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Rádio Observador. São agora 10h, temos a edição da jornalista Diana Rosa. Marcelo Rebelo de Sousa decide amanhã se vai à Espanha em visita oficial ou não.

Depende do desenrolar das próximas horas no que toca ao mau tempo. O presidente da República foi questionado sobre as críticas de André Ventura quanto a uma ausência do chefe de Estado, mas não cede pressões.

O presidente da República não está sujeito a jogos políticos, não está em campanha eleitoral, está acima disso tudo, a pensar efetivamente nos problemas dos portugueses e da melhor maneira de servir os portugueses. Portanto, em função disso, eu decidirei, como decidi noutras circunstâncias, depois de ter estado no terreno.

As consequências das chuvas persistentes nas próximas horas vão determinar a decisão de Marcelo Rebelo de Sousa, que deixou hoje alertas à população.

E vamos precisamente ouvir esses alertas já daqui a pouco, mas primeiro, essas críticas de André Ventura sobre uma hipotética viagem do presidente.

Passou o dia em Beja, deixou recados a Marcelo e diz até que não é tempo de pensar em apelos ao voto, dadas as circunstâncias. Miguel Viterbo Dias.

Ao provar o azeite vai meter um picantezinho.

É isso, é intenso.

Jamais é a acidez.

Tem sido um André Ventura pouco picante e ácido QB nesta campanha presidencial, em que mantém que não vai apelar ao voto.

Não me parece fazer sentido que a minha mensagem seja de apelo ao voto. Parece-me que a minha mensagem deve ser: resolvam os problemas destas pessoas. O voto, quando chegar o momento, as pessoas decidirão quem tem o melhor perfil.

Apesar de desvalorizar a mobilização, André Ventura aponta à vitória, pelo menos é o que diz, enquanto José Gonçalves, da Adega da Figueirinha, lhe apresenta o vinho Moenga, uma expressão alentejana para coisas que seriam chatas.

É isso, é tentar e não conseguir. Era isso que eu estava a ver aqui, tentar e não conseguir. Espero que não seja isso.

E para tentar lá chegar, deixa aqui e acolá recados a António José Seguro.

Se querem um presidente que seja isto, a dizer sempre a mesma coisa, ali num ambiente tipo de conversas à lareira, ou se querem alguém que tome mesmo decisões às coisas e que diga o que tem que ser dito, mesmo que isso às vezes custe a ouvir.

O candidato presidencial, que volta a criticar o ainda titular da pasta, desta vez sobre a intenção de ir à Espanha.

O que é que um presidente da República vai fazer por Espanha quando o país está a cair aos bocados em muitas zonas? Às vezes parece que gostamos de destruir a nossa própria imagem de políticos.

E depois de ter sido o alvo preferencial das críticas, deixa, por agora, uma palavra simpática a Luís Montenegro.

Vi hoje que o governo voltou atrás naquilo que eu disse dos apoios pras famílias e aumentou finalmente a verba, que não fazia sentido nenhum, francamente, de 1070 ou 1080 € por família. Só por isso, isto está a valer a pena.

André Ventura numa visita à Adega da Figueirinha, em Beja, que também sofreu danos provocados pela chuva forte.

Miguel Viterbo Dias com o candidato do Chega, que está a descer no mapa de Portugal. Amanhã dedica-se ao Algarve.

E António José Seguro: as únicas soluções de André Ventura representam um passo atrás para o país. É o que ele diz.

É precisamente, Rita, em Albufeira, num jantar com apoiantes, o candidato apoiado pelo PS. Pelo ao instante que os eleitores pensem no rumo que querem seguir.

Um caminho que estimula o ódio, a divisão, que coloca portugueses uns contra os outros, que generaliza a suspeição, que dá voz apenas ao protesto, ruidoso na maior parte das vezes, mas que raramente apresenta soluções. Eu digo raramente por quê? Porque quando as apresenta, são soluções do passado que não têm nada a ver com o futuro que nós queremos construir no nosso país.

Neste jantar, António José Seguro contou com a presença dos mandatários distritais de Faro, de Luís Marques Mendes e Henrique Gouveia e Melo. Na primeira volta, continua a garantir a independência em relação ao Partido Socialista.

Seguimos com as notícias. As próximas horas vão trazer mais chuva ao território continental, principalmente ao sul do país, no distrito de Setúbal, em Alcácer do Sal. Há casas bloqueadas pelas inundações. A maioria dos acessos têm constrangimentos no centro da cidade.

