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Um Dez em Ponto. Edição das dez da noite com a jornalista Laura Figueiredo. E Laura, uma criança de um ano morreu em Almada depois de ter ficado esquecida durante várias horas dentro de uma carrinha de uma creche.
O alerta foi dado perto das 16h, quando a criança estava já há várias horas na carrinha, num dia de bastante calor. A carrinha em causa serve para fazer o transporte para a creche que esta criança frequentava na Avenida Cristo Rei, em Almada. O comandante do Comando Sub-regional de Setúbal, Miguel Silva, explicou ao Observador que quando chegou ao local já lá estava a PSP e a criança estava a ser submetida a manobras de reanimação. Uma hora depois, às 17h, foi declarado o óbito. Em Almada tem estado nas últimas horas o jornalista do Observador, Pedro Rainho. Pedro, boa noite. O que já conseguiste apurar sobre este caso?
Boa noite, Laura. Deixa-me começar com um apontamento de reportagem. Nós estamos precisamente, como tu dizias, na Avenida Cristo Rei, frente ao número 56, que é precisamente onde funciona uma das instalações do Colégio Mestre Cuco. Eu digo uma das instalações por quê? Porque este colégio, esta instituição, tem outras instalações a cerca de 1,5 km de distância deste local e era para aí que esta manhã a criança, que acabou por ser encontrada já inanimada dentro de um carro, devia ter sido levada. As autoridades estão a referir-se a este caso, a esta morte desta menina de um ano e meio, como um caso de esquecimento. O que aconteceu foi, segundo aquilo que conseguimos apurar ao longo das últimas horas, como era habitual, todas as manhãs os pais prepararam a criança para ir para a escola, entregaram-na à porta do prédio a uma funcionária do colégio. Isso era absolutamente habitual, acontecia várias vezes por semana, segundo nos relataram alguns dos vizinhos desta família. O problema foi quando a funcionária, em vez de se dirigir para a creche, para o tal edifício que fica a 1,5 km de distância de onde nos encontramos, veio para aqui, para o número 56 da Avenida Cristo Rei. E depois o dia decorreu e só a meio da tarde, cerca das 16h, ao que foi possível perceber, quando a mãe ia recolher a criança depois do dia de trabalho, houve um período de desorientação. Nenhum dos funcionários da creche sabia onde estava a criança e foi nesse momento que uma funcionária, já neste edifício, acorreu à tal carrinha, um SUV, e se apercebeu de que a criança estava inanimada na cadeirinha onde tinha sido transportada ao início da manhã. Ainda houve manobras de reanimação, já não foi possível reverter o estado em que a menina se encontrava e o óbito foi declarado neste mesmo local. Deixa-me só dar-te um apontamento de reportagem. Como eu dizia, nós estamos em frente ao edifício do colégio. Neste momento, os portões estão fechados, as portadas amarelas das janelas também estão fechadas e as luzes todas apagadas. Há cerca de uma hora não era ainda assim, havia funcionários que entravam e saíam das instalações. Nós tentámos abordar alguns desses funcionários. Acreditamos que a própria diretora também ainda estava nas instalações, mas ninguém quis prestar declarações. Neste momento, a PJ já assumiu a investigação. Não há detenções feitas neste caso e, como eu dizia, tudo aponta para uma situação resultante de um esquecimento.
Obrigada, Pedro, jornalista do Observador, Pedro Rainho, que tem estado nas últimas horas em Almada a acompanhar os desenvolvimentos do caso. Entretanto, a Polícia Judiciária está já a investigar a morte da menina de um ano e meio, que terá ficado esquecida no interior de uma viatura em Almada.
E seguimos nesta edição das 10, Laura, com as declarações do Primeiro-Ministro, que recusa falar sobre o caso que envolve o ministro da Administração Interna e pede que se aguarde pelo inquérito.
Em declarações aos jornalistas na Figueira da Foz, Luís Montenegro afirma que é necessário esperar pela conclusão desse inquérito aberto pelo Ministério Público. A Procuradoria-Geral da República anunciou a abertura de um inquérito relativamente ao caso do atrelado com produtos químicos encontrado na Constro Barcelos, empresa do amigo de Luís Neves. Ora, Luís Montenegro recusa comentar o tema. Já questionado sobre a coordenação do Executivo, o Primeiro-Ministro responde que o Governo está em grande forma e a trabalhar todos os dias. São declarações de Luís Montenegro na Figueira da Foz.
