internacionais, Madalena Mayer Resende, fala numa viragem no país.
É a primeira vez que o presidente é eleito desta forma no país. Falamos de Mikheil Kavelashvili, é uma decisão que estará relacionada com as incompatibilidades entre o governo pró-Rússia e anterior presidente com uma visão pró-europeísta. De acordo com a oposição, tal como nas legislativas, este sufrágio foi manipulado com a ajuda da Rússia. De acordo com a análise de Madalena Mayer Resende, especialista em relações internacionais, não há provas concretas que demonstrem que as eleições tenham sido alvo de fraude. No entanto, esta escolha para presidente marca uma viragem para a Geórgia, que corre o risco de se tornar uma Bielorrússia, o principal aliado da Rússia.
Estamos perante uma situação em que poderemos ver um agravamento muito forte, não só do conflito, mas também da repressão no contexto da Geórgia, que nos faz lembrar um pouco o que aconteceu na Bielorrússia em 2019 e, eventualmente, na criação de um Estado muito mais repressivo e de um regime parecido com o do Lukashenko.
Madalena Mayer Resende fala também numa onda de autocratização na Europa de Leste que está a agravar-se, diz, depois da eleição de Donald Trump.
Penso que a Europa de Leste é um dos candidatos mais frágeis, digamos assim, para esta onda de autocratização que a eleição de Trump, de facto, facilita e que, portanto, vamos provavelmente ver este gênero de processos por toda a Europa de Leste de forma mais acelerada.
Análise de Madalena Mayer Resende à Rádio Observador. A professora de Relações Internacionais considera ainda que o Ocidente só tem duas soluções: mandar uma missão de observação para a Geórgia e instituir sanções a Tbilisi.
Final da edição das 18h com Luís Soares. Luís, informação de volta às 18h30.
Até já.
Até já. A seguir vamos ter a primeira parte do Pop Up.