Em direto de Alcácer está o repórter Miguel Cordeiro, que se junta novamente a esta emissão da Rádio Observador. Boa noite, Miguel. Já se ouve a chuva daqui, devo te dizer. Tu tens estado a falar com pessoas na última hora que relatam o que se passa por aí. Essas dificuldades são muitas?

Sim. O que posso descrever neste momento é, de facto, um pouco daquilo que descrevia há pouco também, de estar praticamente um rio a atravessar a baixa da cidade de Alcácer. À minha frente, o Largo 25 de Abril, que dá acesso também à ponte, que está tudo cortado, está tudo debaixo de água. Já vi passar por aqui várias cadeiras de esplanada, mesas também. Já vi passar alguns objetos, contentores do lixo, a atravessar também esta rua, tudo debaixo de água. Há pouco descrevia, por exemplo, esse balcão de um banco, neste caso o banco BPI, que já tem os acessos completamente debaixo de água e já está completamente inundado. É nesta zona que está o posto de comando. E foi aqui que há pouco consegui falar com o presidente da Junta de Freguesia de Santiago. Santiago é a freguesia que acaba por ter esta parte da baixa das cidades. Ele descrevia-me que vive aqui há 40 e poucos anos e nunca tinha visto um cenário assim, nunca tinha acompanhado também um momento de cheias e um momento de subida do rio desta dimensão. Relatou-nos que é natural, em Alcácer, haver pontualmente subidas do rio que preocupam, mas situações pontuais que duram, por vezes, duas horas e nunca desta dimensão como se vê agora. Relatar também que estão neste local, onde está o posto de comando, dois botes salva-vidas da Marinha. A Marinha destacou

Equipamentos militares para esta zona de Alcácer para ajudar ora no resgate, ora no salvamento de alguma pessoa que esteja nesta zona da baixa da cidade, perante uma possível subida repentina da água. Estão também já vários membros da Câmara Municipal, militares da GNR, bombeiros e, portanto, é um cenário de cheias, uma baixa de uma cidade completamente debaixo de água, acesso a prédios, a moradias, acesso a todo o comércio, completamente devastado. Dizia-me também o presidente desta junta de freguesia que o trabalho mais difícil será depois. Depois, colocar tudo de pé novamente, restaurar todo este comércio, todos estes acessos, tudo para um regresso à normalidade, mas entendo também que isso será trabalho mais pra frente. Do direto que fiz há cerca de uma hora, dizer que a água subiu cerca de dois metros face ao local onde estava há pouco e a tendência é que continue a subir, apesar da maré estar a descer. Os bombeiros já avisaram algumas pessoas que aqui estão para se afastarem, porque a maré está a descer, mas a água continua a subir.

São os apelos feitos pelas autoridades aqui, pela voz também do repórter Miguel Cordeiro, que está em Alcácer do Sal, a dar-nos conta dessas dificuldades vividas na cidade, distrito de Setúbal, que já recebeu, como ouvimos o Miguel dizer, reforços da Marinha para dar apoio à população afetada pelas inundações.

E voltamos agora ao presidente da República, que apela a cuidado máximo por parte da população por causa das chuvas persistentes que vão afetar o país nos próximos dias.

Marcelo lembra que nem sempre é possível combater a natureza, mesmo querendo proteger os bens materiais, as casas, as empresas, os carros. Sublinha o risco de cheias. Pede que os portugueses fiquem em casa.

No que me toca, eu tenho alertado permanentemente para isso, para não se sujeitarem a situações de risco, porque verdadeiramente acabam por agravar esse risco. Não se sujeitem. Na medida do possível, não se sujeitem hoje à noite, não se sujeitem amanhã, não se sujeitem nas noites seguintes e até sábado, uma vez que se fala de sábado também como o segundo dia mais complicado. E atuem sempre com bom senso, com serenidade, evitando esses riscos. É aquilo que se pode pedir, que a Proteção Civil tem pedido e que deve pedir.

É o alerta deixado pelo presidente da República, que pede cuidados redobrados até sábado. Marcelo vai reunir-se amanhã com Luís Montenegro para fazerem a avaliação da situação meteorológica e dos danos causados.

E esta vai ser, Diana, a pior noite em termos de chuva. É um alerta da Proteção Civil, por isso mesmo é elevado o risco de inundações e de cheias.