E seguimos com o ministro da Administração Interna. Sente-se legitimado, Laura, para continuar no desempenho das funções.
Luís Neves está sob pressão devido ao caso da movimentação de um atrelado de droga apreendido pela PJ para a empresa do empreiteiro e amigo, que está a fazer obras em casa do ministro. Luís Neves esteve esta tarde na sede da Liga Portuguesa dos Bombeiros e, confrontado com as polémicas recentes, diz que se não se sentisse legitimado, não continuaria a desempenhar o cargo de ministro da Administração Interna.
Já anteontem prestei uma declaração que responderei na altura própria, ponto por ponto, e quero-lhe dizer, que o senhor é que fez essa questão, que me sinto totalmente legitimado para continuar a fazer o meu trabalho. Eu hoje estive aqui na qualidade de ministro da Administração Interna. Se eu sentisse o contrário, não estaria aqui. Só vou dizer assim: estou disponível para tudo. Muito obrigado.
E continuará sempre em funções.
Claro.
Ministro da Administração Interna, Luís Neves, em declarações aos jornalistas no final da visita à sede da Liga Portuguesa de Bombeiros.
E voltamos a falar do Primeiro-Ministro, Laura. Luís Montenegro diz que Portugal é hoje um país mais amigo do investimento.
Num discurso na Figueira da Foz, o Primeiro-Ministro destacou as parcerias que considera de topo com os Estados Unidos e com a Alemanha e afirmou que o combate à pobreza se faz com a criação de riqueza.
Portugal é um país com estabilidade política, com estabilidade económica e com estabilidade financeira. É um país que hoje é mais amigo do investimento do que era ontem. É um país que quer cobrar menos impostos por quem trabalha e é um país que também quer premiar o resultado das empresas. Um país que sabe que para combater a pobreza e para combater a dificuldade, tem que criar riqueza.
O primeiro-ministro diz ainda que a única forma de aumentar os salários é ter empresas mais lucrativas. Declarações de Luís Montenegro na Figueira da Foz, durante a cerimónia que marcou o início da obra de construção de uma fábrica de componentes para centros de dados.
E Laura, o governo aprovou uma proposta para que as ações interpostas contra a AIMA deixem de estar concentradas em Lisboa.
O Conselho de Ministros quer descentralizar os pedidos que recaem sempre sobre a capital do país e criar uma melhor distribuição dos processos. A ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, explica que com a aprovação desta medida, os cidadãos passam a poder interpor ações na área em que residem e não apenas em Lisboa.
Vamos atribuir uma competência territorial para estas intimações, de acordo com a sede ou com a residência do requerente. Vamos criar formulários específicos para cada tipo de ação, porque sabemos que estas ações são ações massificadas, muito repetitivas e, portanto, vamos criar formulários que passam a ser obrigatórios para facilitar a análise e a própria decisão dos tribunais.
Além destes tribunais, vão ainda ser criados novos juízos especializados em imigração, asilo e proteção internacional. O projeto de lei do governo, que se insere numa reforma alargada da Justiça Administrativa e Fiscal, terá ainda de ser aprovada pela Assembleia da República.
E na Basílica da Estrela, em Lisboa, uma quinta-feira marcada pelo velório de Luís Represas.
Ao longo da tarde, várias figuras da sociedade portuguesa estiveram na Basílica da Estrela para se despedirem do músico, que morreu ontem aos 69 anos. Foi o caso de Sérgio Godinho. A Rádio Observador quis destacar o impacto dos Trovante na cultura portuguesa. Fala também no legado musical que Luís Represas deixa.
O Trovante apareceu com uma fulgurância muito grande quando começou e depois cresceu. Cresceu e teve um percurso que foi importantíssimo na música portuguesa. Eu estou feliz por eles terem, no fim de contas, continuado, embora muito intermitentemente. E é evidente que é uma grande mágoa o Luís ter sido embora, mas a música do Luís e do Trovante continua.
