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Boa noite, eu sou o Martim Madeira. Vamos ao jornal das duas da manhã. Começamos pelas notícias mais recentes deste temporal e desta depressão. Em Lisboa, o Túnel do Campo Grande está fechado e há baias de segurança no Terreiro do Paço. Uma notícia avançada pela CNN Portugal. A Câmara de Lisboa decidiu encerrar o Túnel do Campo Grande como medida preventiva para a pior fase da passagem da tempestade Leonardo. A estação noticiou ainda que a autarquia está a colocar baias de segurança na Marginal, junto ao Terreiro do Paço, com o objetivo de evitar que a população se aproxime das margens do rio Tejo. Em Alcácer do Sal, mais de 50 pessoas tiveram de ser retiradas de casa. O cenário é pior do que se esperavam as autoridades. Uma descrição feita à Rádio Observador na última hora pela Câmara Municipal. António Grilo, vereador da Proteção Civil, diz que a madrugada será difícil porque aproxima-se uma nova maré cheia, que deve acontecer pouco antes das cinco da manhã e, neste momento, o cenário já é de devastação. Uma enorme cheia coloca debaixo de água a baixa da cidade e várias pessoas já tiveram de ser resgatadas pelas autoridades.

Preocupa-nos também não só aquilo que está a acontecer aqui na cidade, mas em muitas aldeias que estão nomeadamente isoladas, Santa Catarina de Cítinos, Casa Branca do Sado, São Romão do Sado, Rio Domingos do Sado, Areez, Vale de Guiso. Portanto, preocupa-nos bastante o que se está a passar nessas localidades.

Podem ficar isoladas, é isso?

Alguma delas já estão isoladas. Temos estado a fazer um acompanhamento telefónico. Neste momento, o cenário não é nada favorável, portanto, podemos ter aqui um aumento do caudal e, como podem ver, até as operações de socorro, há dificuldade em manobrar os meios aquáticos, porque efetivamente a corrente é muito forte neste momento.

A preocupação de António Grilo relativamente às aldeias que podem mesmo vir a ficar isoladas neste ponto, situação feita à Rádio Observador. António Grilo reforça que nunca viu uma situação semelhante em Alcácer do Sal.

Eu nunca vi, seguramente que nunca vi. Há relatos de, nos anos 60 do século passado, ter havido aqui uma cheia enorme, mas numa altura em que as barragens não eram controladas e teoricamente nesta altura deveria haver um controle diferente e uma articulação diferente.

As declarações do vereador da Proteção Civil, António Grilo, à Rádio Observador. Em Arruda dos Vinhos, no distrito de Lisboa, outras pessoas ficaram desalojadas por causa de um deslizamento de terras. Aconteceu na zona do Lapão, é o que confirma à Rádio Observador a fonte da Proteção Civil. As pessoas já estão realojadas em casa de familiares e no albergue de Arruda dos Vinhos. O IPMA atualizou os avisos meteorológicos que tinha para esta quinta-feira e é já a partir da madrugada. Lisboa, Santarém, Portalegre, Castelo Branco e Guarda passam a estar sob aviso laranja de precipitação, como já acontecia em Setúbal, Évora e Beja. O aviso laranja foi também alargado a toda a costa portuguesa devido à agitação marítima. A Proteção Civil registou esta quarta-feira mais de 1700 ocorrências. As regiões de Grande Lisboa, Setúbal e Oeste foram as mais afetadas. As principais ocorrências foram por inundações, queda de árvores e movimentos de massa. Esta vai ser a pior noite em termos de chuva, é o alerta da Proteção Civil. Por isso mesmo, é elevado o risco de inundações e cheias. O comandante Mário Silvestre pede particular atenção aos condutores. As estradas vão estar especialmente perigosas. Quatro mil milhões de euros é a estimativa do governo para os prejuízos causados pela tempestade Cristina. Uma montante preliminar revelada pelo ministro da Economia e da Coesão, Manuel Castro Almeida.

Uma estimativa preliminar, muito preliminar. Eu posso lhe dizer que tudo aponta que vai superar os quatro mil milhões de euros. Portanto, juntando o dinheiro do governo, daquilo que vai ser o gasto público, aos gastos privados e às companhias de seguros, nós vamos chegar a um valor superior a quatro mil milhões. Não levo em conta aquilo que nós podemos chamar de custos indiretos da tempestade na região Centro. Portanto, isto para dizer que do ponto de vista da economia, vai ser um abalo muito relevante.

O ministro adianta o número de empresas que já recorreram ao apoio de €500 milhões estabelecido pelo governo.

Antes de vir para aqui, eu fui ver e já tínhamos 245 empresas que requereram apoios num valor da ordem dos €70 milhões. Foi no primeiro dia. Portanto, eu tenho a certeza que agora nos próximos dias virá muito mais. Este foi o primeiro dia em que as pessoas, se calhar, a maior parte delas, nem sabia que já estava a plataforma aberta. Ficam a saber que a plataforma já está disponível, já é possível pedir.