O comandante Mário Silvestre pede particular atenção aos condutores. As estradas vão estar especialmente perigosas.

Esta será, e está previsto pelo IPMA, que será a noite onde teremos mais precipitação. E, portanto, aquilo que estamos a dizer é um reforço muito grande de todos os cuidados relativamente a estas matérias. Portanto, exortamos toda a população portuguesa a que, de uma forma muito consciente, tenha todos os cuidados e redobre os cuidados que já é normal ter numa situação destas.

O comandante nacional da Proteção Civil explica que a maior preocupação está nos caudais do Sado e do Mondego. Até às 18h, a Proteção Civil registou mais de 4 mil ocorrências.

Seguimos com as notícias. Os trabalhadores das construtoras ainda não estão no terreno das áreas afetadas pela depressão da semana passada, apesar dos repetidos apelos dos autarcas.

Estão à espera de saber para onde ir, porque a estrutura de missão criada pelo governo ainda não definiu. O presidente da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas assegura que os trabalhadores estão a postos para ajudar nessa reconstrução. São cerca de meio milhão de pessoas. À Rádio Observador, Manuel Reis Campos explica que estão apenas à espera de saberem o que é que vão fazer a seguir.

Neste momento, nós aguardamos que esta estrutura de missão, que foi agora criada, que nos diga exatamente onde devemos atuar, porque foi lá decidido, nesta reunião que nós tivemos, operacional, que havia duas situações urgentes: uma que era a reposição dos telhados nas habitações e a outra questão, que era a colocação de coberturas nos pavilhões industriais, que também são centenas de empresas que estão neste momento em perigo em termos de emprego, de economia, da região e do país.

Manuel Reis Campos garante que neste momento a reconstrução das zonas afetadas é uma prioridade absoluta para o setor.

E em Leiria, José Vala espera que os trabalhadores comecem a chegar ainda esta semana. O presidente da Comunidade Intermunicipal de Leiria esteve reunido com a estrutura de missão.

E diz que são precisos trabalhadores para resolver os problemas da região.

A estrutura de missão ontem passou uma parte do seu tempo a reunir exatamente com estas entidades, com reuniões de trabalho para operacionalizar todo este processo. Estamos a falar, de facto, de muitos trabalhadores que são necessários, para o qual é necessário uma logística com grande dimensão e que esperamos ainda esta semana que comecem a chegar ao terreno e comecem a resolver os muitos problemas que a nossa região infelizmente tem e que urge resolvemos.

José Vale, à Rádio Observador, diz que a estrutura de missão entrou em funcionamento ainda hoje e que depois de uma avaliação, vai ser possível continuar a colocar trabalhadores no terreno

Seguimos com as notícias, Diana. Vamos agora até Alcácer do Sal, não é assim?

Vamos ao contacto com o repórter Miguel Cordeiro. Estamos a tentar estabelecer contacto, uma vez que as comunicações também não estão fáceis. Tem sido assim nos últimos dias. Alcácer do Sal tem sido uma cidade ali na região de Setúbal, no distrito de Setúbal, muito afectada pelas inundações e, portanto, estamos a tentar perceber, junto do Miguel Cordeiro, que queria também aqui relatar outras nuances destes danos causados pela tempestade. No entanto, agora não estamos a conseguir estabelecer contacto. De qualquer forma, vamos depois, mais tarde, tentar falar com o Miguel.

Vamos a isso. E já a seguir temos então outras notícias que marcam a atualidade, Diana Rosa.

O exército israelita matou mais um membro do Hamas, Mohammed al-Abil, que pertencia a um grupo armado palestiniano. É a terceira vítima das IDF nas últimas horas. A notícia avançada pelo jornal "Haaretz" explica que as forças israelitas alegam que este homem matou uma vigilante do exército. As IDF confirmam também ao "Haaretz" que antes mataram uma comandante da Jihad Islâmica e um veterano do Hamas. Os Estados Unidos confirmam que se vão reunir com o Irão depois de amanhã, sexta-feira. A notícia foi primeiro avançada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, que anunciou a reunião desta sexta-feira, através de uma publicação no X. Entretanto, um responsável do governo norte-americano, da administração norte-americana, confirmou à agência Reuters a realização deste encontro, que vai decorrer em Omã.

E é o ponto final no Jornal das 10, edição da jornalista Diana Rosa.