No velório esteve também durante a tarde José Jorge Letria, presidente da Sociedade Portuguesa de Autores. Recorda o momento que viveu com o amigo durante o ano passado, quando o convidou para cantar na Assembleia da República. Diz José Jorge Letria que mesmo durante estes últimos tempos, nunca percebeu que Luís Represas estava debilitado fisicamente.
Ele com uma voz pujante e com aquela presença forte fisicamente que ele tinha quando cantava, e não imaginávamos que ele estava doente ou que viria a estar mais doente. Ele não falava dos achaques físicos que tinha e da vulnerabilidade física que tinha. Eu posso dizer-vos, como amigo dele e admirador dele, que perdemos um dos melhores de nós todos, como cantor, como compositor e como pessoa que não se cansava de procurar novos caminhos, novas vias e novos percursos.
Também António Costa, presidente do Conselho Europeu e ex-primeiro-ministro, esteve no velório. Não tendo prestado declarações, o velório decorre até às 22h30. Amanhã realiza-se o funeral reservado à família.
Noite também marcada pelo futebol. O Benfica arrancou hoje oficialmente a época 2026/2027 e com uma derrota frente aos suíços do St. Gallen.
O jogo da primeira mão da segunda pré-eliminatória da Liga Europa de futebol. Os encarnados foram derrotados por 2-1 em casa dos suíços. A formação helvética adiantou-se no marcador aos 37 minutos por Alio Baldé. O Benfica empatou sete minutos depois através de Rafa, mas o St. Gallen sentenciou o encontro aos 80 minutos com golo de Tom Gal. O encontro da segunda mão está agendado para dentro de uma semana, dia 30 de julho, no Estádio da Luz.
10 minutos para lá das 22h, tempo ainda nesta edição de atualizar a informação de âmbito local. Laura, o que está a marcar esta noite de quinta-feira?
Em Sintra vai haver uma interrupção do abastecimento de água na freguesia de Mae de Martins no dia 28 deste mês. A autarquia informa que o corte se deve a uma intervenção dos serviços municipalizados de água e saneamento do Conselho e que vai afetar algumas ruas da freguesia. A interrupção está prevista entre as 09h e a 13h. A Câmara Municipal de Sesimbra informa que vai haver cortes e condicionamentos de trânsito nos próximos dias, devido à realização do Festival Mega Samba. O festival começou hoje e decorre até domingo. Segundo a autarquia, os cortes vão afetar o trânsito, sobretudo no Largo da Marinha e também no troço nascente da Avenida dos Náufragos. Em Santarém, foram aprovadas novas regras para a habitação municipal. De acordo com o regulamento da habitação pública do município, a Câmara estabelece que a atribuição de casas vai privilegiar famílias em situação mais vulnerável. Diz também que em casos de emergência, pode proceder-se a uma entrega de casa direta. Os Bombeiros Voluntários de Pombal assinaram um protocolo com quatro empresas do Conselho. Protocolo que pretende criar uma rede de empresas parceiras comprometidas com a segurança e o bem-estar da comunidade. O projeto tem o nome de Sócio Empresa, quer aproximar o tecido empresarial da missão humanitária dos Bombeiros Voluntários de Pombal. A empresa Ria Viva prepara-se para requalificar as margens do rio Cáster, no município de Ovar. A requalificação ambiental pretende tornar o curso de água mais resiliente e também diminuir o impacto das cheias no concelho. O projeto já se encontra em fase de execução, envolve a recuperação das áreas degradadas e também a remoção de espécies invasoras. Em Vila do Conde, o Mercado Municipal vai receber amanhã a exposição Olhares dos Mercados, identidade, frescura e diversidade. A exposição dá destaque ao Mercado Municipal como um ponto central da vida em Vila do Conde. A inauguração está marcada para às 10h. A entrada é livre. A exposição dura até ao final do mês.
E as notícias estão de regresso à antena da Rádio Observador às 22h30, também com a Laura Figueiredo, que já a seguir nos traz a guerra traduzida. Contamos contigo, Laura. Um abraço e até já.
Até já.