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São 10 em ponto. Jornal das 10, na Rádio Observador, com edição da Laura Figueiredo. E Laura, o Ministro da Administração Interna admite falhas, mas diz que se sente totalmente legitimado para continuar no governo.

Luís Neves nega que tenha favorecido João Carvalho ou a empresa Constrobarcelos, assume, ainda assim, a responsabilidade pelo transporte do atrelado de droga para a empresa do amigo. O ministro nega, no entanto, que tenha havido qualquer tipo de desvio, garante que se limitou a um bom ato de gestão. Luís Neves quebrou hoje o silêncio sobre as várias polêmicas que têm marcado as últimas semanas. Assegura que continua com o aval do Primeiro-Ministro, Martinho Madeira.

No Terreiro do Paço, na sede do Ministério da Administração Interna, Luís Neves preparou-se com dossiê e fotografias para esclarecer todas as dúvidas sobre o caso do tanque e do atrelado. Uma conferência que era para ser ponto a ponto, acabou por perder a linha.

Peço desculpa. Ficou combinado aqui e organizado entre vós que não se atrapalhavam uns aos outros. Portanto, não é possível.

Na conferência de quase 50 minutos, apesar do bombardeio de perguntas, Luís Neves procurou clarificar toda a situação. Sobre o atrelado, dá a garantia de que não houve qualquer benefício para ninguém.

Não foi desviado qualquer bem, não foi comprometida qualquer prova, não foi beneficiado quem quer que fosse e não há aqui qualquer ligação ao tráfico de droga. Não havia outra opção.

O mesmo diz sobre o envolvimento com o empreiteiro João Carvalho.

Quanto ao envolvimento do senhor João Carvalho, não favoreci esta pessoa, não favoreci a sua empresa, não recebi qualquer benefício. Repito, muito claramente, não poupei, nem ganhei um cêntimo. Foi um contrato feito com uma pessoa que trabalha bem e do qual tinha confiança.

Já sobre a polêmica da piscina, afinal, era um tanque que depois virou piscina e agora vai voltar a ser um tanque.

Esse tanque foi efetivamente construído, mas depois acabou por se transformar numa piscina média familiar, já que foi ladeada, contra a minha vontade inicial, por terra. Não pedi licenciamento, pois eram intervenções de pouco impacto e monta na estrutura já existente e que não foi alterada.

Quanto à entrega da declaração de rendimentos, Luís Neves explica que demorou algum tempo por considerar ser um risco.

Notem que esta expõe, entre outros, as moradas, neste caso, de dirigentes policiais. No meu caso em particular, e quero enfatizar, que estive sob medidas de proteção e segurança, fui ameaçado, juntamente com a minha família, por máfias e delinquentes da pior espécie, era um risco enorme prestar certo tipo de informações de caráter pessoal.

Por fim, sobre a possibilidade de uma comissão parlamentar de inquérito, Luís Neves diz estar sempre disponível.

Todos os momentos que existam para que seja esclarecida alguma dúvida, em toda a minha vida, estive sempre disponível e estarei sempre disponível para responder em todo lado.

O jornalista Martinho Madeira, que esteve a acompanhar a conferência de imprensa do ministro da Administração Interna.

E também em reação a essa conferência, André Ventura considera que Luís Neves não tem condições para continuar no governo e pede, Laura, a intervenção do presidente da República.

O líder do Chega diz que nas declarações que fez, o ministro assumiu a prática de vários crimes, como, por exemplo, quando confessou que fez pagamentos em numerários de forma faseada acima de €3.000. André Ventura diz que a conferência de imprensa de Luís Neves foi uma das piores a que já assistiu.

Esta foi uma das conferências de imprensa mais sofríveis dos últimos tempos. Mas também acho que foi das mais sofríveis para a nossa democracia enquanto democracia. E a forma como alguém, de forma absolutamente ostensiva, quase com tintas de impunidade e de soberba, fazia declarações sobre coisas graves e sérias de forma absolutamente rudimentar, autoritária, respondendo ao que queria e não ao que era perguntado.

André Ventura pede a intervenção do presidente da República, considera que se perdeu uma oportunidade de dar um sinal diferente.

O governo que perdeu uma oportunidade de decência. Permitam-me isto, que não é nenhuma conversa, é mesmo só uma intuição que tenho. Acho que o presidente da República deve estar arrepiado depois de ouvir esta conferência de imprensa.

Reação de André Ventura, que voltou a pedir a saída do ministro Luís Neves.

Já o líder do PS esteve reunido com o primeiro-ministro antes dessa conferência de imprensa do ministro da Administração Interna e diz, Laura, que Luís Montenegro deve avaliar a continuidade do ministro.

José Luís Carneiro falou aos jornalistas na sede nacional do PS e praticamente ao mesmo tempo em que decorria a conferência do ministro da Administração Interna. O líder socialista explica que transmitiu a Luís Montenegro preocupação perante a fragilidade de Luís Neves.

A nossa grande preocupação é mesmo a da salvaguarda das instituições democráticas e por isso transmiti ao senhor primeiro-ministro que, no meu entender, a autoridade política do ministro da Administração Interna está fragilizada. Esses factos fragilizam a autoridade política daquele que é o titular da Administração Interna, ou seja, que tem a direção das forças de aplicação da lei.

