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Jornal das 7, com a jornalista Vanessa Cruz. O conflito no Médio Oriente pode fazer o preço do gasóleo disparar até €0,20 por litro já na próxima semana.

Se as cotações do petróleo e do dólar continuarem a aumentar como nos últimos dois dias, Ricardo. Para se ter uma ideia, em 30 litros, seria um aumento de €6. Ainda é preciso esperar pelo resto da semana, mas o analista de mercados energéticos, Ricardo Marques, lança previsões se a evolução continuar como até aqui.

O gasóleo por barril estava a $102 na sexta-feira, está a $134. Estamos a falar de uma subida de $32 por barril de gasóleo.

E isso pode vir a traduzir-se num aumento para o consumidor final de quanto e quando?

Num aumento de quase de €0,20 no preço do gasóleo, sem contar com os impostos. Nesta altura, estamos com €0,20 de aumento.

No gasóleo?

No gasóleo.

O analista de mercado explica por que que os preços podem subir nesta ordem de grandeza.

A Europa importa bastante gasóleo já refinado do Médio Oriente. Algumas refinarias na Europa estão paradas para trabalhos de manutenção e reparação. Não é só o problema do petróleo, é depois o problema do petróleo já refinado.

E a Europa importa gasóleo já refinado do Médio Oriente. É o principal fator que pode fazer disparar o preço por litro deste combustível. De resto, o presidente dos Estados Unidos e o chanceler alemão, que já vamos ouvir mais à frente, com um ponto de situação sobre o conflito, também reconhece que está preocupado com o aumento dos preços da energia. E também, na última hora, o secretário-geral da EPCOL, que representa as empresas portuguesas de combustíveis e lubrificantes, António Comprido, admitia, neste caso à Agência Lusa, um agravamento significativo no preço dos combustíveis na próxima semana.

Importa também, Vanessa Cruz, olhar para o preço do gás.

O preço nos mercados disparou hoje, Ricardo, mais de 30% no caso do gás natural, mas não há grandes preocupações nesta altura para Portugal e explica-se facilmente.

Portugal e Espanha, nesta altura, estão a usar menos gás do que o normal, por causa do verão. Têm as barragens cheias e têm bastante produção de eletricidade com renovável. E Portugal, por exemplo, tem os stocks de gás nesta altura a 76%. Agora, situações como a Alemanha ou França, que têm stocks a 20%, aí sim, pode ser complicado.

As explicações do analista de mercados energéticos, Ricardo Marques, ouvido na tarde política da Rádio Observador.

O governo está a tratar de uma operação de repatriamento de cidadãos portugueses que estão, nesta altura, no Médio Oriente. Quatrocentos portugueses querem regressar.

É o balanço atualizado feito pelo secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa. Sessenta e três desses 400 estão em Israel. Portugal está a preparar uma extração, em parte por via terrestre, tendo em conta que o espaço aéreo está fechado nesta altura. Os restantes, a maioria turistas, devem poder regressar em voos comerciais com a progressiva reabertura do espaço aéreo. É pelo menos o que diz o secretário de Estado.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, vai ser ouvido no Parlamento por causa da utilização da base das Lajes pelos norte-americanos nesta ofensiva.

Audição aprovada pela Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros. O pedido tinha sido feito pelo PS. A Iniciativa Liberal também votou a favor. PSD e CHEGA abstiveram-se. O ministro Paulo Rangel garantia hoje mesmo na Rádio Observador, no Explicador, que o governo só autorizou os Estados Unidos a utilizarem a base das Lajes para a intervenção militar no Médio Oriente, já a operação estava em curso, pese embora o pedido tenha sido feito um dia antes.

E o Partido Socialista insiste nas críticas. O líder do PS Açores, onde fica a base das Lajes, na Ilha Terceira, queixa-se da gestão que o governo está a fazer deste dossiê.

Francisco César diz que o executivo liderado por Luís Montenegro devia ter falado ao país sobre a utilização da base militar na Ilha Terceira por parte dos Estados Unidos da América. Em entrevista no programa Sofá do Parlamento, o deputado e líder do PS açoriano avisa também que é o Estado português que deve fiscalizar se os norte-americanos cumprem ou não os princípios de acordo para a utilização das Lajes.

Houve aqui uma falha da parte do governo. É que o primeiro-ministro, para além de informar os líderes partidários, tem também a obrigação de informar o Parlamento e o país exatamente da forma como isso foi feito.

Francisco César, líder do PS Açores, lamenta que o executivo tenha falado apenas com os líderes da oposição, apesar de confirmar que sim, o PS também foi consultado.

