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Boa noite, eu sou o Martim Madeira, são duas da manhã. Vamos atualizar toda a informação na Rádio Observador. Começamos com os desenvolvimentos mais recentes da situação do Irão e com uma notícia de última hora. É oficial, o líder supremo iraniano, Aiatola Ali Khamenei, está morto. Uma informação confirmada pelos mídia estatais iranianos. A estação estatal IRIB comunica que o líder supremo do Irão alcançou o martírio. A filha e a neta de Ali Khamenei também morreram na sequência dos ataques israelitas. O Irão decreta 40 dias de luto nacional e suspensão dos serviços públicos por sete dias. Agora, 88 clérigos seniores escolherão o sucessor de Ali Khamenei, que ainda não estava definido. Donald Trump já tinha anunciado a morte do líder supremo iraniano nas redes sociais, horas antes desta confirmação oficial. Escreveu que Khamenei era uma das pessoas mais cruéis da história e disse que estava morto. Na mesma publicação, Donald Trump assegurou que vai continuar a bombardear o país continuamente durante a semana e por tanto tempo quanto necessário. Acrescenta também que esta é a melhor oportunidade para os iranianos recuperarem o seu país. O presidente norte-americano diz agora também que já sabe quem é o sucessor ou quem quer que seja o sucessor de Ali Khamenei no Irão. Numa entrevista por telefone à estação norte-americana CBS, o presidente norte-americano diz que já tem uma ideia de quem quer que lidere o Irão, mas não pode revelar, diz apenas que há muitos bons candidatos. Tendo em conta a oficialização da morte do líder supremo iraniano, analisamos o que pode acontecer. O efeito pode ser inverso ao pretendido pelos Estados Unidos e Israel, até porque o sucessor pode trazer uma linha ainda mais endurecida ao regime iraniano. Quem o diz é o professor catedrático Luís Tomé, coordenador do Observatório de Relações Exteriores. Entrevistado pela Rádio Observador, Luís Tomé avisa que o Irão já estava preparado pra morte do líder supremo e que o futuro pode não ser tão risonho quanto Donald Trump e Benjamin Netanyahu pretendem.

O regime está há muito tempo preparado para a eventualidade, quer Khamenei, quer outros altos dirigentes políticos, militares e do corpo da Guarda Revolucionária serem mortos em situações como esta. Portanto, não me parece que a morte de Khamenei a confirmar-se, por si só, signifique o fim do regime ou uma mudança dentro do regime no sentido daquilo que Donald Trump e Netanyahu pretendem. Eu não acredito que a queda de Khamenei torne o regime mais dócil, o torne mais predisposto a uma solução diplomática. Pelo contrário, podemos ter uma linha dura ou um regime mais endurecido nos próximos tempos, porque é a existência do regime que também está em causa. E, portanto, isso torna mais perigoso, pode até ser mais imprevisível naquilo que se possa antever do controle de escalada.