O PS não pede a demissão do ministro. Independentemente da avaliação feita por Luís Montenegro e pelo próprio ministro da Administração Interna, o líder socialista continua a defender que seja ouvido na Assembleia da República o quanto antes.

E entre os restantes partidos com a representação parlamentar, Laura, há uma ideia unânime: as explicações de Luís Neves são insuficientes.

Para a Iniciativa Liberal, Luís Neves continua sem autoridade para se manter no governo. O partido vai levar o assunto ao presidente da República. Mariana Leitão considera que o ministro da Administração Interna não tem condições para desempenhar o cargo.

Não há condições de responsabilidade, inclusivamente, de autoridade e até mesmo de adequação ao cargo de Luís Neves neste momento e, como é óbvio, esta é a nossa posição e é isto também que iremos levar ao senhor Presidente da República.

Já o PCP, pela voz de António Filipe, considera que continuam pontas soltas por explicar, quer que o ministro seja ouvido no Parlamento.

As explicações que foram dadas hoje não substituem a necessidade de, na Assembleia da República, o ministro da Administração Interna ter de se submeter às questões que sejam colocadas pelos deputados.

E o deputado Paulo Muacho, do LIVRE, espera que o dossiê mostrado pelo ministro durante a conferência de imprensa seja agora disponibilizado ao público.

O senhor ministro deu muitos desses esclarecimentos hoje e tinha também na sua posse um dossiê com várias documentação que vamos esperar também que seja divulgada e que os jornalistas também possam fazer esse trabalho de escrutínio sobre se aquilo que está na documentação corresponde àquilo que foi dito pelo ministro e entendemos que isso, se acontecer, é positivo.

Reações dos partidos nos Passos Perdidos da Assembleia da República. Já o coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, considera que as explicações do ministro são insuficientes e exige a documentação que comprove a versão apresentada por Luís Neves.

E do lado do governo, Hugo Soares sai em defesa de Luís Neves e afirma que as explicações do Ministro da Administração Interna, Laura, foram elucidativas e acusa a oposição de nunca estar satisfeita.

Reação do líder parlamentar do PSD depois das declarações de Luís Neves aos jornalistas.

Foi, dizia, elucidativa, respondendo tal qual ele se comprometeu, ponto por ponto, às questões que foram levantadas e, de resto, às questões que os senhores jornalistas lhe colocaram nesta conferência de imprensa. É evidente que o país não espera que, para a oposição, esta conferência de imprensa tenha respondido a todas as perguntas. A oposição tem sempre mais uma dúvida, tem sempre mais uma questão e acha sempre que ficaram pontas soltas.

Hugo Soares acusa também o Chega de não querer saber a verdade sobre o caso e de querer apenas fragilizar o governo. Diz que para o partido de André Ventura, o interesse partidário está à frente do interesse nacional.

Mudamos de tema nesta edição das 10, Laura, e passamos a falar do incêndio em Vale de Passos, no distrito de Vila Real. Já atingiu casas e obrigou a retirada de moradores na localidade de Vale de Telhas.

Os moradores desta localidade no Conselho de Mirandelas estão agora concentrados na Junta de Freguesia. O fogo está a rodear a aldeia, onde moram cerca de 150 pessoas. É o que avança a tesoureira da autarquia. Sónia Mota adianta também que uma casa de uma idosa de cerca de 70 anos ficou parcialmente destruída. Algumas casas devolutas foram também atingidas pelas chamas. Este fogo no Conselho de Vale Passos começou já ontem. A esta hora, no terreno, estão mais de 750 bombeiros. Em Espanha, os habitantes que tinham sido retirados de localidades de Ávila devido ao incêndio já podem agora regressar a casa. O Ministério do Interior adianta que graças à melhoria das condições meteorológicas e também aos progressos dos bombeiros, está declarado com efeito imediato o fim do confinamento e das retiradas de populações de todas as localidades que ainda estavam nesta situação na província de Ávila.

10 minutos para lá das 10. Pergunto, Laura Figueiredo, que outras notícias vale a pena destacar a esta hora?

A cotação do barril de petróleo Brent, a referência na Bolsa de Londres, subiu 7,9%, volta agora aos $90. O preço do petróleo responde assim ao aumento das tensões entre os Estados Unidos e o Irão e interrompe a queda dos últimos dias. Já na referência de preços no mercado norte-americano, o barril subiu mais de 6%, agora para cerca de $84 por barril. Donald Trump avisa que os Estados Unidos vão responder às tentativas de ataque do Irão a bases norte-americanas. Em conferência de imprensa, o presidente norte-americano diz que o país islâmico vai ser atacado em força e que o regime iraniano sabe que isso vai acontecer. Apesar das ameaças, Donald Trump diz que ainda é possível chegar a um acordo. O presidente da Ucrânia revela que a Rússia vai levar a cabo um ataque massivo durante a noite. Na rede social X, Volodymyr Zelensky diz que este ataque está já a ser preparado há vários dias. Na mesma publicação, o chefe de Estado apela também aos parceiros da Ucrânia para que ajudem o país com o envio de mísseis de defesa aérea.

Notícias de regresso às 10h30 também com a Laura Figueiredo. Laura, até já.

Até já