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As notícias com João Costa Campos.

Boa noite. A Câmara de Coimbra está a estudar um plano de evacuação da cidade perante a previsão de agravamento do mau tempo, com chuva forte e vento. A Câmara está preocupada com as descargas da barragem da Aguieira. A presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, garante que está empenhado um dispositivo a acompanhar em permanência a situação da barragem.

Vamos ter que imaginar que para a semana, onde vamos ter muita chuva, vamos ter que imaginar que pode acontecer o pior cenário, não sabemos aonde, e portanto é acompanhar, monitorizar. Os nossos bombeiros vão estar permanentemente a vigiar toda a estrutura para perceber se há sinais ou não há. E depois também perceber que aquela estrutura aguenta no máximo 2000 metros cúbicos por segundo e acompanhar a quantidade que está, de facto, a ser ejetada.

Ana Abrunhosa, presidente da Câmara de Coimbra, avisa que se o agravamento do mau tempo obrigar a barragem da Aguieira a fazer descargas, isso vai significar o aumento do caudal do rio Mondego. A acontecer, existe o risco de cheias e para o evitar, a Câmara de Coimbra já está a estudar um plano de evacuação.

Vamos já trabalhar com os presidentes de junta o cenário de avisar famílias, avisar empresas, para, no caso de alerta, estarem preparados na próxima semana. Portanto, vamos trabalhar num plano de risco máximo, de perceber se tivermos que evacuar IPSSs, onde é que as pessoas vão ficar, se tivermos que evacuar as populações e vamos fazê-lo com a máxima cautela.

Ana Abrunhosa, a presidente da Câmara de Coimbra, pede que a população não estacione veículos no parque verde junto ao rio Mondego, em garagens abaixo do nível do rio e devem também, ao que diz a Câmara Municipal, retirar as alfaias agrícolas. A Proteção Civil registou mais de 1200 ocorrências relacionadas com o mau tempo esta sexta-feira. A maioria das ocorrências relacionadas com a queda de árvores e de estruturas pelo vento forte. A região Centro e Lisboa e Vale do Tejo são as áreas mais afetadas. São nesta altura mais de 10 mil as ocorrências registadas desde terça-feira, o início da depressão Christine. Cerca de 235 mil pessoas continuam sem energia. É o que avança a empresa E-Redes, a maioria no distrito de Leiria. São 180 mil pessoas em Leiria, sem eletricidade. Seguem-se depois Santarém, Portalegre, Castelo Branco e Coimbra como os pontos mais críticos. A E-Redes, empresa responsável pela distribuição de eletricidade, ressalva que os impactos da depressão Christine não têm paralelo com outros fenômenos recentes em Portugal. O presidente da E-Redes admitiu que só na quarta-feira é que 80% dos clientes vão ver restabelecida a energia. É a previsão deixada por José Careto.

Aquilo que nós estamos a prever, caso não haja um agravamento significativo das condições meteorológicas, e a senhora ministra da Energia hoje já o referiu, é podermos ter 80% das nossas ligações, portanto, dos clientes ligados à rede, no prazo de cinco dias, o que quer dizer que acabará no domingo próximo. Depois, os restantes 20% serão mais difíceis de recuperar. Estamos a falar de situações já muito distribuídas para esta zona.

O presidente da E-Redes, em entrevista à Sic Notícias, José Careto, diz que foram destruídos cerca de 50 postos de alta tensão e mais de 700 km de rede elétrica. Em Coimbra, foi entretanto normalizado o abastecimento de água, é o que faz saber a presidente da Câmara. Passou de 10 mil para 2400 pessoas, também que passam a ter energia. Em Pombal, a ajuda tem dificuldade em chegar às aldeias mais isoladas. É o alerta da vice-presidente da Câmara. O grande desafio é chegar às pessoas fora dos centros urbanos, como explica Isabel Marto.

A maior parte da nossa população vive em aldeias, cerca de 40 mil pessoas. Temos 2 mil km de vias por desobstruir e temos muita gente no terreno, cerca de 500 pessoas no terreno. Ainda assim, parece que se vê pouca evolução. Ainda há muitas aldeias, muitas casas às quais ainda não conseguimos chegar. Isso é um problema, porque depois não conseguimos prestar auxílio.

Até porque a comunicação ainda não está restabelecida em todo o território, o que dificulta o pedido de apoio às diversas entidades.

Não tem havido comunicações, portanto, tem sido difícil sequer transmitir as nossas necessidades à Proteção Civil, porque a Proteção Civil As antenas SIRESP não funcionaram. Só ontem que se começou a restabelecer alguma comunicação e, portanto, é que nós começámos a transmitir as nossas necessidades e começou a haver algum apoio externo, mas que ainda é muito insuficiente.

Isabel Marto, vice-presidente da Câmara de Pombal, entrevistada pela Rádio Observador. Marcelo Rebelo de Sousa admite um problema nas estruturas portuguesas que têm falta de capacidade para resistir a fenómenos extremos. O presidente da República esteve em Leiria, acompanhado pela ministra da Administração Interna, a acompanhar os trabalhos de recuperação dos danos. Para Marcelo Rebelo de Sousa, o grande desafio não é a antecipação dos fenómenos, mas sim as fracas condições do edificado.