Agora, com a morte oficialmente confirmada, também a agência iraniana Fars diz que Khamenei morreu às primeiras horas da manhã de sábado no seu próprio gabinete, enquanto desempenhava funções, portanto, não por causa dos mísseis lançados por Israel, mas com esta morte oficialmente confirmada, entre os possíveis sucessores, de acordo com o plano de Aiatola, dito pelo New York Times, estão o líder do departamento jurídico iraniano, Gholamhossein Mohseni Ejei, o chefe do gabinete do Aiatola Ali Asher Ejazi e também, para ser ponderado, um dos sucessores, o neto de Ali Khamenei, Hassan Khomeini. Outro dos possíveis candidatos para liderar o Irão reagiu ao anúncio da morte de Ali Khamenei. Nas redes sociais, Reza Pahlavi, filho do último xá, escreve que o assassino de dezenas de milhares dos filhos e filhas dos mais corajosos do Irão foi apagado das páginas da história. Segundo o autoproclamado príncipe herdeiro, com a morte de Khamenei, a República Islâmica chegou efetivamente ao fim e rapidamente vai fazer parte do caixote do livro da história. Reza Pahlavi apelou ao exército e às forças de segurança para que se juntem à população iraniana nesta fase política, que considera decisiva para o futuro do país. Durante anos em exílio, o príncipe herdeiro do Irão nunca negou a possibilidade de poder assumir uma monarquia iraniana. A restauração também desta monarquia no país foi inclusivamente pedida pelos manifestantes nos últimos protestos no Irão. Continuando nas reações nas redes sociais, a reação mais recente é do secretário da Defesa dos Estados Unidos Pete Hegseth escreve na rede social X que os Estados Unidos não começaram este conflito, mas vão acabá-lo. Diz ainda que a operação denominada de "Fúria Épica" foi a mais complexa, mais letal e mais precisa a nível aéreo de toda a história. Afirma que o Irão teve a oportunidade de fazer um acordo e recusou-a, está agora a sofrer as consequências. Os Estados Unidos e o Irão estiveram na última semana em Genebra, em negociações sobre o armamento nuclear, que de acordo com os mediadores, teve algum progresso. Antes deste ataque estava programado um novo encontro para esta próxima semana em Viena. A capital iraniana, Teerão, está novamente a ser bombardeada, de acordo com os media iranianos. Foram ouvidas algumas explosões na cidade. As forças militares israelitas também confirmaram à Reuters que Israel lançou uma nova vaga de ataques aos sistemas de mísseis e defesa iranianos. Até agora, pelo menos 130 civis foram mortos pelos ataques israelitas e americanos no Irão. Já em Israel, confirma-se um morto e mais de 120 feridos na sequência da retaliação iraniana. Os ataques continuam fora do Irão. O Aeroporto Internacional de Dubai foi atingido pela retaliação iraniana. As imagens mostram muito fumo no interior de um dos terminais e partes de peças partidas no chão. Fala-se de danos elevados. Segundo a agência Reuters, pelo menos uma pessoa morreu e sete ficaram feridas no ataque ao Aeroporto Internacional de Dubai. Também o hotel Burj Al Arab, no Dubai, foi atingido. O estabelecimento de luxo mais conhecido do emirado tem 321 metros de altura e fica à entrada da ilha artificial da Palmeira. O secretário-geral das Nações Unidas considera que o mundo está a testemunhar uma grande ameaça à paz e à segurança internacional. António Guterres condena severamente os Estados Unidos e Israel pelos ataques contra o Irão, mas também condena as retaliações iranianas contra vários territórios vizinhos. Numa reunião da urgência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o secretário-geral deixou vários reparos à situação atual no Médio Oriente.

A lei internacional e a lei humanitária internacional devem ser sempre respeitadas. E é por isso que, desde manhã, eu condeno os ataques massivos de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão. E também condeno as subsequentes retaliações do Irão ao violar os territórios do Bahrein, Iraque, Jordânia, Koweit, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Estamos a testemunhar uma grande ameaça à paz e à segurança internacional. As ações militares têm o risco de desencadear eventos que ninguém consegue controlar nesta que é a região mais instável do mundo.

António Guterres aconselha também todas as partes a regressarem à mesa de negociações.

Eu apelo à desaceleração e ao fim imediato das hostilidades. A alternativa é um potencial conflito ainda maior, com consequências mais gravosas para os civis e para a estabilidade das regiões. Eu aconselho fortemente a todas as partes para regressarem à mesa das negociações, sobretudo acerca do programa nuclear do Irão.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas leu durante este discurso, na reunião de urgência do Conselho de Segurança, vários princípios da Carta da ONU. Saímos do conflito internacional e passamos agora o foco para a política nacional. Pedro Passos Coelho diz que caso seja necessário o seu regresso à política, é sinal de que o governo do PSD fez um mau trabalho. Uma posição assumida numa conferência no Museu do Oriente, em Lisboa, onde o antigo primeiro-ministro deixou ainda críticas à estratégia do Executivo para reformar o Estado. Passos Coelho recorda que nunca disse que se tinha retirado da vida política ativa para sempre, após a saída da liderança do PSD. Reforça que os sociais-democratas estão no poder e por isso acredita que apenas vai ser necessário ao país caso a governação corra mal.

Não há de ser seguramente pelas melhores das razões, porque se tudo correr bem e as coisas correrem de modo a que o país esteja satisfeito e o PSD, que está no governo, está satisfeito com o seu desempenho, por que razão é que agora hão de ir ao baú da história apanhar um tipo? Não percebo por quê. Não sei se algum dia voltarei a ser preciso ou não.

Pedro Passos Coelho terminou esta palestra a dizer que gostaria de ouvir as ideias que apresentou a serem debatidas, ao invés de ouvir a conversa sobre um possível regresso. Deixou ainda alerta sobre a sustentabilidade do sistema da Segurança Social. Notícia de fecho deste jornal. A informação regressa às 14h30. Até já.