O ministro da Economia e da Coesão, numa entrevista à RTP, Castro Almeida justifica-se ainda por ter dito que as pessoas afetadas pela tempestade ainda tinham o salário do mês passado para fazer face aos danos. O ministro diz que foi uma escolha errada de palavras. Manuel Castro Almeida não se compromete, no entanto, com datas específicas para que os montantes de apoio sejam entregues, apenas espera que seja em breve. A E-Redes prometeu ao governo que 95% dos clientes vão ter restabelecida a energia no próximo sábado. Uma informação avançada pela ministra do Ambiente, mas quanto à totalidade do serviço restabelecido, Maria da Graça Carvalho remete para as palavras do presidente da E-Redes, contando que esteja o problema resolvido até ao final do mês.

A E-Redes prometeu-nos que dia sábado, 95% de todos os clientes terão acesso à rede e no próximo, no outro sábado, dia 14, serão 98%. Portanto, ficará a falar de 2%.

Quando é que estará reposto a 100%?

A 100%, o seu presidente hoje disse em direto para as televisões que se tudo correr normalmente, se não haver uma outra tempestade, porque, por exemplo, houve aqui durante a semana uma tempestade em que os números aumentaram, portanto, há retrocessos. Se o tempo correr a nosso favor nesta reconstrução, até o fim do mês de fevereiro, tudo fica reposto a 100%.

A ministra do Ambiente revelou ainda que vai ser feito um estudo do custo-benefício para colocar parte da rede elétrica sob terra, por forma a prevenir efeitos de novas tempestades. Adianta que é uma solução que custa 15 vezes mais que a rede aérea.

Marcelo Rebelo de Sousa decide esta quinta-feira se vai ou não em visita oficial a Espanha. Depende das consequências do mau tempo desta noite. O presidente da República foi questionado sobre as críticas de André Ventura quanto a uma ausência do chefe de Estado, mas não cede a pressões.

O presidente da República não está sujeito a jogos políticos, não está em campanha eleitoral, está acima disso tudo, a pensar efetivamente nos problemas dos portugueses e da melhor maneira de servir os portugueses. Portanto, em função disso, eu decidirei, como decidi noutras circunstâncias, depois de ter estado no terreno ou não.

Em declarações aos jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa apela também ao cuidado máximo por parte da população, por causa das chuvas persistentes que vão afetar o país nos próximos dias. Pede que os portugueses fiquem em casa e que até sábado os cuidados sejam redobrados. O presidente da República vai reunir-se esta quinta-feira com o primeiro-ministro para fazer a avaliação da situação meteorológica e dos danos causados. Passamos agora às presidenciais. António José Seguro pisca o olho aos eleitores que votaram em Marques Mendes e Gouveia e Melo na primeira volta. O candidato apoiado pelo PS esteve em Faro e Vasco Maldonado Correia contou com Macário Correia e Ricardo Mariano, nomes ligados a outros candidatos na primeira volta. O objetivo é conquistar o Algarve. As janelas até tocaram, mas o candidato não dançou. António José Seguro veio ao Algarve com trabalho a fazer para garantir que conquista um território que lhe escapou na primeira volta.

O único onde não vencemos eleições na primeira volta destas presidenciais. Mas ambicionamos vencer as eleições também aqui no Algarve, no próximo domingo.

Em Albufeira, Seguro contou com a presença dos mandatários distritais de Luís Marques Mendes e de Henrique Gouveia e Melo. Aproveita para caçar votos nestes dois eleitorados.

A vossa presença e, com certeza, de outras dezenas de apoiantes, quer de Marques Mendes, quer de Gouveia e Melo, representam bem a essência da democracia, de pessoas que se respeitam, que lutam pelas suas convicções e que no momento certo sabem de que lado é que devem estar para defender a democracia.

Enquanto pisca o olho pra direita, mantém o outro bem fechado para o Partido Socialista.

Dentro daquelas aldrabices que circulam, sobretudo nas redes sociais, diz-se muito isso, que eu agora quero reabilitar o partido A, ou o partido B, ou o partido C, a partir da Presidência da República. É quem não me conhece. Eu serei equidistante de todos os partidos.

E ainda sem dizer o nome de André Ventura, afirma mais uma vez que o adversário só quer pôr o país a andar para trás.

Ruidoso na maior parte das vezes, mas que raramente apresenta soluções. Eu digo raramente, por quê? Porque quando as apresenta, são soluções do passado que não têm nada a ver com o futuro que nós queremos construir no nosso país.

Em Faro, Seguro tentou fazer bingo.

Ganhou? Não. Mas vai ganhar no dia oito. Bem espero.

E mesmo sem sucesso aos jogos, espera ter melhor sorte na política.

Oitenta, oito, zero. Tudo que seja acima de 50% mais um é muito bom.

António José Seguro, de passagem por um distrito onde ficou a mais de 10 mil votos de distância para André Ventura na primeira volta, já não pede uma vitória folgada para já vencer no domingo, seja por que margem for, vai ter de chegar. Uma peça do jornalista Vasco Maldonado Correia, com os destaques deste dia de campanha de António José Seguro, que vai estar esta quinta-feira em Lisboa. André Ventura, o adversário de António José Seguro, avisa que se chegar à Presidência da República, o Chega vai precisar de tempo para se reorganizar. Reitera que deixa a liderança do partido e avisa desde já que o Chega vai precisar de se reestruturar. Ponto final neste jornal das duas da manhã. As notícias voltam à Rádio Observador às 14h30 com a síntese de notícias. Até já.