Não é um problema de prevenção, é um problema de estruturas, umas mais recentes, outras mais antigas, que se chegou à conclusão que não aguentam este tipo de-

Podiam-se ter prevenido essas estruturas?

Algumas dessas estruturas são históricas, pontes históricas caíram. Outras são mais recentes. Estruturas como o terminal rodoviário, fortemente recentes. Telhados de escolas, instalações de fábricas que têm décadas, comunicações que umas são antigas, outras são mais recentes. Está visto que há uma desatualização em termos de estruturas.

Ainda assim, na situação atual, acredita Marcelo Rebelo de Sousa, está a ser feito tudo para ajudar a população afetada. A depressão Cristine continua também a marcar a campanha para a segunda volta das eleições presidenciais. António José Seguro abandonou um jantar com apoiantes em homenagem aos afetados pelo mau tempo. O candidato nem chegou a sentar-se à mesa, certificou-se de que não havia música a tocar, entrou por uma porta lateral em direção ao púlpito e Vasco Maldonado Correia explicou a centenas de apoiantes que não podia ficar no jantar.

Era para ser um momento de festa, mas a catástrofe provocada pelo mau tempo obrigou a mudar os planos. Seguro manteve o jantar que estava previsto para esta sexta-feira em Viseu, mas apareceu contido para transmitir uma mensagem logo à chegada.

Eu só não cancelei esta minha vinda aqui esta noite por respeito a cada uma e a cada um de vós. Mas compreendam que esse mesmo respeito é devido a todas e a todos os portugueses que estão a passar neste momento uma situação de grande aflição.

E logo ficou claro, apesar das centenas de apoiantes na sala, que este não seria um comício tradicional.

Quero vos pedir do fundo do coração que compreendam que eu não vos dirija hoje nenhuma mensagem política, nem nenhuma mensagem eleitoral.

Seguro pede desculpa e explica que vai abandonar o evento.

E quero também pedir a vossa compreensão. Quero vos pedir vivamente, compreendam que eu não fique mais neste jantar. Tenho vindo aqui para vos dar este abraço, para vos agradecer do fundo do coração a vossa confiança.

O resto da noite e os próximos dias são para arranjar soluções, garante o candidato.

Este é um momento daqueles em que é preciso fazermos aquilo que temos que fazer. E neste momento o meu dever é continuar em contacto com os autarcas, com as pessoas e, sobretudo, fazer tudo a termos de propostas e de ideias para ajudarmos, quer o Estado português e os organismos do Estado português, quer os privados, a poder minorar a vida aflitiva destas pessoas.

Os apoiantes ficaram, o candidato não. Tão rápido como chegou, Seguro saiu da sala, de ar cabisbaixo, mas debaixo de aplausos, em homenagem a todos os afetados pela depressão Cristina.

O jornalista Vasco Maldonado Correia, que está a acompanhar a campanha do candidato apoiado pelo Partido Socialista, António José Seguro, que abandonou esta noite um jantar com apoiantes em homenagem aos afetados pelo mau tempo. O candidato aproveitou a ocasião para apresentar uma nova proposta, a criação de uma linha de apoio à tesouraria das empresas que não conseguem funcionar por causa do mau tempo.

Aquilo que de pior podia acontecer é que as pessoas que estão em casa aflitas ou que tiveram danos nas suas casas, agora também pudessem ficar privados dos seus salários. Eu falei com vários empresários esta tarde e essa é uma das preocupações, que haja linhas de apoio à tesouraria das nossas empresas que estão nessas dificuldades. E simultaneamente, também, apoiar com essas linhas investimentos de recuperação dessas empresas.

É a proposta deixada por António José Seguro. A Comissão Nacional de Eleições garante que o voto antecipado para as presidenciais não está comprometido, mesmo nas zonas afetadas pela depressão Cristine. À Rádio Observador, André Wiemans diz que as estruturas estão adaptadas para que no domingo os eleitores inscritos para votar antecipadamente o possam fazer com total normalidade.

Logísticamente, está tudo pronto para o voto antecipado em mobilidade que se desenrola este domingo, dia 11 de fevereiro. Com a situação atual, a informação que temos é que em alguns pontos poderá haver alterações de onde será o voto antecipado em mobilidade, devido ao sítio onde estava previsto ter sido danificado e por isso não poder abrigar o voto antecipado. Mas até agora a informação que tenho, com a situação verificada até o momento, é que será possível ter o voto antecipado em mobilidade em todos os conselhos onde há eleitores registados para o fazerem neste domingo.

Declarações de André Wiemans, porta-voz da Comissão Nacional de Eleições, que garante que os conselhos vão notificar os eleitores sobre possíveis alterações no local de voto antecipado. Fica por aqui este jornal das 15h. A informação está de regresso à antena da Rádio Observador daqui a pouco, às 15h30. Até já.