Donald Trump admite romper os acordos comerciais com a Espanha, critica o Reino Unido e deixa elogios à Alemanha.

Numa conferência de imprensa com o chanceler alemão Frederik Merz, que está hoje na Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos reitera as relações entre os dois países estão melhor agora do que durante a liderança de Angela Merkel. Trump esclarece que a Alemanha está a deixar os aviões norte-americanos aterrar, ao contrário de Espanha e do Reino Unido. Critica estes dois países por não colaborarem com as ofensivas dos Estados Unidos. Trump ameaça mesmo romper todos os acordos comerciais com Madrid.

Eu poderia amanhã parar, ou hoje, melhor ainda, parar tudo que tem a ver com a Espanha. Todos os negócios que têm a ver com a Espanha têm o direito de ser interrompidos. Os embargos fazem o que eu quiser com eles e podemos fazer isso com a Espanha. O que acham?

É o aviso em tom de ameaça deixado por Donald Trump.

E nos próximos dias o Irão vai decidir quem é o próximo líder do país. O presidente norte-americano também falou sobre isso nesta conferência de imprensa, a partir da Sala Oval na Casa Branca.

Para dizer, Ricardo, que os principais nomes apontados como sucessores de Ali Khamenei, o líder supremo do Irão, estão, nesta altura, mortos.

Muitas das pessoas que tínhamos em mente estão mortas. Nós tínhamos algumas em mente daquele grupo que já estão mortas, segundo informações. Eu acho que não vamos conhecer ninguém daqui para frente.

O presidente dos Estados Unidos diz também que alguém tinha de atacar o Irão.

Donald Trump a reconhecer o que já tinha dito a um jornalista, que os Estados Unidos mataram os potenciais sucessores de Khamenei no Irão. Vamos a outras notícias que também estão a marcar esta terça-feira.

Reforma laboral, a meta está mais perto, o governo está confiante, mas a Ministra do Trabalho avisa: as negociações não se podem arrastar muito mais. No final da reunião da Concertação Social desta tarde, a ministra Maria do Rosário Palma Ramalho não se comprometeu com nenhuma data limite, mas deixou este aviso no final de mais um encontro sem acordo.

Nós não estabelecemos prazos, mas evidentemente que as negociações têm que ter um tempo razoável e, portanto, quando esgotarmos os temas que estão em cima da mesa, estaremos em condições de saber se faremos acordo ou se não faremos acordo e tomar a decisão de acordo com essa conclusão a que chegarmos.

De qualquer forma, a Ministra do Trabalho encontra sinais positivos depois do encontro desta tarde.

O governo fez um grande processo de aproximação de posições e os parceiros também estão a fazer esse mesmo processo. Portanto, o governo está confiante.

Rosário da Palma Ramalho contou também nesta reunião da Concertação Social com dois colegas do governo, os ministros da Economia e da Agricultura. A primeira parte do encontro foi destinada à apresentação do PTR aos parceiros sociais.

A Ministra do Trabalho não se compromete com datas, mas do lado dos patrões há prazo limite.

Duas semanas, Ricardo, é o que diz Armindo Monteiro, presidente da Confederação Empresarial de Portugal, garante que há consenso. Vamos escutar aqui.

Os parceiros estão de acordo e nós, CIP, estamos de acordo que se este processo não for concluído nas próximas duas semanas, porventura não vale a pena estendê-lo mais, porque vamos entrar num ciclo vicioso. Creio que o limite das duas semanas é um tempo certo para concluirmos estas negociações.

É o que dizem os patrões. Do lado dos trabalhadores, a UGT garante que ainda há muita pedra por partir. Já a CGTP, que voltou à mesa de negociações com o governo seis meses depois, acusa o executivo de estar a insistir num pacote que já foi rejeitado pela população.

Não podemos esquecer aquilo que tem sido a dimensão da resposta dos trabalhadores ao pacote laboral que foi apresentado, a resposta que os trabalhadores deram na greve geral, a resposta que os trabalhadores deram ainda neste fim de semana passado, por exemplo, nas grandes manifestações em Lisboa e no Porto, com milhares de trabalhadores nas ruas, exigindo não a rejeição, porque a rejeição já está assumida no mundo do trabalho, mas exigindo a retirada deste pacote laboral por parte deste governo. E, portanto, aquilo a que assistimos hoje foi à Ministra do Trabalho dizer ou tentar legitimar todo este processo e da forma como ele está a ser conduzido.

É a posição da CGTP depois da primeira reunião da Concertação Social em que marca presença desde setembro.

E a Vanessa Cruz vai regressar às 19h30 para atualizar as notícias.