Foi notícia, nesta semana, o “ranking das melhores escolas portuguesas”. Baseado nas médias dos exames nacionais do último ano.

Os exames são um indicador importante dos conhecimentos que se conquistam na escola. Representam uma amostragem nacional e funcionam como uma prova de aferição. Nada, portanto, contra os exames, até porque o peso que têm na classificação final assume uma percentagem que se entende como sensata.

Mas os exames não podem ser “o indicador” que sirva para classificar uma escola como melhor ou como pior. Melhores notas nos exames não significam mais e melhores conhecimentos. Nem serve como indicador daquilo que é razoável que se espere da relação com o ensino superior ou com as mais-valias que daí se venham a retirar.

Por outro lado, distinguir o ensino das escolas privadas do da escola pública com base nos exames é “escorregadio”. Poder escolher os alunos e acolher todos os alunos enviesa a comparação. Comparar a escola das grandes cidades e as escolas do interior enviesa a comparação. Ter grandes percentagens de alunos com acção social escolar e alunos com mães muito escolarizadas, ou terem recursos para ter “vida”, educação e mundo enviesa a comparação. Ter alunos que desde a creche até ao ensino básico puderam frequentar escolas equilibradas, com um corpo docente estável, em grupos razoavelmente heterogéneos e haver soluções muito mais modestas na saída de casa para a escola, frequentar escolas sem condições, integrarem num mesmo grupo crianças com necessidades educativas especiais, alunos de várias nacionalidades acabados de chegar e professores que, brevemente, podem ensinar no primeiro ciclo sem mestrado e sem estágio enviesa a comparação.

Dividir as escolas entre as boas e as más escolas, com tantos enviesamentos de permeio, não é razoável. Aliás, haverá outra classificação que melhor as caracterize que não passe por considerá-las a todas como boas escolas? Conseguem umas substituir-se às outras? Serão os alunos das “boas escolas” melhores alunos, mesmo quando aqueles que vêm das “más escolas”, apesar de tudo, aprendem com resiliência, forçam a equidade e as limitações com que vivem a escola não os inibem de fazer por crescer?